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Parasitología al día

versão impressa ISSN 0716-0720

Parasitol. día v.23 n.3-4 Santiago jul. 1999

http://dx.doi.org/10.4067/S0716-07201999000300003 

TRABAJO DE INVESTIGACION

Ação dos fungos Beauveria bassiana (Balsamo)
Vuillemin, 1912 e
Metarhizium anisopliae (Metschnikoff,
1879) Sorokin, 1883 sobre larvas do carrapato
Anocentor
nitens (Acari: Ixodidae)

VANIA R.E.P. BITTENCOURT1, GABRIELE CASTRO RODRIGUES DE MENEZES2,
ANDRÉA G. MASCARENHAS2 E SILVIA G. MONTEIRO3

ACTIONS OF FUNGUS Beauveria bassiana AND Metarhizium anisopliae
ON LARVAE OF THE TICK Anocentor nitens

The pathogenicity of isolates Ma959, MaE9, Ma319 from Metarhizium anisopliae and isolate Bb747 from Beauveria bassiana was evaluated using Anocentor nitens larvae under controlled conditions. Four suspensions with different concentrations (108, 107, 106 and 105 conidia/ml) were tested for evaluating the percentage of larvae mortality ten days after the infection and the probit analysis was realized. The mortality average of larvae in treated groups with the isolate Ma959 alternate between 80.8% and 10.2%. The use of isolate Ma319 showed almost 100% of mortality for the 108 conidia/ml concentration. The isolate MaE9 showed the best results of mortality in 108 and 107 concentration. The mortality of the groups treated with Bb747 alternate between 3.6% (105 conidia/ml) to 97.4% (108 conidia/ml). The LC 50 were 1.6 x 106; 1.2 x 106; 1.6 x 107 e 1.8 x 106 for the isolates Ma319, MaE9, Ma959 e Bb747, respectively. The results reveal a susceptibility of Anocentor nitens larvae to these fungus and prove their potential use in integrate control programs.
Key words: Beauveria bassiana, Metarhizium anisopliae, Anocentor nitens, biological control, ticks, entomopathogenic fungus.

1 Departamento de Parasitologia Animal, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, Brasil, 23890-000, pesquisador CNPq
2 Discente de Medicina Veterinária, Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/UFRRJ
3 Discente de Doutorado do CPGMV-PV/UFRRJ, Bolsista CAPES/DS

INTRODUÇÃO

As ixodidoses acometem os animais domésticos, silvestres e o homem em quase todo o mundo e os prejuízos que os carrapatos causam são muito grandes. Anocentor nitens, é um ixodídeo de ciclo monoxeno, sendo encontrado no pavilhão auricular do seu principal hospedeiro (eqüídeos), mas quando ocorrem infestações intensas, pode ser encontrado por todo o corpo do animal1. As lesões provocadas por seu parasitismo favorecem invasão bacteriana secundária, predispondo o animal a outras enfermidades e levando a deformações e perda da rigidez do pavilhão auricular. Esta espécie também é considerada transmissora de agentes da babesiose eqüina, sendo no Brasil considerada como vetora de Babesia caballi2.

O fungo Metarhizium anisopliae é amplamente utilizado no controle biológico de pragas de plantas, sendo que poucos esforços tem sido feitos para avaliar seu potencial para o controle biológico de vetores de doenças para os homens e animais. Este fungo já foi testado com sucesso em larvas dos mosquitos Culex e Anopheles3, larvas de Musca domestica4 e carrapatos das espécies Boophilus microplus 5 e Rhipicephalus sanguineus 6.

O fungo Beauveria bassiana já foi encontrado promovendo infecções naturais em carrapatos das espécies Hyalomma anatolicum e Ixodes ricinus 7, também foi utilizado para infecções artificiais desta última espécie 8 e em Hyalomma sp.,9 B. microplus10 e em R. sanguineus 6, o que demonstra seu grande potencial para o controle de carrapatos.

Este trabalho foi realizado com o intuito de verificar a patogenicidade in vitro de três isolados de M. anisopliae (Ma959, Ma319 e MaE9) e de um isolado de B. bassiana (Bb747) em larvas não alimentadas do carrapato A. nitens através da observação do percentual de mortalidade.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi desenvolvido no Laboratório de Controle Microbiano da Estação para Pesquisas Parasitológicas W. O Neitz (EPPWON) do Instituto de Biologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Fêmeas ingurgitadas do carrapato A. nitens foram coletadas de eqüinos mantidos à campo na EPPWON, armazenadas em um recipiente de vidro e levadas ao laboratório onde foram limpas e banhadas por um minuto em solução de hipoclorito de sódio à 1%. Posteriormente a este procedimento, as fêmeas foram secas, pesadas, e acondicionadas em placas de Petrit devidamente identificadas para obtenção da postura. Após a postura, esses ovos foram pesados em alíquotas de 25 mg e colocados em tubos de ensaio devidamente identificados sendo mantidos em câmara climatizada à 27°C e 80% de umidade relativa para a eclosão das larvas.

Os isolados de M. anisopliae utilizados foram o Ma959, MaE9 e Ma319, para B. bassiana utilizou-se o isolado Bb747, que foram cedidos pelo Departamento de Entomologia da Universidade de São Paulo (USP). As suspensões dos isolados utilizadas para cada bioensaio foram quantificadas através de contagem direta ao microscópio, com auxílio de uma câmara de Neubauer, com contagens de três amostras de cada suspensão para obter uma média de contagem. A partir destas suspensões, para cada isolado testado foram preparadas quatro suspensões com concentrações diferentes de conídios, obtendo-se assim as concentrações utilizadas, que foram 108, 107, 106 e 105 conídios/ml.

Cada bioensaio foi constituído de dez repetições para cada tratamento (108, 107, 106, 105 e controle). As larvas do grupo controle foram banhadas em água deionizada mais espalhante adesivo (0,1%) e cada grupo de tratamento recebeu três mililitros da suspensão a ser testada durante três minutos.

Foram analisados os seguintes parâmetros: porcentagem de mortalidade das larvas após dez dias do final da eclosão e concentração letal para 50 e 90% da população de larvas tratada (CL50 e CL90).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A média de mortalidade das larvas de A. nitens nos grupos tratados com o isolado Ma959 variou entre 80.8% (108 conídios/ml) à 10.2% (105 conídios/ml). À medida que se aumentava a concentração diminuía a viabilidade das larvas expostas ao entomopatógeno (Figura 1). Foram verificadas diferenças significativas entre o grupo controle e todos os grupos tratados (Tabela 1).



Figura 1. Percentual de mortalidade de larvas de Anocentor nitens tratadas com
diferentes isolados dos fungos Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana.

 

Tabela 1. Percentual de mortalidade de larvas de Anocentor nitens
tratadas com diferentes isolados de Metarhizium anisopliae e Beauveria
bassiana
, em diferentes concentrações

Tratamentos Fungos
  Ma959 Ma319 MaE9 Bb747

Controle 1 a 1 a   1 a 1 a    
10E5 10 ab   6 ab   29 bc 4 ab
10E6 12 ab 42 bc   15 ab 41 bc  
10E7 35 b   86 c   91 d 84 c    
10E8 81 c   97 c   99 d 98 c    
         
Médias seguidas da mesma letra não diferem entre si (P£ 0,0001).

O uso do isolado Ma319 revelou uma mortalidade de quase 100% das larvas na concentração 108 conídios/ml, e esta mortalidade diminuiu gradativamente à medida que diminuía a concentração de conídios da suspen-são testada (Figura 1), sendo que apenas a concentração 105 conídios/ml não teve diferença significativa nos testes estatísticos quando comparada ao grupo controle (Tabela 1).

Os testes realizados com o isolado MaE9 revelaram uma maior mortalidade de larvas nas concentrações 108 e 107 conídios/ml (Figura 1), sendo que não houve diferença significativa entre elas; as concentrações 105 e 106 conídios/ml tiveram uma mortalidade de larvas inferior a 30% e também não foram significativas comparadas entre elas.

Os testes realizados com o isolado Bb747 mostrou resultados semelhantes aos observados com o isolado Ma319, quando se verificou uma mortalidade próxima a 100% para a suspensão 108 conídios/ml, não diferindo estatisticamente da suspensão 107 conídios/ml, apenas a suspensão 105 não diferiu da mortalidade observada no grupo controle.

A mortalidade de larvas no grupo controle foi similar a mortalidade observada em trabalhos de biologia in vitro desta espécie de carrapato, sob as mesmas condições de temperatura e umidade.

As DL 50 variaram entre 1,2 x 106 (Ma E9) à 1,8 x 108 conídios/ml(Ma 959) e as DL 90 foram 1,8 x 107, 2,5 x 107 e 7,4 x 108 para Ma 319, Ma E9 e Ma 959 respectivamente. Como pode ser verificado na Figura 2, o isolado Ma959 apresentou resultados inferiores aos demais isolados, com as CL 50 e 90 bem mais elevadas.



Figura 2. Concentração letal (CL) 50 e 90 dos diferentes isolados testados de
Metarhizium anisopliae
e Beauveria bassiana para larvas de Anocentor nitens.


A mortalidade de larvas de I. ricinus infectadas com o fungo B. bassiana também já foi avaliada, porém o autor11 não quantificou a infecção e obteve uma mortalidade variável entre 86% a 100%, dependendo do isolado de B. bassiana utilizado. Resultados similares aos citados acima foram obtidos neste trabalho com o isolado de B. bassiana e com os isolados Ma319 e MaE9 do fungo M. anisopliae. A patogenicidade destes mesmos isolados já foram avaliados para ovos e larvas do carrapato R . sanguineus6 e os resultados observados também foram similares ao presente trabalho, compro-vando a ação deletéria destes entomopatógenos para carrapatos.

Assim, pode-se concluir que os isolados utilizados de B. bassiana foram patogênicos para larvas de A. nitens, sendo este patógeno, inimigo natural de importância potencial para ser usado no controle integrado desta praga.

RESUMO

A patogenicidade in vitro dos isolados Ma959, MaE9 e Ma319 do fungo M. anisopliae e do isolado Bb747 de B. bassiana foi avaliada em larvas do carrapato A. nitens mantidas em temperatura controlada. Quatro suspensões com diferentes concentrações (105, 106, 107 e 108 conídios/ml) de cada isolado foram testadas para avaliar o percentual de mortalidade das larvas após 10 dias da infecção calculando-se as concentrações letais 50 e 90. A média de mortalidade nos grupos tratados com o isolado Ma959 variou entre 81% à 10%. O uso do isolado Ma319 revelou uma mortalidade de quase 100% das larvas na concentração 108 conídios/ml. Os testes realizados com o isolado Ma E9 revelaram uma maior mortalidade de larvas nas concentrações 108 e 107 conídios /ml. A média de mortalidade nos grupos tratados com o isolado Bb747 variou entre 4% (105 conídios/ml) à 97% (108 conídios/ml). As DL 50 foram 1,6 x 106; 1,2 x 106; 1,6 x 107 e 1.8 x 106 para Ma319, MaE9, Ma959 e Bb747, respectivamente. Os resultados obtidos demonstram a susceptibilidade das larvas de A. nitens frente à estes fungos, comprovando seu potencial uso em programas integrados de controle.

REFERENCIAS

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