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Parasitología al día

versão impressa ISSN 0716-0720

Parasitol. día v.24 n.1-2 Santiago jan. 2000

http://dx.doi.org/10.4067/S0716-07202000000100012 

Período pupal da Dermatobia hominis
(Diptera:Cuterebridae) em condições de
temperatura ambiente

PUPAL STAGE OF Dermatobia hominis (DIPTERA:CUTEREBRIDAE) AT
AMBIENT TEMPERATURE CONDITIONS

CELSO GUIMARÃES BARBOSA*, ARGEMIRO SANAVRIA** e MARIA D PASSOS R. C. BARBOSA***

The period pupal stage of Dermatobia hominis has been studied from third instar larvae, extracted from cattle, under ambient temperature conditions. Emergency of adults of D. hominis ranged from 6.7% to 42.9%. The pupal stage duration ranged from 23 to 37 days, with average of 27.4 days. The average duration of this stage (27.0 days), in males, was significantly lower (P < 0,01) than the females (27.7 days). It has been showed a significant Pearson correlation (r = - 0.90, P < 0.01) between pupal stage duration and minimum and maximum temperatures averages.
Key words: Dermatobia hominis, myiasis, pupa, human botfly.

INTRODUÇAO

A Dermatobia hominis , conhecida no Brasil como mosca do berne, é um dos mais importantes ectoparasitos dos animais domésticos e sua ocorrência vai desde o sul do México até o norte da Argentina, sendo o Chile o único país que parece estar livre deste parasito.1 Estes autores constataram as maiores intensidades de infestação nos animais que habitam regioes com altitudes entre 400 e 1500 m. Suas formas larvares causam um tipo de miíase nodular denominada dermatobiose que pode acometer os animais domésticos e o homem.2

Sua importancia na bovinocultura está relacionada com os prejuízos econômicos causados pelas formas larvares da mesma .3-5

A duração do ciclo de vida completo da D. hominis varia segundo as condições ambientais e o hospedeiro onde as larvas se desenvolvem, podendo se estender por mais de 100 dias, sendo que no caso de altas infestações, em bovinos, pode durar somente cerca de 35 dias.4

A duração do período pupal deste díptero varia conforme a época do ano e tem sido reportada em Sao Paulo, como de 58 dias em junho, 51 dias em julho e de 36 dias em setembro.6 Zeledon encontrou uma duração de 20 a 25 dias 7, utilizando-se temperaturas de 30°C e 26°C, respectivamente, nao havendo emergência de adultos a 35° C. Moya Borja 8 observou um período pupal de 32 dias para fêmeas e 30 dias para machos, apresentando um percentual de emergência de 73,3%, quando mantidas a uma temperatura de 25°C e umidade relativa (UR) de 92,5%, semelhante a Magalhães.9 Outros investigadores10,11 encontraram um período pupal de 24 a 29 dias, em laboratório (27°C e 70-80% UR) e, em condições de ambiente este período variou de 37 a112 dias, o qual, apresentou correlação linear negativa significativa com a temperatura média do período.10

O presente trabalho teve como objetivo conhecer a duração do período pupal e a emergência de adultos de D. hominis a partir de larvas de terceiro ínstar (L3) obtidas por extração manual de bovinos, assim como correlacionar o efeito da variação da temperatura ambiente e da umidade relativa com a duração do período pupal e a emergência de adultos.

MATERIAL E MÉTODOS

Para a obtenção das pupas foram realizadas coletas frequentes de L3 da pele de bovinos abatidos em matadouros e de bovinos vivos, todos naturalmente infestados, nos arredores do campus da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (RJ). No laboratório,as L3 com peso superior a 400 mg eram colocadas em frascos de vidro, contendo serragem de pinho, identificadas com a data da coleta e mantidas em prateleiras abertas, onde permaneciam até ocorrer a emergência dos adultos. Com isto, foram feitos os registros dos períodos de pré-pupa e pupa dos machos e das fêmeas e do percentual de emergência de D. hominis. Os valores das temperaturas mínima e máximas diárias dentro do laboratório foram feitas utilizando-se um termômetro de mercúrio de máximo e mínimo (Incoterm, Brasil), enquanto que os valores de umidade relativa foram obtidos da Estação Experimental de Itaguaí (PESAGRO-RJ) situada nas imediações do laboratório.

A identificação do sexo dos adultos foi rea lizada através de morfologia dos esternitos abdominais 2 e 5.12 Para a comparação da duração dos períodos pupais le machos e de femeas utilizou-se o teste t de Student, enquanto que para a comparação dos percentuais de emergência de machos e fêmeas utilizou-se o teste de x2. Para a avaliação do relacionamento entre a temperatura ambiente com a emergência e com a duração do período pupal utilizou-se o coeficiente de correlação de Pearson. 13

RESULTADOS E DISCUSSAO

As colheitas de L3 de D. hominis foram realizadas no período de janeiro a abril de 1996, o que possibilitou a observação de 2340 larvas. Observou-se que a duração do período pupal de D. hominis extraídas de bovinos, incluindo o período de pré-pupa (1 a 2 dias) variou de 23 a 37 dias, com uma média de 274 dias e o percentual de emergência de adultos foi de 23,1% (Figuras 1 e 2). Em relação ao sexo, observou-se que a duração média do período pupal dos machos foi de 27,0 dias, significativamente inferior (P < 0,01) aos 27,7 dias apresentado pelas fêmeas.

Esta diferença da duração do período pupal pôde ser avaliada quando se comparou os percentuais de frequência por sexo (Figura 1) nos diferentes períodos de duração do estágio pupal. Verificou-se que os períodos pupais com duração de 23,24 e 25 dias, a frequência de machos foi significativamente superior (P < 0,05) que a das fêmeas e que aqueles com duração de 27 e 28 dias, predominaram as fêmeas. Esta menor duração do período pupal observado em machos de D. hominis tem sido relatado por Moya Borja 8 em larvas extraídas de bovinos, onde foi encontrado uma duração média do período pupal de 29,9 dias para machos e 32,4 dias para fêmeas utilizando-se temperatura de 25°C e 60 a 80% de umidade relativa. Também outros encontraram uma média da duraçao da fase pupal de 25,1 dias para machos e 26,3 dias para fêmeas. 11

Figura 1. Número de adultos de Dermatobia hominis emergidos, freqüência percentual por sexo e valores médios de temperatura ambiente e umidade relativa relacionados com a duração do período pupal.

Em relação aos percentuais de emergência de adultos de D. hominis (Figura 2), observou-se somente flutuações durante o período de colheita, variando de 6,7% a 42,9% e estes percentuais nao apresentaram correlação significativa com as temperaturas médias mínimas e máximas, assim como, com as médias de umidade relativa. Estes percentuais de emergência podem ser considerados baixos se comparados com o obtido por outros investigadores (73,3% y 9l,5%),8,11 possivelmente em decorrência das diferentes condições de obtenção e manutenção das larvas. Estes resultados apresentaram diferentes dos obtidos por Sanavria14 que ao longo de um ano de observação, constatou que as médias de temperaturas máximas e minimas e de umidade relativa apresentaram correlação linear negativa significativa com os percentuais de emergência de adultos.

Figura 2. Emergência de adultos de Dermatobia hominis e valores médios de temperatura ambiente e umidade relativa obtidos no período dej aneiro a abril de 1996.

Já em relação a duração do período pupal (Figura 1), observou-se uma correlação linear negativa significativa (r = -00,90, P < 0,01) desta com as temperaturas médias mínimas e máximas, o que nao foi verificado com os valores médios de umidade relativa. Desta forma, pôde-se verificar que nos períodos de maiores temperaturas houve uma menor duração do período pupal enquanto que sob temperaturas menores este período foi maior.

Analisando-se o período em que houveram maiores temperaturas, ou seja, de janeiro a meados de março (Figura 2), verificou-se uma duração média do período pupal de 25,9 dias, sendo que nos machos foi de 25,4 dias, significativamente inferior (P < 0,01) aos 26,3 dias, obtido nas fêmeas. Já no período de menores temperaturas, ou seja, de meados de março ao final de abril, verificou-se uma duração média do período pupal de 31, 1 dias, significativamente superior (P < 0,01) ao obtido com temperaturas mais elevadas. Nesta situação, a duração média do período pupal dos machos foi de 30,8 dias, nao diferindo significativamente dos 31,2 dias, obtido com as fêmeas.

Estes resultados apresentaram-se semelhantes aos obtidos por Sanavria14 que observou uma duração maior do período pupal em junho (48 dias para as fêmeas e 47 para machos) onde se verificaram temperaturas mais baixas e com duração menor em novembro (21 dias para fêmeas) e dezembro (23 dias para machos), com temperaturas maiores; assim como, com os de Zeledon que obteve uma duração do período pupal de 20 a 25 dias, utilizando-se temperaturas de 30° e 26° C, respectivamente 7, e com os de Brum et al., que observaram uma correlação negativa, altamente significativa, entre a duração do período pupal e a temperatura média ambiente no período estudado.10

A duração do período pupal de 23 a 37 dias obtido no presente trabalho, apresentou semelhante ao obtido, em laboratório, por vários pesquisadores,8- l 1, 14 porém menor que a observada por Brum et al, em condições de temperatura ambiente, que foi de 37 a 112 dias, possivelmente devido ao fato de que estes autores trabalharam no sul do Brasil onde se verifica temperaturas mais baixas que as observadas neste trabalho.10

* DEMAT, UFRRJ. BR 465 km 7, 23890-000,
Seropédica, RJ, Brasil. E-mail: celsogb@ufrrj .br
** DESP,UFRRJ
*** CTUR, UFRRJ

REFERÊNCIAS

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