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Revista de psicología (Santiago)

versión impresa ISSN 0716-8039versión On-line ISSN 0719-0581

Rev. psicol. vol.27 no.2 Santiago dic. 2018

 

Sección Temática: Historia de la Psicología

Waclaw Radecki: Propondo uma nova narrativa a um velho personagem

Waclaw Radecki: Proposing a new narrative for an old character

Luiz E.P. Fonseca1 

1Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil

Resumen:

Waclaw Radecki é um importante personagem da história da psicologia na América do Sul, tendo fundado e gerido laboratórios de psicologia no Brasil e no Uruguai e iniciado institutos de psicologia nos dois países e também na Argentina. Autor de uma série de livros sobre psicologia e, em especial, seu sistema de discriminacionismo afetivo (até hoje apenas parcialmente compreendido), Radecki permanece um personagem cuja história é confusa em alguns pontos. Com narrativas como uma biografia na Polônia, um famoso artigo brasileiro sobra sua passagem no Brasil e poucos escritos sobre seus últimos dias no Uruguai e Argentina, este artigo se propõe a fazer uma nova nar-rativa do personagem, traçando desde sua vida na Polônia em 1887 até seu falecimento em 1953, no Uruguai, tentando elucidar pontos obscuros nos textos atuais, verificar datas e responder a perguntas ainda sem resposta, como o motivo de sua vinda para o Brasil, seu translado conturbado para o Uruguai e Argentina e seus últimos dias como chefe da escola do discriminacionismo afetivo. O artigo propõe uma narrativa histórica nova sobre Radecki com base em novas fontes, como documentos, livros e jornais ainda não explorados pelos historiadores da psicolo-gia sul-americana.

Palabras clave: Waclaw Radecki; história da psicologia; América do Sul

Abstract:

Waclaw Radecki is an important character in South American history of psychology, being the founder and manager of laboratories of psychology in both Brazil and Uruguay, having also founded institutes of psychology in said countries and Argentina. Author of many books regarding psychology, and specifically about his psychological system, affective discriminationism (to this day remaining only partially comprehensible), Radecki remains a char-acter whose history is confunsing in some aspects. Having his life narrated by a biography in Poland, a famous paper in Brazil about his passage there and few texts regarding his last days in Uruguay and Argentina, this paper proposes a new narrative about this character, tracing his life since birth in Poland, in 1887, until death in Uruguay in 1953, trying to clarify obscure aspects in current texts, verifying dates and answering questions that remain a mistery, such as the reason for his moving from Poland to Brazil, his troubled moving to Uruguay and Argentina, and his last days as the leader of the school of affective discrimination. The paper proposes a historical narrative about Radecki utilizing new sources, such as documents, books and newspapers largely unexplored by South American historians of psychology.

Keywords: Waclaw Radecki; history of psychology; South America

Introdução

O objetivo deste artigo é propor uma reto-mada da figura de Waclaw Radecki (1887-1953), psicólogo polonês que imigrou para o Brasil em 1923 e, posteriormente em 1933 para o Uruguai, onde manteve contatos no país e na Argentina. Conhecido por ter divul-gado a psicologia através de livros e palestras, era o autor do pouco compreendido sistema intitulado discriminacionismo afetivo. Nos três países latino-americanos nos quais Radecki residiu, bem como em seu país de origem, o polonês moveu esforços para iniciar estudos em psicologia, seja na forma de docências livres, como na Polônia, na forma de laborató-rios, como no caso da Polônia, Brasil e Uru-guai, ou mesmo com centros de estudos, no caso da Argentina e Uruguai.

Apesar da passagem pela América Latina ser conhecida, os detalhes desta são pouco conhecidos. Para os latino-americanos, os feitos de Radecki em solo polonês são ainda menos conhecidos, dada a distância do país e a época, cujos documentos são difíceis de resgatar. Conhecemos apenas a breve biogra-fia de autoria de Jerzy Kubiatowski (1986), que por si só revela dados inéditos para a his-toriografia latino-americana da psicologia: a saber, o provável motivo da vinda de Radecki para o Brasil.

Não são numerosos os textos que tratam historicamente sobre Radecki na América Latina, mas podemos destacar, no Brasil, o de Rogério Centofanti (2004 ), psicólogo brasilei-ro que resgatou Radecki através do artigo “Radecki e a psicologia no Brasil”, de 1982. Já para o Uruguai, temos a referência de Pérez Gambini (1999), em texto intitulado “Radecki y el Centro de Estudios Psicológicos de Mon-tevideo”. O primeiro, de Centofanti, é mais extenso e detalhado, entretanto contando com fontes em sua maioria brasileiras. O segundo, de Pérez Gambini, conta com documentos e fontes uruguaias e argentinas, especialmente fontes que tratam dos últimos dias de vida do polonês.

Este artigo visa uma nova narrativa, tra-zendo os dados e fontes novas levantados na pesquisa em questão. Partindo da vida de Ra-decki desde a Polônia, de onde se dispõe a sua tese de doutoramento Os fenômenos psi-coelétricos (1911), uma “Biografia” (1953) póstuma publicada em solo uruguaio e artigos de jornal, iniciamos o resgate histórico do personagem desde suas raízes. Continuamos com a chegada de Radecki ao Brasil, onde inúmeros jornais brasileiros e livros como seu Resumo dos cursos de psicologia (1928) e Tratado de psicologia (1933) narram a vida do polonês em terras brasileiras de 1923 a 1933, quando se muda para o Uruguai. Para lidar com esta última fase da história de Ra-decki, dispomos de suas publicações no país, como as Hoja de Psicología, boletins que organizou de 1947 até o ano de sua morte, 1953, bem como as atas de fundação de seu centro de estudos, o Centro de Estudios Psico-lógicos de Montevideo e publicações em pe-riódicos locais.

Através da junção de diversas informações espalhadas em diferentes publicações de dife-rentes épocas e nacionalidades, se propõe retomar este tão misterioso personagem, tido no Brasil como um dos maiores conhecedores de psicologia que passou pelo país (Centofan-ti, 2004) afora o desconhecimento do signifi-cado do seu sistema em profundidade (Cento-fanti, 2003). Já no Uruguai, sua passagem é reconhecida, porém como figura gravitante apenas nos primeiros anos da psicologia no país, sem muitas glórias atribuídas a ele (Pérez Gambini, 1999). Para a Polônia, sobra um personagem envolto em mistérios com relação à sua vida na América Latina, constando co-mo faltosas inúmeras informações sobre seus últimos anos de vida (Kubiatowski, 1986). Desta forma, este texto intenciona reunir tan-tas informações distintas, dando à comunida-de de historiadores da psicologia uma fonte confiável de informações sobre Waclaw Ra-decki, descrevendo sua trajetória com detalhes novos e pouco explorados.

Por fim, este texto é desdobramento de uma extensa pesquisa sobre Radecki, publica-da na forma de dissertação ( Fonseca, 2016 ) e de onde saíram outros dois trabalhos sobre o polonês: um sobre como se tornou pioneiro da psicologia brasileira (Fonseca, Rosa, & Ferrei-ra, 2017) e outro sobre seu significado para a historiografia da psicologia no Brasil (Fonse-ca, Rosa, & Ferreira, 2016). Para discussões sobre o sentido e o significado do persona-gem, recomenda-se a consulta a estes traba-lhos, sendo o presente texto de cunho apenas biográfico.

Metodo

Para as informações específicas da Polô-nia, uma consulta no site polonês Internetowy Polski Slownik Biograficzny foi realizada, indicando informações sobre Radecki. A par-tir destas informações, foi realizada consulta com a biblioteca da Universidade de Varsó-via, por onde foi obtida cópia digitalizada do jornal Národ (Sprawa prof. Waclawa Ra-deckiego, 1920) 1 , 23 de junho. Tal cópia foi traduzida em solo brasileiro e utilizada no artigo.

Para as informações específicas do Brasil, foi realizada extensa pesquisa em bases e bi-bliotecas cariocas, local onde Radecki residiu na maior parte de sua estadia no país. Foram levantados seus volumes publicados, ora via bibliotecas públicas (em especial da Universi-dade Federal do Rio de Janeiro em seus dife-rentes acervos), ora via consulta à Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, cujo site dis-ponibiliza periódicos e jornais antigos de di-versos períodos e cidades do Brasil. Foi sele-cionado no mecanismo de busca o período de passagem de Radecki pelo país e levantados 92 arquivos, sendo utilizados para este artigo 57 jornais. Os demais volumes citados foram obtidos em acervos particulares de coleciona-dores.

Para as informações do Uruguai e Argenti-na, foi realizado extenso levantamento duran-te um mestrado-sanduíche realizado no Uru-guai, na cidade de Montevideo, em parceria com a Universidad de la República e o con-vênio CAPES/UDELAR durante os meses de julho, agosto e setembro de 2015. Foram le-vantados na Biblioteca da Facultad de Psico-logía todos os volumes citados produzidos no Uruguai a partir de 1933, além parte das Hoja de Psicología. Foram levantados no fundo histórico da Facultad de Medicina os docu-mentos do Centro de Estudios Psicológicos de Montevideo (a ata de fundação e o programa do curso), bem como parte das Hoja e a tese de doutorado de Radecki, Os fenômenos psi-coelétricos. Por fim, foi levantado na Biblio-teca Nacional do Uruguai o livro do I Con-gresso Latinoamericano de Psicología, bem como o restante das Hoja.

A primeira seção do artigo toma como base o texto “Biografia”, contido na Hoja de Psico-logia de 1953, por conter informações sobre Radecki ao longo de sua vida, em especial nos anos em que viveu na Europa. Na seção do artigo em que se trata da passagem pelo Brasil, utiliza-se como apoio e contraste o texto de Centofanti. Tal artigo foi originalmente publi-cado em 1982, mas, para fins de citação e referência bibliográfica, utilizaremos a versão publicada em 2004 ( Centofanti, 2004 ), por ser de mais fácil acesso e não ter diferenças em relação à original. Por fim, na seção tratando sobre o Uruguai e a Argentina, utiliza-se como base e contraste o texto de Pérez Gambini.

Ao longo de todo o artigo as informações destes três textos serão contrastadas com os novos dados e fontes levantadas, corrigindo incongruências de datas e acontecimentos e levantando novas hipóteses. Logo, será pro-posto um texto original que apresenta as in-formações diferentes em modo cronológico, organizado e crítico, reunindo as referências básicas e clássicas para apreciação da comu-nidade de historiadores da psicologia interes-sada em Waclaw Radecki, atualizando tais informações e dispondo-as de modo simplifi-cado.

Resultados

Nascido em 27 de outubro de 1887, Waclaw Radecki era filho de José Wenceslao Radecki, estudante de medicina, e Alejandra Edwiges Siekierz, aluna do Conservatório de Varsóvia (Kubiatowski, 1986). Seu pai fale-ceu antes de seu nascimento, tendo contraído tuberculose de um paciente, o que resultou na educação inteiramente por parte de sua mãe. Desde cedo, a “Biografia” sugere um teor político na vida de Radecki, pois indica que seu pai teria sido fundador do Partido Socia-lista polonês, e que sua mãe o educou dentro de um ideário patriótico. A Polônia ficou sob domínio de outras nações, com o território dividido entre o império russo, alemão e a Áustria até 1918, fim da Primeira Guerra Mundial, onde alcançaria sua independência (período conhecido como Segunda República Polonesa). A “Biografia” indica os problemas dessa ocupação quando Radecki teve sua formação em escolas de ocupação russa, onde teria sofrido por sua origem polaca, “castigos diários por sua conduta patriótica” (Biografia, 1953, p. 3).

Em 1905, completa 18 anos e participa da conturbada vida política polonesa, onde acaba por se ferir e contrair tuberculose. Viaja para a França por questões de saúde e retorna ao seu país, onde é expulso de sua escola por “haver conspirado contra o czar” (Biografia, 1953, p. 3). Em seguida, parte para Cracóvia e se ins-creve como ouvinte na Universidade Jagiello-na de Cracóvia, iniciando estudos em psicolo-gia e onde a “Biografia” (1953) cita o que teria sido um de seus primeiros trabalhos, aos 16 anos de idade: “Em que critério se pode apoiar para tornar independente o psicológico do filosófico-religioso e ampará-lo na Biolo-gia” (p. 4) 2 .

Voltou a Varsóvia logo em seguida a pedi-do do Partido Socialista, e em meio à ativida-de política, segue seus estudos de música e de psicologia. Entretanto, “antes de cair nas mãos da polícia czarista, consegue escapar ao es-trangeiro” (“Biografia”, 1953, p. 4), em 1907, onde parte para a Itália. Até 1908, se inscreve como ouvinte e, posteriormente, estudante regular da Faculdade de Ciências Naturais e também executa atividades como violoncelista em Florença. Entretanto, em 1908, parte para Genebra, onde inicia seus estudos com Edouard Claparedè. Esta é uma passagem importante pois o contato com Claparedè irá influenciar seus escritos, sendo recorrente-mente citado em seus textos. Após se matricu-lar na Faculdade de Ciências Naturais e Medi-cina de Genebra, em 1910 é nomeado assis-tente de laboratório de Claparedè. Segundo a “Biografia” (1953), se filia a sociedades polí-ticas polonesas de Genebra, que o enviam a outras cidades: Munique, Paris, Bonn, etc. Esta é uma famosa passagem da vida de Ra-decki, celebrada por Centofanti (2004 ) e ou-tros historiadores brasileiros através deste, pois, nesta ocasião, Radecki teria travado con-tato com outros laboratórios de psicologia da Europa, de psicólogos como Kraepelin, Kul-pe, Toulouse e outros.

Em 1911, termina sua tese, Os fenômenos psicoelétricos (1911), publicando-a e, em seguida, sendo nomeado docente livre da Universidade de Genebra. Logo em seguida, em 1912, volta à Polônia, na cidade de Cra-cóvia, para o Congresso de Psicologia, Psiqui-atria e Neurologia, onde apresenta sua tese. Permanece na cidade e se filia à universidade local, onde organiza um laboratório de psico-logia. Segundo a “Biografia”, desenvolve dois trabalhos (“Psicologia dos sentimentos e da emoção” e “Elementos psicológicos em psica-nálise”) e organiza duas publicações (Psicolo-gia da associação das representações, de 1912, e Psicologia da Vontade, de 1914). Entretanto, em 1914 se inicia a Primeira Guer-ra Mundial, e a Polônia se encontra próxima ao estouro do conflito.

A “Biografia” (1953) cita inúmeras partici-pações de Radecki em diversos estágios do conflito e em diversas frentes: se desloca para Varsóvia, participa de comitês cidadãos, mi-nistra cursos em uma Universidade Livre Po-laca e ainda dirige uma seção de refugiados, sendo, neste ínterim, creditado por salvar 60 mil poloneses de serem exterminados pelas tropas russas. Cabe o contraste com o texto brasileiro: usando também da “Biografia”, sabe-se apenas que Radecki “...retomou suas atividades patrióticas lutando contra o exército russo de dominação e posteriormente contra o exército alemão” ( Centofanti, 2004 , p. 181).

Após publicar, em 1919, o volume Psico-logia do pensamento e, em 1920, Psicologia do exército, Radecki ainda se uniria mais uma vez ao exército de seu país para combater a invasão russa junto ao regimento de cavalaria, que seria resolvida após firmada a Paz de Riga 3 . A partir deste ponto, a “Biografia” (1953) menciona que Radecki teria realizado uma viagem de estudos pela Europa e, em 1923, “resolve transladar-se ao Brasil” (p. 7).

Centofanti (2004 ) segue com este aparente salto de três anos, onde menciona que, “por motivos ignorados” (p. 181), mudou-se para Curitiba, no Paraná, e menciona numa breve nota de rodapé que Radecki teria sido pressi-onado pelo meio na época, pois já estaria com sua segunda esposa, Halina Radecka, enquan-to ainda estavam vivas sua primeira esposa e a filha do primeiro casamento. Pode-se atestar parte dessa informação através da dedicatória encontrada na sua tese, Os fenômenos psicoe-létricos, onde consta “Para minha filha, Lila” (1911): Radecki teria deixado uma filha para trás, o que tornaria a hipótese de Centofanti mais embasada.

Porém, isso não explicaria os três anos sem atividade mencionada pela “Biografia” ou o texto de Centofanti. Até mesmo a lista de tra-balhos publicada ao fim da Hoja de Psicolo-gia (“Trabalhos de la Escuela”, 1953) onde se encontra a “Biografia” consta um hiato de publicações entre 1920 e 1923. O que parece explicar esse hiato teria sido o envolvimento de Radecki com um caso de acusação de abu-so e estupro (Kubiatowski, 1986).

Segundo o jornal polonês Národ (Sprawa prof. Waclawa Radeckiego, 1920), 23 de ju-nho, Radecki influenciou uma paciente atra-vés de métodos hipnóticos de modo a ganhar sua afeição, posteriormente tentando forçá-la a se prostituir e em seguida vende-la. A víti-ma, cuja identidade foi protegida, teria tentado suicídio devido ao sofrimento gerado pelo suposto abuso. É importante citar que o ocor-rido teria acontecido em Genebra, enquanto Radecki trabalhava como assistente de labora-tório. O jornal aponta que uma comissão es-pecial da Universidade Livre de Genebra o acusou formalmente após a corte local julgar os crimes. Apenas a acusação de influência por meios de hipnose foi provada, visto que a acusação de prostituição da vítima fui consi-derada sem provas e a de tentar vende-la con-siderada infundada.

O jornal termina por apontar que, como o crime já teria ocorrido antes e em outro país, a pena de oito anos de trabalho pesado (hard labour) não poderia ser facilmente aplicada, portanto clamando para que a notícia fosse replicada em outros jornais de modo a deter as ações de Radecki em solo polonês, já que sua prisão poderia ser, na prática, impossível de ser realizada Tal notícia é importante pois revela um motivo para Radecki emigrar da Europa para o Brasil, preenchendo os motivos ignorados de Centofanti com uma hipótese plausível: os três anos de hiato de produção provavelmente teriam sido de ostracismo e problemas legais, motivando a saída do país para outro continente de modo a livrar-se do estigma de abusador.

Da chegada no Brasil até o laboratório da Colônia

Ao chegar no Brasil, Radecki mudou-se para o Paraná, fixando residência em Curitiba. Centofanti (2004 ), alega que Halina tinha um irmão residindo no Paraná, daí a escolha do país e da cidade de residência. Segundo Elie-zer Schneider (1992), Radecki teria escolhido o Paraná para “travar contatos com parentes da coletividade polono-brasileira” 4 (p. 132). A partir deste momento, pode-se lançar mão de bibliografia e fontes primárias brasileiras.

É neste período que surgem menções ao nome de Radecki na mídia, sendo a mais anti-ga um pequeno texto no Commercio do Para-ná (“Artes e artistas”, 1923), 8 de maio. Tra-tava-se de um anúncio sobre um concerto, onde o “distinto musicista dr. Waclaw Ra-decki” executaria no violoncelo, com um quarteto de cordas, músicas de câmara e di-versas sonatas. Ainda naquele mês, faria outra apresentação no dia 28 (“Concerto de Cama-ra”, 1923) e uma conferência sobre psicologia na Universidade do Paraná no dia 23 (Confe-rência, 1923).

Encontramos indícios de uma viagem de Radecki para São Paulo, como consta no Cor-reio Paulistano ( Conti, 1923 , pp. 5-6), 30 de junho, onde realizou as conferências “Objetos e métodos da psicologia contemporânea, mé-todos psicanalíticos em psicologia e vida afe-tiva” entre os dias 21 e 30 de junho. Há nesse artigo um resumo das conferências de Ra-decki, tecido com elogios e mostrando duas declarações interessantes: uma de que preten-dia fundar um curso de psicologia teórica e aplicada e um laboratório de psicologia expe-rimental. O artigo do dia 30 traz uma reflexão das proposições de Radecki, descrevendo suas inspirações científicas e filosóficas, seus métodos de estudo e ainda narra uma demons-tração com o galvanômetro.

Houve outro translado de Radecki no mesmo ano, desta vez para o Rio de Janeiro. Foi por um breve período de julho, possivel-mente após a passagem por São Paulo, onde proferiu uma conferência sobre os fenômenos psicoelétricos na Academia Brasileira de Ci-ências, conforme o Correio da Manhã (“O Professor Radecki na Academia Brasileira de Sciencias”, 1923), 13 de julho. Esta conferên-cia teve a presença de Manoel Bomfim 5 , entre os convidados.

Esta informação é importante pois, de acordo com a literatura ( Centofanti, 2004 ; Penna, 2001 ), o contato destes dois só teria sido realizado em 1924, com Radecki encon-trando um livro de Bonfim e contatando-o por causa do volume (Centofanti e Penna diver-gem com relação ao volume encontrado). Os jornais, entretanto, mostram que já poderiam ter se conhecido. A importância de tal passa-gem reside no fato de que teria sido Bonfim o responsável por intermediar Radecki e a Co-lônia de Psicopatas do Engenho de Dentro. Já a “Biografia” (1953) alega que Radecki rece-beu um convite ministerial para trabalhar na colônia, convite este que provavelmente não aconteceu.

Logo após, Radecki já havia retornado a Curitiba, como mostra o artigo do Jornal O Dia (“Um notável professor de psychologia”, 1923), 23 de agosto, que anuncia seu curso de psicologia na Universidade do Paraná. Entre-tanto, não permaneceria lá por mais tempo: em 1924, anuncia-se no jornal O Dia, 24 de fevereiro, um concerto de despedida ao polo-nês, que está de mudança para o Rio de Janei-ro (“O Concerto do Professor Radecki”, 1924). Entre a viagem ao Rio de Janeiro em julho de 1923 e fevereiro de 1924 aconteceu o convite para trabalhar na colônia.

Para corroborar tal hipótese, há o anúncio do jornal Correio da Manhã, 30 de março (“Professor Radecki”, 1924), anunciando a chegada do polonês ao Rio de Janeiro, que “veio contratado pela Fundação Gafreé-Guinle para chefiar o laboratório de psicologia do serviço de Profilaxia Mental da Colônia de alienados do Engenho de Dentro”. É possível, portanto, que ele já tivesse uma indicação para trabalhar no laboratório já existente na colônia após voltar do Rio de Janeiro no ano anterior, iniciando o ano de 1924 como mem-bro do laboratório.

Já trabalhando na colônia, em novembro de 1924 Radecki é mencionado brevemente por participar do Congresso Brasileiro de Hygiene, em Belo Horizonte (“O Congresso Brasileiro de Hygyene de Bello Horizonte”, 1924). Em 1925, voltaria a aparecer divulgan-do cursos de psicologia: um pela Liga Brasilei-ra de Higiene Mental anunciado no jornal O Paiz de 26 de junho (“Curso de psychologia”, 1925), sendo referido como “psychologista da Liga”. Aqui cabe retificação: Centofanti (2004 ), em seu relato questiona uma de suas fontes, Henrique Roxo6, sobre a participação de Radecki na liga. Entretanto, os anúncios acima citados demonstram evidente ligação do polonês com a citada organização. Se não era parte da liga (como o artigo do dia 26 de ju-nho sugere), ao menos mantinha proximidade ou convivência com a Liga Brasileira de Higi-ene Mental.

Haveria ainda o anúncio de dois novos cursos em novembro, no jornal O Paiz de 1 de novembro (“Dois novos cursos de Psycholo-gia”, 1925) um teórico de psicologia geral e aberto ao público e um experimental, especí-fico para os que atenderam aos cursos anterio-res, a ser realizado no laboratório da colônia (e ambos, novamente, sob os cuidados da Liga Brasileira de Higiene Mental). Na turma inicial do curso experimental, é possível notar os nomes de Nilton Campos e Gustavo de Rezende entre os alunos. Campos seria um dos assistentes de Radecki no laboratório e futuramente ativo colaborador do polonês, de modo que Centofanti e Jacó-Vilela (2007, p. 181) indicaram o encontro dos dois no ano de 1925. Não apenas se encontraram como co-meçaram a trabalhar juntos: o exemplar do O Jornal de 18 de novembro do mesmo ano, em artigo sobre a inauguração dos novos consul-tórios da Liga, lista Radecki como diretor do consultório psicológico e Campos como seu assistente (“Onde vão funcionar os novos consultórios”, 1925).

Radecki também promoveu cursos no la-boratório, na Liga Brasileira de Higiene Men-tal, na Escola de Enfermeiras Alfredo Pinto, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, na Escola de Aplicação do Serviço de Saúde do Exército, e na Faculdade de Direito de Cu-ritiba ( Centofanti, 2004 ). Destes cursos, con-seguiu como colaboradores recorrentes: Nilton Campos, médico recém-formado; Arauld Bre-tas, Ubirajara da Rocha e Alberto Moore, mili-tares enviados pela diretoria de Aviação do Exército para assistir um curso de psicologia ministrado por Radecki no laboratório; Gusta-vo de Rezende, psiquiatra e médico da colô-nia; Lucília Tavares, professora municipal indicada pela Secretaria de Educação para se aperfeiçoar no laboratório; Euríalo Cannabra-va, advogado de Belo Horizonte; Edgar San-chez, professor de filosofia do direito em Sal-vador; e, por fim, Jaime Grabois. Todos estes nomes serão recorrentes nas atividades de Radecki até a conversão do laboratório da colônia em Instituto de Psicologia.

Antônio de Bulhões Pedreira, um dos mé-dicos colaboradores de Radecki, redigiria um extenso artigo de capa no jornal O Paiz, de 25 e 26 de janeiro de 1926, criticando, sobretu-do, o mau uso dos tests e da psicotécnica (Bu-lhões, 1926). Por fim, o primeiro volume pu-blicado em solo brasileiro foi em co-autoria com Gustavo de Rezende, médico da colônia, intitulado Introdução à Psicoterapia, no ano de 1926. Tal volume foi resenhado na edição do dia 29 de maio do O Paiz do mesmo ano, tecendo críticas favoráveis ao escrito (Impres-sões de leitura, 1926). Para o resto do ano de 1926, Radecki ainda anunciaria no O Paiz, em setembro, um curso de psicologia para ser ministrado na Faculdade de Medicina, cujo assistente era Nilton Campos (“Cursos e con-ferencias”, 1926).

O ano de 1927 é mais ocupado. Este é o ano que em Radecki realiza outra celebrada passagem de sua vida: a viagem para a Europa (Biografia, 1953; Campos, 1953 ; Centofanti, 2004 ;). Os jornais brasileiros corroboram esta viagem mencionando sua chegada ao Brasil (O Hoedic passou, hontem, pelo Rio, 1927), desembarcando na cidade pelo vapor Hoedic, conforme anunciado no O Imparcial, 23 de setembro. Após esta viagem, Radecki só vol-taria à Europa em 1951.

O ano de 1928 inicia com anúncios no O Paiz, 29 de abril sobre um curso de Psicologia na Faculdade de Medicina (“Cursos e confe-rencias”, 1928), e outro onde Radecki teria obrigações com a sociedade polaca carioca. Seu nome figura no anúncio da comemoração dos dez anos da independência da Polônia no O Paiz, 13 de novembro (“O Anniversário de Independencia da Polonia”, 1928). Nesta úl-tima é creditado como presidente da Socieda-de Polonia nesta capital. 1928 também foi o ano em que ministrou, na Escola de Aplicação de Saúde do Exército, cursos de psicologia. Que culminaram no Resumo dos cursos de Psychologia (Radecki, 1928), contendo 17 fascículos e sendo base para o futuro Tratado de psychologia.

Em 1929, Radecki iniciou o ano ajudando a fundar a Sociedade Polono-Brasileira no Rio de Janeiro. Esta é uma informação que pode ser encontrada tanto no jornal Correio da Manhã de 25 de julho (“A Fundação Solenne da Sociedade Polono-Brasileira”, 1929) quan-to no documento datilografado da fundação da Sociedade Polono-Brasileira, donde cita-se que “O Prof. Radecki, brasileiro de procedên-cia polonesa, salientou os valores ideais que cultivava sempre a nação polonesa e também imigrante deste país” (Legação polonesa no Brasil, 1929).

O ano de 1930 foi um ano marcado espe-cialmente pelas publicações de seus colabora-dores diretos: Exame psicológico da criança, de sua esposa Halina Radecka (1930); Psico-logia do pensamento, de Lucília Tavares (1930); Psicologia das sensações, de Arauld Bretas (1930) e Psicologia da vida afetiva, de Nilton Campos (1930). Como mencionado, todos estes advindos de cursos que Radecki ministrou. Para detalhes sobre estas publica-ções, ver Centofanti (2004 ).

O Instituto de Psicologia da Colônia de Psi-copatas do Engenho de Dentro

O Instituto de Psicologia que Radecki diri-giu, surgido a partir da conversão do antigo Laboratório de Psicologia (Diário Oficial da União, 1932a), foi fruto de uma articulação com seus colaboradores, como narra Cento-fanti (2004). Entre o Decreto-Lei que permitiu legalmente a existência do Instituto de Psico-logia, em 19 de março de 1932, e sua inaugu-ração, tivemos a decorrência de cerca de dois meses, como indica o Correio da Manhã de 12 de maio. O artigo narra que: “Inaugurou-se, ontem, o Instituto de Psicologia, que será um dos ramos da nossa futura Faculdade de Educação, Ciências e Letras” (“Levantando as cortinas da Sciencia Experimental da Alma”, 1932). A manchete descreve o Instituto em detalhes, e narra a presença de autoridades e políticos, os quais prestigiaram o discurso de inauguração de Radecki.

Tendo curta vida e duração, sobra muito pouco para dizer sobre o instituto. A manche-te do Correio o narra com salas decoradas por Radecki, “de uma sobriedade elegante que agrada logo à primeira vista”. Os aparelhos contrastavam com as paredes, “cuja pintura, em tons verde e prateado, dá ao ambiente uma sensação de placidez, tão propícia aos que ali irão dedicar-se no cultivo da ciência experi-mental da alma” (“Levantando as cortinas da sciencia experimental da alma”, 1932). As diversas salas eram nomeadas de acordo com patronos das áreas a que serviam: a Sala Ja-mes para psicologia geral; a Sala Wundt para psicologia aplicada à medicina; a Sala Stern para psicologia diferencial; a Sala Afrânio Peixoto para psicologia aplicada ao direito; e a Sala Manoel Bonfim para psicologia aplicada à pedagogia. Para detalhes dos projetos ideali-zados de Radecki para o Instituto, ver Cento-fanti (2004) e Centofanti e Jacó-Vilela (2007).

Sabemos que o Decreto-Lei nº 21.999 de 24 de outubro (Diário Oficial da União, 1932b) levou ao fechamento do Instituto, e que, de-pois desses eventos, Radecki deixaria o Brasil para viver no Uruguai. Entretanto, certas in-formações oferecem outras versões dos acon-tecimentos. A “Biografia” (1953) menciona que Radecki deixou para trás “o mais perfeito e até luxuoso Instituto de Psicologia” (p. 8), onde teria viajado para o Uruguai a um convi-te do Governo local em 1933, como também mencionado por Cambiaggio (1977 ). Com o abrupto fechamento, é possível que Radecki tenha ficado ressentido de não conseguir levar adiante seus projetos, o que o teria levado a abandonar o Brasil; entretanto, a pesquisa não encontrou indícios deste convite fora dos co-mentadores.

Em 1933, o jornal Diário Carioca do dia 12 de fevereiro (“Faculdade de Philosofia”, 1933) menciona Radecki como parte da Con-gregação da Faculdade de Filosofia, com sede nova na Rua da Carioca, nº 41, 3º andar. En-tretanto, consta no Diário Oficial da União do dia 27 de maio (1933), que este fora exonera-do por abandono do emprego do cargo que exercia na colônia. No dia 28 de novembro, O Jornal publicaria extenso artigo de Euríalo Cannabrava (1933 ). Este, numa tentativa de defender Radecki, estabeleceu que o polonês sofreu com más interpretações: “A sua fran-queza, as suas rudes maneiras e o seu despre-zo, que sempre afetou pelos pequenos bur-gueses da cultura, trouxeram-lhe a infatigável animosidade dos que consideravam ilegítimos os seus processos de atuação sobre o meio e os nossos homens” ( Cannabrava, 1933 ). Esta passagem, assim como o texto, nos serve para atestar que o polonês não transladou para o Uruguai num processo pacífico, mas sim tu-multuado e com algumas tensões com a inte-lectualidade carioca, tendo, nas palavras de Euríalo, sido alguém que mordeu o pó da der-rota e provocou contra si tantas opiniões autorizadas.

Uruguai e Argentina

Aqui, seguimos também com Pérez Gam-bini (1999), que informa que Radecki teria sido contratado pela Universidad de la Repú-blica, posteriormente nomeado como profes-sor ad honorem da Faculdade de Medicina. Ainda segundo Pérez Gambini, Radecki teria também se filiado a um Laboratório de Psico-logia da Aeronáutica, onde ajudou na organi-zação e se utilizou para ministrar seus cursos e demais desenvolvimentos de atividades. Um relato posterior, de 1950, informa que, com o auxílio de Radecki, “foi completada a confec-ção de aparatos” (Radecki, 1950, p. 418).

De 1933 até 1945, Radecki empreenderia em várias frentes: publicaria o Psicopatología funcional (1935) com Camilo Payssé e o Ma-nual de psiquiatria com René Arditi Rocha em Buenos Aires a 1937. Publicaria ainda uma reedição de seu “Test de inteligencia para adultos” (que teria desenvolvido na Colônia de Psicopatas), na Revista de Psiquiatria do Uruguai no nº 29-30 de 1940 e, em 1941, na mesma revista, o trabalho “La continuidad de la vida intelectual”, no nº 31, comunicação que levou para o Congresso Mundial de Psico-logia de Copenhague de 1932, representando a colônia. Por fim, reedita o seu Tratado de psicología (1933), traduzido por Camilo Payssé e Victor Delfino, e cuja versão em espanhol conta com uma seção especial, inti-tulada “Posição da psicologia no sistema das ciências”. Tal acréscimo faz esta versão ser a mais completa, sendo a versão publicada em solo brasileiro idêntica ao já citado Resumo dos cursos de psychologia, de 1928. A lista de trabalhos de Radecki publicada na Hoja de Psicología n°12 (1953) cita estes e outros, e denuncia uma diminuição nas publicações de autorais Radecki ao longo do tempo.

Com o deflagrar da Segunda Guerra Mun-dial em 1939, Radecki se articula com a co-munidade polonesa local e atua politicamente em prol de seu país. Pérez Gambini (1991) cita a participação de Radecki na Universida-de Central Americana, criada no decorrer da Guerra para oferecer cátedras a professores estrangeiros exilados, onde ocupou a cátedra Polônia. A “Biografia” (1953) narra parte des-ta atividade política e, ainda na Hoja de Psico-logia nº 12 ( Sociedad Polaca Aguiluchos Blancos, 1953 ), uma homenagem da Comuni-dade Polaca do Uruguai à Radecki, que seria “um vigia constante, disposto a ajudar e am-parar sempre a todos seus compatriotas” (p. 43).

Centro de Estudos Psicológicos de Montevideo

A 29 de Janeiro de 1945, com Radecki como fundador, 37 pessoas assinam e “se reconhecem como discípulos da Escola Psico-lógica do ‘Discriminacionismo Afetivo’, fun-dada pelo criador deste sistema, Prof. Dr.Waclaw Radecki” (Centro de Estudios Psi-cológicos, 1948, p. 4). Estaria fundado o Cen-tro de Estudios Psicológicos de Montevideo.

O Centro compreendia um curso de psico-logia geral contendo 80 classes (Centro de Estudios Psicológicos, s.d.), e introduzia os alunos aos métodos da psicologia, bem como psicologia da vida intelectual, vida afetiva e vida ativa, os três pilares do Tratado de psico-logia. No entanto, este curso compreende apenas dois dos primeiros anos do curso completo, pois a ata de fundação revela que o curso, em sua totalidade, teria quatro anos. Nos dois últimos, se ministraria psicologia social, psicopedagogia, psicologia jurídica, psicologia médica e psicologia social aplicada. O centro também oferecia o serviço de con-sultório psicagógico. Segundo a ata, um labo-ratório estaria também em formação, anexo ao consultório, que era chefiado por Radecki.

O centro foi responsável por dois grandes empreendimentos: as Hoja de Psicologia, publicação interna do grupo, e a organização do I Congresso Latinoamericano de Psicolo-gia. Com relação às Hoja, tinham o formato de um boletim, normalmente cobrindo o perí-odo de seis meses de produção do centro de estudos. Tal publicação se iniciou no segundo semestre de 1947, e terminou com a última Hoja sendo publicada no segundo semestre de 1953, findando a publicação com o faleci-mento de Radecki.

Havia também um segundo centro de estu-dos, localizado em Buenos Aires, e funcio-nando em paralelo ao de Montevideo. Segun-do Delmira Cambiaggio, após uma reforma educacional na Argentina em 1936, profissio-nais e professores que assistiram a um curso de psicologia da criança de Radecki tiveram de buscar aperfeiçoamento e demais comple-mentos às suas formações, e formaram uma comissão que redundaria na criação do Centro de Estudos Psicopedagógicos, posteriormente renomeado Centro de Estudos Psicológicos de Buenos Aires. Halina teria seguido na direção deste centro; tal centro teve auxílio e supervi-são de Radecki e contando com um laborató-rio próprio (Centro de Estudios Psicológicos de Montevideo, 1947).

As Hoja de Psicologia seguem publicando os estudos, comunicações e atividades dos centros, mas, em 1948, surge a chamada para o Congresso Latinoamericano de Psicologia, que seria realizado em 1950 (I Congreso Lati-noamericano de Psicología, 1948, p. 3). Todas as Hoja subsequentes conterão uma chamada para o Congresso e para trabalhos, descreven-do as articulações que Radecki realizou para culminar no evento. Havia ainda o indicativo de criação de uma comissão permanente, vi-sando a organização dos futuros congressos latinoamericanos (Comisión Permanente de Congresos Latinoamericanos, 1948/1949). Este tema seria trazido novamente na edição posterior (Comisión Permanente de Psicólogos Latinoamericanos, 1949) e na última Hoja de Psicologia (I Congreso Latinoamericano de Psicología, 1950a), antes do congresso.

A Hoja de Psicologia nº 7 (I Congreso La-tinoamericano de Psicología, 1950b) é inteira dedicada ao I Congresso Latinoamericano de Psicologia, que foi realizado entre os dias 20 e 27 de julho na cidade de Montevideo. Teve o protetorado do vice-presidente do Uruguai, César Mayo Gutiérrez, tendo sido inaugurado no Palácio Legislativo do Senado, em seguida decorrido no Salão de Atos do Ministério de Saúde Pública. Teve 120 inscritos, dentre membros ativos, colaboradores, sócios e cor-respondentes, com delegações da Argentina, Brasil, Colômbia, Peru, México, Chile e Equador (I Congresso Latinoamericano de Psicología, 1950). O livro do congresso con-tou com 33 comunicações impressas e mais de 400 páginas.

O Congresso ainda rendeu frutos a Ra-decki: conseguiu apoio local para uma futura conversão do seu Centro de Estudos Psicoló-gicos de Montevideo em uma Faculdade Livre de Psicologia (Hoja de Psicologia nº 7, 1950). No mesmo volume, consta ainda que o Centro de Estudos Psicológicos de Buenos Aires, por resolução da Assembleia Geral de seus mem-bros, foi convertido em Instituto de Psicolo-gia.

A partir de 1951, já não veremos mais pu-blicações de Radecki. O último trabalho que viria a publicar foi no Congresso Latinoameri-cano, intitulado Estudo Criteriológico da Au-todefesa no Psíquico (I Congresso Latinoame-ricano de Psicologia, 1950). Faria ainda uma última viagem para a Europa para o XIII Con-gresso Mundial de Psicologia de Estocolmo (XIII Congreso Internacional de Psicología, 1951). Tal relato descreve uma multiplicidade de assuntos e aplicações, cuja opinião de Ra-decki soa negativa. Para ele, tal multiplicidade acaba “...revelando uma grande divergência de critérios seguidos individualmente pelos psicólogos e uma acentuada despreocupação com uma sistematização metodológica” (p. 6).

Aqui é que surge algo incerto: Centofanti já havia sinalizado que Radecki teria deixado uma filha na Polônia (2004), e atestamos tal informação ao examinar a dedicatória de sua tese, Os fenômenos psicoelétricos (“À minha filha, Lila”, 1911). Na Hoja de Psicologia nº 12, surge um texto em memória a Radecki escrito por Ladislao Mazurkiewicz, apontado como ex-ministro da Polônia. Ladislao exalta a atividade política de Radecki, mas conta em tom solene que, “ciente de aproximar-se o fim de sua peregrinação pelo mundo”, o polonês viaja para seu país de origem. Lá, ao ficar por três semanas, se despede de sua pátria lamen-tando as invasões russas anteriores. Ladislao conta que Radecki retornou mais enfermo, mas “também afetado pelo fato de não ter podido encontrar sua filha desaparecida du-rante a guerra” (1953, p. 54-55). A identidade de tal filha é um mistério, assim como a rela-ção de Radecki com ela. É possível, portanto, que tal viagem à Polônia tenha ocorrido na ocasião do Congresso Mundial de Psicologia, pois sabemos que, após 1951, Radecki volta-ria a Montevideo e lá faleceria dois anos de-pois.

A penúltima Hoja de Psicologia, nº 10-11 (1952) já não apresenta tanto fôlego como as anteriores. No fim deste volume aparece o aviso: durante a impressão da penúltima Hoja de Psicologia, houve a notícia de seu faleci-mento a 25 de março de 1953, o que redireci-onou o volume final, nº 12, em sua homena-gem. A “Biografia”, aqui já amplamente dis-cutida, assim como comentários e demais ho-menagens, seja da Sociedade Polaca do Uru-guai, do ex-ministro polonês, o Necrológio de Nilton Campos para Radecki (publicado no Brasil nos Boletins do Instituto de Psicologia no mesmo ano), uma memória de Delmira Cambiaggio, dentre outros. Chama a atenção o discurso de Maria Esther Domingues, repro-duzido na Hoja de Psicologia e originalmente publicado no nº 104 da Revista de Psiquiatria do Uruguai (1953), onde se lamenta a perda de um grande professor e psicólogo. Sobretu-do, salta aos olhos a ausência, dentre inúme-ras e emocionadas homenagens, de uma fala ou comentário partindo de sua esposa, Halina Radecka.

Discussão e conclusões

Foi apresentada aqui a trajetória de vida de Waclaw Radecki, com o máximo de detalhes e descrições possíveis através da pesquisa realizada. Como o leitor pode observar, um grande número de fontes foi arregimentado para dar conta desta proposta de narrativa. Entretanto, de antemão adianta-se que sobram ainda pontos obscuros ou incertos na vida de Radecki, e este artigo não visa esgotar as fon-tes ou discussões sobre este tema. Seguem então alguns pontos de discussão em aberto e algumas conclusões possíveis.

O primeiro e talvez mais importante ponto é saber a causa da sua morte, não especificada nos textos consultados, apesar de ser mencio-nado um estado enfermo de saúde. Outro ponto a ser levantado que demanda ainda pesquisa e investigação posterior é a situação de Halina Radecka, sua esposa. Sabe-se que estava em Buenos Aires, coordenando o Cen-tro de Estudos Psicológicos convertido em Instituto de Psicologia, e sabemos também que publicou, em 1960, um livro intitulado Psico-logia social, bem como coordenou reedições do Tratado de psicologia e do Manual de psiquiatria na mesma época.

Entretanto, pouco se sabe sobre seu para-deiro: tanto a biografia polonesa de Jerzy Ku-biatowski (1986) como o texto de Rogério Centofanti (2004 ) não dão informações espe-cíficas, sendo este último apenas mencionan-do que Radecka teria falecido na década de 1980 na Argentina.

A importância do paradeiro de Halina está ligada ainda ao legado que Radecki deixou no Uruguai. Sabe-se que existiu, por muitos anos após sua morte, um círculo de interessados em sua obra. Halina publicou um volume de sua autoria, intitulado Psicologia social em 1960, além de reeditar o Tratado de psicologia em 1963, ambos no contexto deste grupo de inte-ressados, intitulado Círculo de discípulos y amigos de Radecki. Publicação mais recente ligada a este grupo é o breve artigo de Delmira Cambiaggio, intitulado “Vida y obra de Waclaw Radecki” (1977). Conclui-se, portan-to, que é possível que, na Argentina, a presen-ça de Radecki tenha tido um impacto mais longo que no Brasil e no Uruguai, como de-monstra a existência do círculo até quase a década de 1980.

Por fim, encerrando o artigo, fica a pergun-ta, após extensa descrição de eventos, feitos, publicações e história sobre Radecki: qual é o significado de sua obra? Qual é o impacto deste personagem para a psicologia, seja na Polônia, Brasil, Uruguai ou Argentina? Este texto se dispõe a auxiliar os historiadores inte-ressados nesta questão, se colocando como nova fonte básica sobre Radecki.

Apreciação

Esta pesquisa foi realizada com o apoio do convênio CAPES/Universidad de la Republica do Uruguai, sendo financiado pelas Coor-denação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), nos meses de julho, agosto e setembro de 2015, na modalidade mestrado-sanduíche. Todo o material relativo ao Uruguai e Argentina foi levantado com o apoio da Facultad de Psicología, por in-termédio do Instituto Fundamentos y Métodos em Psicología da Universidad de la República do Uruguai. Agradeço aos professores, colegas e bibliotecários que prestaram auxílio, em especial ao professor Jorge Chavez como meu orientador estrangeiro. Um agrade-cimento especial ao meu colega Hugo Rosa pelo apoio e sugestões de fontes de pesquisa e a todo o grupo de pesquisa de Estudos Históricos da Psicologia. Agradeço também ao meu programa de pós-graduação, o HCTE/UFRJ.

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1O contato foi realizado pelo estimado colega Hugo Rosadurante semanas a fio, que gentilmente me cedeu o arquivo desta fonte específica para juntos traduzirmos no Brasil, me autorizando o uso deste no artigo. Fica reforçado aqui o agradecimento a este estimado colega e pesquisador.

2A “Biografia” (1953) menciona Radecki no último ano do ensino básico de colégio em 1905, “ano da revolução”, onde participa de atividades políticas, viaja para a França e volta para ser expulso em seguida. (p.3). Na página seguinte (p.4), menciona a inscrição na Universidade Jagiellona de Cracóvia como ouvinte e o seu “primeiro trabalho” aos 16 anos. Tendo nascido em 1887 e sido expulso no último ano de colégio em 1905, já tinha no mínimo 18 anos de idade, e não apenas 16.

3Trata-se de um tratado que firmou as fronteiras entre a União Soviética e a Polônia que seria quebrado durante os eventos da Segunda Guerra Mundial.

4Eliezer Schneider (1916-1998) foi professor do Instituto de Psicologia da Universidade do Brasil e, posteriormente, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi contemporâneo de Jayme Grabois e Nilton Campos, ambos alunos de Radecki na Colônia de Psicopatas.

5Manoel Bomfim (1868-1932) foi um importante médico e intelectual brasileiro, conhecido por trabalhos na área da pedagogia e por pensar questões relativas ao povo brasileiro e seu desenvolvimento.

6Henrique Roxo (1877-1969) foi um importante médico psiquiatra brasileiro do início do século XX.

Recebido: 01 de Setembro de 2017; Aceito: 29 de Agosto de 2018

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