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EURE (Santiago)

versión impresa ISSN 0250-7161

EURE (Santiago) v.28 n.83 Santiago mayo 2002

http://dx.doi.org/10.4067/S0250-71612002008300003 

História urbana: uma revisão da literatura
epistemológica em inglês

Luís Octávio da Silva1

Abstract

The aim of this article is to highlight and analyse the main events, markers and cases in point and discussions concerning the emergence of urban history as a specific field of knowledge. Our focus will be on the events of international impact. This article is mainly based on British and American literature due to the innovative role played by these two countries in the development of historical analysis concerning the city, as well as the diffusion potential given by the language on which these contributions were made. In this work our interest will be more on the marks and references concerning the constitution of this knowledge field rather than the historiographic production itself.

Key Words: Urban History, City History, Urbanism History, Epistemology of Urban History.

Resumo

O texto é uma revisão de literatura. Aponta e analisa os principais eventos, marcos e discussões que têm pautado a emergência da história urbana como uma área de conhecimento específica. Cobre inclusive os anos ‘90. Este artigo tem como base principalmente a literatura britânica e americana. Isso se deve em função do papel de vanguarda que esses dois países desempenharam no desenvolvimento das análises históricas sobre a cidade, mas também pelo potencial de difusão internacional dado pela própria língua em que essas contribuições foram feitas. O nosso interesse, no âmbito deste trabalho, está muito mais nos marcos e referências ligados à constituição desse campo de conhecimento do que na produção historiográfica propriamente dita.

Palavras-chave: História Urbana, Cidade-História, Urbanismo-História, Epistemologia da História Urbana.

1. Introdução

O objetivo deste trabalho é proceder a uma revisão da literatura, historiografando e analisando os principais eventos, marcos e discussões que têm pautado a emergência da história urbana como uma área de conhecimento específica, no mundo ocidental. O período coberto é o da segunda metade do século XX, diferenciando e contrapondo especificamente as tendências que marcaram os anos ‘60, ‘80 e ‘90 desse século. Fundamentalmente centrado nas ocorrências e obras de cunho mais epistemológico e de repercussão internacional, este artigo tem como base principalmente a literatura em inglês, notadamente britânica e americana, sem entretanto desconsiderar alguns marcos provenientes de outras geografias lingüísticas. Isso se deve em função de uma escolha de objeto de interesse, ela própria condicionada pela existência de uma rica literatura, fruto do papel de vanguarda que esses dois países desempenharam no desenvolvimento das análises históricas sobre a cidade. O outro elemento central que condicionou a escolha desse universo deve-se ao potencial de difusão proporcionado pelo inglês. Nesse campo de conhecimento, as discussões e debates da literatura em inglês acabam por balizar a pauta no resto do universo ocidental. O nosso interesse, no âmbito deste trabalho, está muito mais nos marcos e referências ligados à constituição desse campo de conhecimento do que na produção historiográfica propriamente dita. Obviamente, essa opção de recorte implica a não cobertura de contribuições importantíssimas e muito relevantes, mas que por não terem sido difundidas em inglês, escapam ao universo lingüístico que esta revisão de literatura se propõe cobrir.

2. História urbana, essa indefinida

A primeira dificuldade na identificação da emergência desse campo de conhecimento advém da falta de uma definição clara do que o que se poderia chamar de história urbana. Desde há muito a história de cidades se confunde com a própria história das civilizações e do território (história local, história dos países e das regiões). Gênero consagrado, as biografias urbanas, até as primeiras décadas do século XX, eram fundamentalmente obra de não-especialistas em história, de caráter enaltecedor de uma determinada localidade, em forma narrativa convencional, dando destaque à apresentação cronológica de fatos notáveis, personagens ilustres, sem generalizações nem abordagem de processos mais vastos. A história do urbanismo assim como a da organização física dos sítios urbanos, por sua vez, é principalmente obra de arquitetos e/ou urbanistas, nem sempre historiadores de formação. Essa produção esteve, por muito tempo, inserida no âmbito da história da arte e/ou da arquitetura com pouca ou nenhuma ênfase em aspectos econômicos, sociais ou políticos, basicamente referenciados à dimensão estética e formal, mais no âmbito da história da produção cultural. A essas modalidades somaram-se as contribuições dos historiadores propriamente ditos com interesse no urbano. François Bédarida (1968:54), por exemplo, referindo-se ao universo francês, aponta o fato de que, desde 1929, a publicação periódica Annales d’Histoire Economique et Sociale teria desempenhado um papel central no "despertar do interesse pelo urbano entre historiadores". Bruce M. Stave (1983:409), por sua vez, afirma que no caso americano, o interesse dos historiadores pelo urbano pode ser detectado desde o final do século XIX com as análises sobre o fenômeno imigratório e a partir dos anos 1920 quando essa nação se tornava majoritariamente urbana. Um papel de destaque na aproximação dos historiadores à temática urbana, no caso americano, ainda segundo Stave (409), caberia a Arthur M. Schlesinger quando, a partir de 1932 ele passou a dirigir a American Historical Association Commitee. Isso sem mencionar historiadores de considerável reputação como Fernand Braudel (1973) e Henri Pirenne (1956), em cujas obras as cidades ou o fator urbano desempenham um papel central.

Uma outra fonte de interesse pelo urbano provém das perspectivas historiográficas oriundas de outros campos disciplinares. Especialmente profícuas nesse sentido foram as abordagens provenientes da geografia, mas também da demografia. Dessa diversidade de perspectivas emergiram contribuições relevantes, eventualmente com abordagens temáticas, como é o caso da história da urbanização ou abordagens nas quais o urbano aparece como elemento de interpretação histórica, por exemplo, o papel das cidades no desenvolvimento do capitalismo. Essa produção historiográfica de caráter bastante heterogêneo apresenta poucas referências teóricas em comum, não havendo identificação alguma em relação a um campo intitulado "história urbana". A Suécia constitui, em relação à utilização do termo "história urbana", um caso particular. Nesse país, existe, desde o princípio do século XX, uma expressiva tradição em história urbana, baseada na história local inclusive com a constituição, em 1919 do Instituto de História Urbana (Lars,1996:381).

Só em meados do século XX é que começam as primeiras articulações no sentido da constituição de uma área de conhecimento específico que seria a história urbana. Como era de se esperar, essas articulações se originaram nos países com maior acúmulo dessa produção historiográfica: Grã-Bretanha e EUA. Os estudos sobre o processo de desenvolvimento/industrialização/urbanização ocupavam boa parte das preocupações dos pesquisadores em ciências sociais. Essa maneira de abordar o urbano era significativamente diferente dos trabalhos em biografias urbanas e história do urbanismo até então hegemônicos. A década de 1960 foi especialmente profícua a esse respeito. Além de vários trabalhos de peso sobre a história do processo de urbanização (por exemplo, Hauser e Schnore,1965) algumas outras obras e eventos marcam o surgimento de determinados grupos de pesquisadores que passam a se auto-intitular historiadores urbanos. O Joint Center for Urban Studies do M.I.T. e Universidade de Harvard (EUA) organizaram uma conferência que resultou na publicação, em 1963, de The Historian and the City (tendo Oscar Handlin e John Burchard como editores). A importância dessa publicação, para o assunto em questão, foi a reunião, não de estudos de caso, mas sim de reflexões sobre a perspectiva histórica e o urbano.

3. O grupo de Leicester

Na verdade o principal marco da constituição da história urbana como campo de conhecimento autônomo foi a constituição do Grupo de História Urbana, no âmbito da Universidade de Leicester (Inglaterra), liderado por H. J. Dyos. Em 1963, esse grupo inicia a publicação periódica de Urban History Newsletter, um boletim bibliográfico. Em 1966 acontece o "International Round-table Conference" e subseqüente publicação, em 1968, de The Study of Urban History. Essa obra constitui a principal referência na constituição desse campo de conhecimento. Não apenas pelo conteúdo das formulações apresentadas, mas também pela continuidade do trabalho desse grupo, em especial no que diz respeito à publicação periódica sob sua responsabilidade, e a difusão de uma certa visão de história urbana. Em 1974, Urban History Newsletter, mantendo a forma de boletim bibliográfico se transforma numa publicação de maior fôlego, o Urban History Yearbook. Em 1992 o yearbook se transforma no Journal Urban History. Não confundir com o Journal of Urban History, publicado nos EUA, comentado mais adiante.

4. As questões centrais

São três as questões principais em torno das quais giram o que se poderia chamar de reflexões fundadoras:

a. o balanço, categorização e análise da produção historiográfica já existente;

b. a procura de uma definição do que seria a história urbana, em especial no que diz respeito à sua relação com o resto das ciências sociais; e

c. a definição de um programa/agenda de pesquisa.

No que diz respeito ao primeiro aspecto (mas também ligado ao segundo), pode-se afirmar a explicitação de uma insatisfação e procura de diferenciação em relação à tradição biografista de gênero antiquarista (enaltecedora do passado). Esse poderia ser apontado como o principal ponto em comum. Mas a produção biografista então existente já não se resumia a esse antigo gênero antiquarista. Já havia a produção de história de cidades aplicando abordagens mais compreensivas. O balanço da produção existente dá conta dessa transformação, mas a contrapõe aos estudos de caráter temático mais geral. O artigo "Agenda for Urban Historians", de autoria de H. J. Dyos, que faz a abertura de The Study of Urban History (1968), é bastante revelador de uma determinada visão, não só da produção existente, como de uma agenda de continuidade. Nesse artigo, Dyos identifica duas abordagens possíveis: uma particularista e outra generalista. A primeira delas seria mais identificada com os estudos de casos específicos, a história de cidades. A segunda, como o próprio nome diz, teria como objeto processos mais gerais, organizados em torno de temáticas, como o processo de urbanização, o desenvolvimento econômico, a industrialização, e o desenvolvimento tecnológico. Existe, por um lado, uma concepção de que a história urbana deveria se organizar mais em torno dessas temáticas generalistas. Por outro, existe o discurso de que só a análise de casos específicos permitiria o estabelecimento dos nexos causais entre os diferentes aspectos concernentes ao processo de urbanização. Oscar Handlin (1963:26), o expoente maior dessa posição, chega a afirmar que "precisamos de menos estudos sobre a cidade na história do que de história de cidades".

No tocante à constituição de um programa de pesquisa, mas também diretamente em conexão com a definição do que deveria ser a história urbana, dois pontos emergem, de forma que se pode considerar consensual: a necessidade de enriquecimentos transdisciplinares e a premência de estudos comparativos. Quanto às contribuições transdisciplinares, elas faziam parte de uma tendência maior na evolução da ciência histórica. Bruce Stave (1983:409) menciona que, já em 1890, Albert Bushnell Hart pregava a idéia de uma "nova história" com uma abordagem pluridisciplinar. Essa nova abordagem da disciplina histórica teve grande difusão a partir do que se convencionou chamar de "escola dos Annales" em referência à produção do grupo de historiadores ligados à publicação dos Annales d’Histoire Economique et Sociale. Ela apresentava como base dois posicionamentos principais: a idéia de que a "história se enriquece em temáticas e em métodos provenientes das disciplinas irmãs; até mesmo pelo desaparecimento provisório dos limites disciplinares; e que ela (a história), continua a ser um saber global, ecumênico, reunindo as condições de inteligibilidade máxima dos fenômenos sociais" (Furet, 1982:9; apud Lepetit, 1996:19). É nesse contexto evolutivo da disciplina histórica que surge o espaço para a articulação de constituição da história urbana, à semelhança do que já havia acontecido, por exemplo, com a história econômica, constituída após a primeira guerra mundial e consolidada a partir da segunda guerra (Fraser e Sutcliffe, 1983c:XI). Christopher Tunnard (1963), por outro lado, vê a necessidade de uma história urbana exatamente em decorrência de uma negligência dos historiadores (salvo exceções) em relação ao papel da cidade.

Se, por um lado, a necessidade de transdisciplinaridade foi uma questão consensual, o mesmo não pode ser dito em relação à inserção da história urbana em relação ao conjunto da ciência histórica. Duas posições antagônicas se delinearam. De um lado, aqueles que viam na história urbana um campo de conhecimento específico e diferenciado do resto da produção historiográfica. A tomada em conta dos processos ligados ao fenômeno urbano complementaria e forneceria elementos explicativos a dimensões não cobertas pelo conjunto da história social. O adjetivo "urbano" não se aplicaria de uma maneira simplista ao objeto cidade. "Urbano" aplicar-se-ia a uma determinada dimensão da história não explicável nos outros quadros de referência, analogamente à história econômica ou à história cultural (Hershberg,1978). Ainda que não formalmente pertencentes ao grupo de historiadores urbanos, Henri Pirenne e Fernand Braudel encarnavam e exemplificavam uma certa visão que privilegiaria uma dimensão urbana como elemento de explicação do desenvolvimento histórico. Essa posição ficou rotulada como a visão "cidade enquanto processo". Esse rótulo de "processo" advém principalmente da contraposição à antiga abordagem das biografias urbanas, que justamente não levavam em conta processos mais gerais. Segundo algumas interpretações, que à primeira vista não me parecem totalmente justificadas, Jim Dyos ocuparia inclusive uma posição extrema dentro desse "paradigma". Para ele, a perspectiva da história urbana consistiria uma estratégia operacional para uma "história total", um ponto de convergência das contribuições transdisciplinares para a interpretação histórica (Burke, 1981:55-57; apud Sutcliffe, 1984:124). Ainda, referindo-se à concepção de história urbana de Dyos, Fraser e Sutcliffe (1983b:IX) afirmam que "... na sua concepção a história urbana seria um grande fórum das ciências históricas, um ‘um lugar central’ para o qual convergiriam uma inusual variedade de disciplinas, interesses e tendências". Esta seria a criticada e radicalizada abordagem Urban History. Durante os anos 1970, Dyos y Reeder, por exemplo, sustentam a existência de uma ligação intrínseca entre a "economia da produção habitacional urbana e o sucesso comercial britânico" (Sutcliffe, 1983:234), isto é, todo o setor econômico de exploração dos slums organicamente inserido na economia de baixos salários.

Num lado oposto à perspectiva "cidade enquanto processo" alinham-se historiadores e outros cientistas sociais que se interessam pelo urbano apenas como local onde os embates e transformações sociais acontecem. Alguns deles, durante algum tempo, paradoxalmente se intitulavam, eles também, historiadores urbanos. Nessa perspectiva, entretanto, não existiria uma história urbana como um domínio específico. Os fenômenos por ela tratados seriam apenas incidentalmente urbanos. Essa visão recebeu o rótulo de perspectiva "urbano enquanto sítio", em inglês, urban as a site. Na verdade, esse debate transcende e é anterior à constituição dos grupos de auto-intitulados historiadores urbanos. A divergência possui raízes bem mais profundas e antigas. Esse embate de posições vem acontecendo de maneira declarada, no âmbito da historiografia americana desde, pelo menos, o início dos anos 1940. Uma pequena digressão é necessária para o entendimento da evolução das posições. Existia uma corrente da historiografia americana, da qual Frederick Jackson Turner foi um porta-voz, para a qual a chave de compreensão da história desse país não estaria na evolução das colônias atlânticas, mas sim através do viés da expansão em direção ao oeste. Com a evolução do processo de urbanização, em 1925, Turner, numa carta, menciona que teria chegado o momento de uma "reinterpretação urbana da história" (Diamond, 1992:572). Essa incitação foi posta em prática por Arthur Schlesinger nas entrelinhas do seu livro The Rise of the City 1878-1898 e pouco tempo mais tarde como argumento central do artigo "The City in American History". Pois é exatamente contra esse argumento que, em 1941, William Diamond publica o artigo: "On the dangers of an urban interpretation of history, historiography and urbanization". Diamond aponta a falta de uma definição clara do que seria a cidade, e a inconsistência da sua utilização como elemento causal na interpretação do desenvolvimento histórico. As classes sociais teriam um potencial explicativo muito maior do que as condições de citadino/ou não em relação, por exemplo, às posições políticas ou ao comportamento demográfico (natalidade, mortalidade, etc.). Essa discussão sobre a cidade (e/ou o urbano) como variável independente ou variável dependente é retomada, nos mesmos termos, pelas visões "cidade como processo" versus "urbano enquanto sítio". Dada a importância desse debate na configuração e delimitação do campo de conhecimento da história urbana, ele merece, no âmbito deste trabalho, um detalhamento um pouco maior. Vejamos, então, alguns dos principais protagonistas e seus argumentos.

Um nome de primeira grandeza da crítica à história urbana é o de Philip Abrams, pensador de orientação weberiana que, no artigo "Towns and economic growth: some Theories and Problems" (1978), aborda como objeto central essa discussão. Para ele, existiria um equívoco bastante freqüente, principalmente no âmbito da história urbana, mas também ocorrente na sociologia urbana, aliás ambas verdadeiros "cemitérios de generalizações sobre a cidade" (1978:9). O equívoco consistiria na concepção da cidade como uma entidade social sui generis. Na verdade, a cidade seria "uma forma social na qual as propriedades essenciais de um sistema mais amplo de relações sociais são grosseiramente concentradas e intensificadas -até um ponto em que a extensão residencial, a densidade e a heterogeneidade, as características formais de uma cidade, parecem ser nelas mesmas propriedades constituintes de uma ordem social distinta" (1978:9-10)-. Assim como na crítica de Diamond, a origem dessa confusão estaria no próprio conceito de "cidade". Para exemplificar, Abrams usa a interpretação de Maurice Dobb (1963:33-127), para quem a transição do feudalismo para o capitalismo estaria diretamente ligada à emergência de cidades.

"... até onde o crescimento do mercado exerceu uma influência desintegradora na estrutura do feudalismo e preparou o terreno para o crescimento das forças que enfraqueceram-no e suplantaram-no, a história dessa influência pode, em grande parte, ser identificada com a ascensão das cidades"  (Dobb, 1963:70; apud Abrams, 1978:11).

A razão do equívoco estaria na identificação, por parte de Dobb, do feudalismo com o sistema de servidão, que teria como conseqüência a concepção das cidades como corpos sociais alienígenas ao sistema feudal. A transição seria então explicada, por Dobb, como uma relação entre essa townness e as relações sociais feudais. Abrams, por sua vez, propõe que:

"A transição do feudalismo para o capitalismo deixa de ser uma mudança explicada em termos da ascensão das cidades, e sem dúvida é mais explicitamente uma questão da luta dos diversos grupos existentes na ordem feudal para dominar a produção em pequena escala e apropriar-se dos lucros do comércio. Cidades específicas constituem o cenário político para versões específicas dessa luta. Os diferentes resultados da luta se explicam não pela natureza da cidade, mas pela abordagem da contradição entre a divisão do trabalho social e a divisão do trabalho produtiva que permeia o feudalismo como um todo, e apenas se percebe de maneira mais aguda no mundo social relativamente concentrado da cidade" (1978:13)2 

A mesma crítica aplica-se à interpretação do mesmo período histórico por parte de Fernand Braudel, para quem o desenvolvimento econômico do mundo ocidental estaria diretamente ligado ao caráter fechado de suas cidades: "as cidades foram responsáveis pelo avanço do ocidente" (1973: 439-449; apud Abrams, 1978:24). O contra-argumento de Abrams:

"Não foram realmente as cidades que fizeram o ocidente progredir, mas sim uma peculiar incapacidade do feudalismo ocidental de impedir essas populações de maximizar suas vantagens, o que era feito geralmente através do arranjo institucional da cidade fechada. A transformação da cidade aberta em cidade fechada foi um movimento no sentido de consolidar o poder desses grupos contra as autoridades feudais/fundiárias e contra os artesãos e trabalhadores urbanos. Tanto internamente quanto externamente a cidades é uma expressão institucional de poder" (1978:25)3 

Idêntica crítica provém também da historiografia marxista. E. J. Hobsbawm (1971), no famoso artigo "From Social History to the History os Society", questiona o potencial da história urbana como paradigma explicativo da mudança social. Outra referência importante, também na mesma linha crítica, é o artigo de R. H. Hilton "Towns in English Feudal Society" questionando a interpretação de Henri Pirenne de que as cidades seriam a antítese e fator de desagregação da sociedade feudal (Sutcliffe, 1983: 235). Enfim, existe toda uma linha de questionamento, não só em relação à história urbana, mas de todas as análises de processos sociais que empregam o urbano como categoria de análise. Uma contribuição, historicamente importante, inclusive porque é bastante lida e discutida, se bem que seja exterior ao universo anglofônico, provém de Jean-Claude Perrot. Esse historiador francês apresenta uma posição com sensíveis nuances em relação ao embate de posições "cidade enquanto processo"/"urbano enquanto sítio". A sua concepção de cidade é a de um observatório privilegiado dos fatos sociais. Segundo ele:

"... a consideração dos fatos urbanos constitui um meio, dentre outros, para revelar a história relações sociais imprecisas na consciência daqueles que as vivenciam... Evidentemente, as cidades não se constituem em agentes de revoluções, cujas raízes estão nas profundezas da economia, da demografia, das transformações técnicas e das decisões políticas. Entretanto, entre causas e efeitos, as aglomerações ocupam um cruzamento privilegiado: de uma certa maneira, a influência delas escapa à compreensão das consciências contemporâneas, por outro lado diametralmente oposto, as transformações urbanas contribuem, quando necessário, para rasgar a aparência da sociedade de ordens, desvendando as verdadeiras características dos grupos sociais..." (Perrot, 1992:47-52)4

5. A New Urban History

Se do lado europeu apontou-se como fato desencadeador da "constituição da história urbana" a formação do "grupo de Leicester", no lado americano, ainda que não partindo das mesmas opções conceituais, esse papel coube ao grupo e à "determinada visão" conhecidos como New Urban History. O evento de "fundação", nesse caso foi a Conferência Nineteenth Century Industrial City, organizada na Universidade de Yale (New Haven-EUA) por Richard Sennett e Stephan Thernstrom, em 1968. A publicação ligada ao evento e que serve de referência para essa abordagem em história urbana intitula-se The nineteenth Century City: Essays in New Urban History, cujos editores são exatamente Sennett e Therntrom. É importante ressaltar que, tanto no caso britânico quanto no americano, esses eventos não estão iniciando a produção historiográfica urbana, que obviamente lhe é anterior, mas principalmente articulando a constituição de paradigmas, no sentido kuhniano do termo, isto é, estabelecendo referências teóricas comuns, procedimentos metodológicos, associações, publicações, etc. (Khun, 1962). A história urbana concebida no âmbito do grupo New Urban History parte de uma perspectiva marcadamente sociológica e claramente identificada com a abordagem "urbano enquanto sítio". Nesses aspectos, ela pode ser considerada como diametralmente oposta à orientação do "grupo de Leicester", cujas afinidades e passado disciplinar eram muito mais ligados à ciência econômica e à história econômica, e cuja concepção de história urbana era declaradamente "cidade como processo". Os principais pontos que caracterizaram esse grupo americano são: a procura do estabelecimento de ‘pontes’ entre os dados históricos e outras disciplinas das ciências sociais, em particular com a teoria sociológica; a aplicação de abordagens quantitativas; e o interesse por aspectos das experiências quotidianas. Os primeiros anos foram de grande entusiasmo e as pesquisas se concentravam, principalmente, sobre a temática da mobilidade social e geográfica (Hershberg,1978). Alguns anos depois, as grandes expectativas pareciam não ter sido correspondidas pelos resultados. As inúmeras críticas a essa abordagem se concentraram principalmente na pobreza das contribuições no tocante à explicação sobre o contexto dos comportamentos analisados. Os fenômenos de mobilidade eram apresentados com pouca ou nenhuma relação com o entorno urbano. A New Urban History foi muito pouco urbana.Tornou-se emblemática a esse respeito uma entrevista de Stephen Thernstrom a Bruce M. Stave no Journal of Urban History na qual ele renuncia não só ao rótulo de historiador urbano como à própria existência de uma nova história urbana (Hershberg, 1978).

A sua principal contribuição da New Urban History foi no sentido de operacionalizar a transferência de procedimentos metodológicos da sociologia para o âmbito urbano, ainda que o objeto não fosse tão urbano quanto se esperaria. Esse legado metodológico serviu, por exemplo, de base ao importante projeto coletivo de pesquisa que foi o Philadelphia Social History Project. Sob a liderança de Hershberg, esse projeto investigou, num contexto de industrialização, o desenvolvimento metropolitano, e os comportamentos de diferentes subgrupos sociais em relação a variáveis como localização industrial, residência, transporte e equipamentos. A importância desse projeto, além do seu caráter coletivo (num período em que a maior parte das pesquisas se desenvolvia de forma individual), foi o emprego de instrumentos de análise informatizados podendo estabelecer conexões entre organização espacial e relações sociais, eventualmente contrariando teorias então existentes (Hershberg, 1983).

6. O Journal of Urban History

Possivelmente tanto quanto ou até mais importante que a New Urban History na constituição e difusão da história urbana americana foi o papel do Journal of Urban History (JUH). Ele apareceu em 1974, isto é, significativamente mais tarde que o seu correlato britânico -Urban History Newsletter foi publicado pela primeira vez em 1963-. Um detalhe de considerável importância é que o JUH, desde o seu princípio, procurou manter um distanciamento estratégico em relação à "New Urban History". Em meados da década de 1970 já se desenhavam claras as limitações dessa abordagem. No seu primeiro editorial, Raymond Mohl explicitava o perfil da publicação: "estudos de pequenos ou estreitos fragmentos da experiência urbana... somente se eles estiverem claramente e fortemente relacionados a um contexto mais amplo" (apud Blumin, 1994: 8). Isso era um aviso de interdição às "limitadas e estreitas" pesquisas de mobilidade desenvolvidas pela New Urban History. JUH assim como Urban History (UH) -que em 1992 sucedeu o Urban History Yearbook, que por sua vez, em 1974 havia sucedido Urban History Newsletter- apesar de se pretenderem internacionais, têm uma cobertura geográfica, quanto à origem das contribuições assim como quanto às temáticas abordadas, significativamente restritas aos respectivos países de origem. No caso do UH, esses limites se estendem ao Commonwealth, já o JUH apresenta uma visão de história urbana mais estritamente americana -dentre as exceções, são de especial interesse para os leitores latino-americanos: Morse,1974; Socolow e Johnson,1981; Greenfield,1989; e Armus e Lear,1998-. Já existem alguns artigos que fazem balanços dessas duas publicações periódicas que continuam as ser as duas mais consolidadas e de distribuição largamente internacional (Browell, 1984; Bloomfield, 1987; Rodger, 1992; Blumin, 1994 e Stave, 1994). Potencializadas pela língua, mas também pelo volume e qualidade do material já publicado.

7. A história urbana nos anos ‘80

O principal marco desse outro período aconteceu logo no ano de 1980. Foi a Dyos Memorial Conference, inicialmente sob organização do próprio Dyos que, ao falecer, foi substituído por Derek Fraser e Anthony Sutcliffe. A importância do evento deve-se tanto ao seu caráter internacional quanto ao caráter de avaliação do estado da arte após cerca de vinte anos de articulações pró-consolidação da história urbana como campo de conhecimento. Aconteceu em Leicester e teve um impacto comparável ao do encontro de 1966. A publicação correspondente, The Pursuit of Urban History, só veio a ser editada em 1983, sob responsabilidade de Derek Fraser e Anthony Sutcliffe, e o conteúdo não coincide exatamente com o programa da conferência. Essa obra, conjuntamente com o artigo de Sutcliffe (1984) sobre o evento, quatro anos depois, constituem, a nosso ver, fontes fundamentais para a compreensão das perspectivas e balanços feitos não exatamente sobre, mas durante os anos ’80. São, a nosso ver, três as temáticas principais que aparecem nas discussões epistemológicas, nesse período:

a) um aprofundamento da discussão sobre a transdisciplinaridade e a necessidade de estudos comparativos;

b) um foco sobre a organização institucional da pesquisa (necessidade de projetos coletivos); e

c) reflexões sobre a experiência da New Urban History e as abordagens quantitativas.

O tom geral dos artigos que procuram fazer o balanço das quase duas décadas anteriores de produção historiográfica é de franca decepção em relação às expectativas da década de ’60. Bédarida (1983:397), por exemplo, menciona especificamente o caráter disperso e desconexo dessa produção que, apesar de crescente, careceria de obras de síntese. Hershberg (1983), por sua vez expressa a sua decepção em relação à questão da transdisciplinaridade5. A sua interpretação envereda pelo âmbito da sociologia das ciências. Para ele, as dificuldades são de ordem ideológica, cultural, psicológica assim como decorrentes de fatores estruturais. A própria institucionalização das disciplinas que, por um lado potencializou avanços devidos à especialização, também criou barreiras. A formalização das disciplinas implicou na estruturação das universidades em departamentos. No caso americano, o sistema de recompensas (no âmbito universitário) privilegiaria os empreendimentos individuais. Daí as dificuldades de síntese. A problemática não seria tanto de especialização, mas principalmente de isolamento. No caso das pesquisas aplicadas e das hard sciences, haveria uma natural interdependência e cumulatividade entre disciplinas irmãs. No caso das ciências humanas existiria uma valorização da criatividade, e conseqüentemente um isolamento. Daí a ênfase na necessidade de projetos colaborativos. Durante os anos ’80 existe uma formulação bastante clara da necessidade desses projetos. Eles são ao mesmo tempo uma solução à questão da transdisciplinaridade e à necessidade dos estudos comparativos.

Apesar de um certo tom de desilusão, os anos ’80 foram, no âmbito da história urbana, bastante profícuos. De um lado já estavam bastante digeridas as críticas feitas às abordagens quantitativistas americanas. Após a "ressaca" em relação à New Urban History, a experiência da Philadelphia Social History Project apresentava resultados interessantes, mas dificilmente poderia servir como modelo geral: recursos financeiros e humanos vultuosos concentrados apenas numa cidade (Stave, 1983:424). A produção historiográfica urbana inglesa continuou a ser a mais globalizante e multifacetária. Mas durante a década em questão, emergiu uma considerável produção tanto francesa quanto alemã. No caso da primeira, o principal traço foi a da conjuminação da história urbana/história social, numa posição quase inversa ao que ocorrera na Grã-Bretanha. Cabe especial menção, também por se tratar de um projeto coletivo e de peso, a publicação de Histoire de la France urbaine, em 5 volumes, entre 1980-85 (Le Goff et alii, 1980-1985). Consolida-se também uma produção alemã principalmente centrada na história das administrações locais, abordagens econômicas, demográficas e de história do cotidiano (Pinol, 1991:6-9).

De uma maneira geral, a década de ’80 foi também marcada por uma diminuição das ambições e pretensões em relação ao potencial explicativo da história urbana. Após as consistentes críticas dos anos ’70, uma "interpretação urbana da história" era vista com maior precaução. Um outro traço geral é o do aumento das contribuições provenientes da sociologia. Outro fato a ser apontado é o da manutenção do peso hegemônico das biografias urbanas. Já não mais na antiga tradição de isolamento, mas sim contextualizadas (Bédarida, 1983). Elas continuam, entretanto, vistas como obras menores, como etapa cabível para historiadores juniores. Essa opinião é claramente apresentada, por exemplo, por Fraser e Sutcliffe (1983c: XXVIII-XXIX).

8. A historiografia urbana nos anos ‘90

Seguindo uma tendência já delineada nos anos ’80, a história urbana produzida na Europa anos ’90, caracterizou-se por um grande dinamismo e proficuidade (Lees, 1994). No âmbito das ações cooperativas, tão preconizadas anteriormente, os avanços continuaram notáveis: projetos de pesquisa -por exemplo, o Ontwikkelung van de Stad, Hilversum-Holanda, 1992 (Lees, 1994); ou ainda o notável projeto Atlas histórico de las ciudades europeas -, publicações, constituição de associações nacionais, e de redes associativas, notadamente a Associação Européia de Historiadores Urbanos. Esse dinamismo europeu, segundo Lees (1994:8), contrasta com o quadro norte-americano onde a história urbana continuaria a ser uma atividade marginal. Há avanços na antiga questão da transdisciplinaridade, no entanto, existe também um reconhecimento de que se trata de um empreendimento mais difícil do que poderia parecer: "... poucos foram suficientemente promíscuos em termos intelectuais para experimentar as delícias metodológicas e teóricas emprestadas da vasta gama de possibilidades interdisciplinares disponíveis" (Rodger, 1992:9).

Apesar da efervescência da produção, existe uma constatação da raridade das ações de síntese. Mesmo as obras que adotam uma perspectiva comparativa são organizadas sob forma de coletâneas, onde as contribuições continuam circunscritas às barreiras nacionais (Rodger, 1993; Biget e Hervé, 1995; Engeli e Matzerath, 1989). Curiosamente, as principais obras que conseguiram essas análises mais globais são quase todas produzidas nos EUA, por exemplo, Hohenberg y Lees,1985; Vries, 1984 e Moch, 1992. As exceções são Bairoch, 1985 e Pinol, 1991 (Lees, 1994:9). A transcendência da dimensão local continua a ser um dos grandes desafios, aos olhos das análises existentes sobre os anos ’90. Como pudemos acompanhar, desde os anos ’60, as biografias urbanas têm sido, uma temática constante das reflexões sobre a produção historiográfica urbana. A evolução do olhar e das posições sobre essa modalidade historiográfica é reveladora das transformações das concepções metodológicas e epistemológicas sobre a história urbana. Para Dyos, as histórias de cidades eram uma espécie em perspectiva de extinção: "Está em declínio... o período dos estudos idiossincráticos empreendidos individualmente sobre uma determinada cidade sem propósito analítico particular" (Urban History Yearbook, 1975:3). Posteriormente, durante a década de 1980, face à constatação da sua sobrevivência e vitalidade, Fraser e Sutcliffe (1983c:XXVIII) consideram-na como "produção cabível para historiadores juniores". Já nos anos ’90 as análises são mais elaboradas. De um lado, ao constatar que as biografias continuam a constituir a maior parte da produção exterior aos projetos coletivos, Lees (1994:9) interpreta o fato como uma conseqüência da estrutura da pesquisa acadêmica, enquadrada em programas individuais com prazos limitados. As formas combinadas de biografias urbanas com abordagens regionais teriam o mérito de atrair um público não especializado. Haveria também uma razão metodológica inerente à própria disciplina histórica, naturalmente mais ligada às fontes e consciente dos riscos das generalizações. Entretanto, ele propõe estratégias de transcendência: estudos comparativos a partir de tópicos específicos ou o estudo de redes de cidades. Richard Rodger (1992:8), por sua vez, apresenta uma visão um pouco mais positiva. Para ele "... as biografias urbanas constituem o alicerce empírico para as análises sistemáticas dos processos em curso nas cidades". Além do mais, elas seriam uma modalidade de história urbana mais pertinente para as abordagens antropológicas e etnográficas. Aliás, as abordagens culturalistas de forma geral, assim como as contribuições metodológicas provenientes das análises de linguagem constituiriam uma das marcas vislumbradas nos anos ’80 e aprofundadas nos anos ’90 (Lees, 1994:11).

Quanto às perspectivas de desenvolvimento, Richard Rodger (1992) vê na fragmentação de interesses um risco de empobrecimento da história urbana. Fragmentação pela constituição de grupos ligados a temáticas específicas, como por exemplo, períodos históricos de interesse, ou então grupos especificamente interessados em história do planejamento/urbanismo ou os grupos de morfologia urbana.

"Autonomia associativa nem sempre é garantia de vitalidade... Abaixo de um limite mínimo de população, tanto o mundo acadêmico quanto o meio natural tornam-se inviáveis. (1992:11); Essa patologia urbana, a dissecação do tecido da cidade, concentrado como ele é, a partir de trabalhos detalhados sobre uma simples parcela negligenciou a atenção sobre as interações com o corpo urbano como um todo. Para eles, a cidade é essencialmente um adjunto do objeto de estudo" (1992:8)

Essa crítica é curiosamente parecida com as reprovações à abordagem "urbano enquanto sítio" onde o objeto era apenas acidentalmente urbano. Na verdade, ela, em parte, provém de uma antiga tentação de constituição de um saber total sobre o objeto, enriquecido pelas diferentes contribuições. Em várias passagens, na evolução dos estudos urbanos pode-se assistir a emergência de tentativas de formulação desse saber total, eventualmente de uma teoria geral sobre o urbano. Essas tentativas sempre fracassaram. O campo de interesse do urbano e da cidade, pela sua própria complexidade e pluridimensionalidade, necessariamente abarcam diferentes modalidades historiográficas. Eventualmente, a constituição de fóruns especializados pode ser a trajetória que mais propiciará o avanço do conhecimento. A apreensão de um objeto tão multifacetário como o urbano implica necessariamente a adoção de perspectivas privilegiadas. Nesse sentido, sempre haverá, a nosso ver, sob o rótulo de "história urbana" várias modalidades historiográficas, eventualmente constituindo saberes específicos.

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1Urbanista, doutorando em Estudos Urbanos na UQAM-Université du Québec à Montréal/INRS Urbanisation, bolsista Capes (Brasil/Brasília) e professor no Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade São Judas Tadeu, São Paulo. luisoctaviosilva@hotmail.com

2 The transition from feudalism to capitalism ceases to be a change explainde in terms of the rise of towns and its steadily more explicity a matter of the struggle of different groups within the feudal order to dominate small-scale production and to appropriate the profits of trade. Particular towns are the political setting for particular versions of this struggle. The distinctive outcome of the struggle is explained not by the nature of the town but by the working-out of the contradiction between the social division of labour and the productive division of labour permiating feudalism as a whole and merely realized most acutely in the relatively concentrated social world of the town.

3It was not really the towns that caused the West to advance but the peculiar inability of western feudalism to prevent these people from maximizing their advantages which they did typically within the institutional form of the close town. The move from open to closed towns was a move to consolidate the power of such groups against feudal and landed authorities and against the artisans and labourers within towns. Both internally and externally the towns is an institutional expressions of power.

4... la considération des faits urbains est un moyen, parmi d'autres, de faire au jour de l'histoire des rapports sociaux imprécis dans la conscience de ceux qui les vivient...Bien sûr, les villes ne sont past d'abord l'agent de révolutions dont les eaux mères viennent des profoundeurs de l'économie, de la démographie, des mutations techniques et des décision politiques. mais entre les causes et les effets, les agglomérations occupent un croisement privilégié: d'une certaine manière, leur influence échappe à la saisie des consciences contemporaines, d'une autre au contraire, les transformations urbaines contribuent, quand il faut, à déchirer l'apparence de la société d'ordres, dévoilant les traits réeles des groupe sociaux.

5 Hershberg (1983) faz uma diferenciação : multidisciplinaridade (preservação do paradigma disciplinar) diferenciar-se-ia de interdisciplinaridade (utilização de variáveis explicativas provenientes de outras disciplinas). Ele indica, para un aprofundamento da questão , um outro texto de sua autoria Hershberg (1981).

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