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Ciencia y enfermería

versión On-line ISSN 0717-9553

Cienc. enferm. v.13 n.1 Concepción jun. 2007

http://dx.doi.org/10.4067/S0717-95532007000100004 

 

CIENCIA Y ENFERMERÍA XIII (1): 25-33, 2007
ISSN 0717-2079

 

INVESTIGACIONES

 

SATISFAÇÁO EINSATISFAÇÃO ENTRE AUXILIARES E TÉCNICOS DE ENFERMAGEM DE UMA UNIDADE DE INTERNAÇÃO FEMININA DE UM HOSPITALÕESCOLA

SATISFACCIÓN E INSATISFACCIÓN ENTRE AUXILIARES Y TÉCNICOS DE ENFERMERÍA DE UNA UNIDAD DE INGRESO FEMENINA DE UN HOSPITAL ESCUELA

SATISFACTION AND DISSATISFACTION EXPERIENCED AMONG AUXILIARIES AND TECHNICIAN NURSES WORKING IN THE FEMALE WARD OF A SCHOOL HOSPITAL

 

JULIA TREVISAN MARTINS*, MARIA LUCIA DO CARMO CRUZ ROBAZZI** e GISELE APARECIDA PLATH***

* Professora Assistente do Curso de Graduaçao em Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina-Pr, Doutoranda do Programa Interunidades da Escola de Enfermagem de Ribeirao Preto-USP e Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, E-mail: jtmartins@uel.br
** Professora Titular da Escola de Enfermagem de Ribeirao Preto - USP, do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada Centro Colaborador da OMS para o desenvolvimento da pesquisa em Enfermagem, E-mail: avrmlccr@eerp.usp.br
*** Enfermeira da Unidade Básica de Saúde de Lerroville-Pr, E-mail: giplath@bol.com.br


RESUMO

Os objetivos desteõestudo foram identificar se as auxiliares e técnicas de enfermagem de urna unidade de internação médico-cirúrgica vivenciam sentímentos de satisfação e insatisfação no trabalho e identificar os fatores que mais contribuíram para a satisfação e insatisfação no trabalho dessas pessoas. Tratou-se de urna pesquisa quantítativa, utilizando-se como instrumento urna escala do tipo Likert. Participaram 24 auxiliares e 2 técnicas de enfermagem. Os resultados demonstraram que o trabalho pode ser percebido de diferentes maneiras, considerando-se que cada um tem sua concepção de mundo, suas aspiracões, suas tristezas e alegrías. A satisfação no labor é somente urna das tantas variáveis da sua dimensão. Ela produz urna variedade de conseqüências para os individuos, que pode afetar sua atitude em relação á vida, á familia, a si mesmo, bem como pode influenciar direta-mente na assistênciaç ao pacientes.

Palavras-chaves: Satisfação no trabalho, equipe de enfermagem, emocões.

RESUMEN

Los objetivos de esteõestudio han sido identificar si las auxiliares y técnicos de enfermería de una unidad de ingreso médico-quirúrgica vivencian sentimientos de satisfacción e insatisfacción en el trabajo y los factores que más contribuyeron para la satisfacción e insatisfacción en el trabajo de esas personas. Se trató de una investigación cuantitativa, utilizándose como instrumento una escala del tipo Likert. Participaron 24 auxiliares y 2 técnicos de enfermería. Los resultados demostraron que el trabajo puede ser percibido de diferentes maneras, considerándose que cada uno tiene su concepción de mundo, sus aspiraciones, sus tristezas y alegrías. La satisfacción laborales solamente una de tantas variables de su dimensión. Ella produce una variedad de consecuencias para los individuos, que puede afectar su actitud con relación a la vida, a la familia, a uno mismo, y tambien puede influir directamente en la asistencia al paciente.

Palabras claves: Satisfacción en el trabajo, grupo de enfermería, emociones.

ABSTRACT

The aim of this study was to check if the auxiliaries and technician nurses working in a hospital ward experience satisfaction and dissatisfaction during the shift and also to identify which factors contributed to these people's feelings. A quantitative research study was conducted using a Likert type scale. Twenty four auxiliaries and two technician nurses answered the questionnaire. Results showed that work can be experienced in different ways, considering that each person has its own world perception, aspirations, sorrows and joys. Work satisfaction is only one of many variations of its extent. It bears several consequences which can affect the individual's attitudes towards life, family themselves and also influence directly into patients' care.

Keywords: Work satisfaction, nursing team, feelings.


INTRODUÇÃO

Desde os primordios, o trabalho vem sendo incorporado a vida humana, preenchendo cada vez maisõespacos e alterando a forma de viver. Em conseqüência, novas necessidades vao surgindo como o reconhecimento, a valorização e o prestigio social, dentre outras, sendo que através do exercicio profissional e nas relacões laboráis, há oportunidades para atendé-las.

ao mesmo tempo, que o trabalho é urna atividade de vasto alcance que se reflete e influencia em todos os aspectos da conduta humana, porque os individuosção desempenhá-lo nao somente ultrapassam as suas habilidades intelectuais e físicas, mas, também as suas individualidades (Larraguibel e Paravic, 2003).

Fazer com que as pessoas conhecam seu trabalho e desenvolvam plenamente suas capacidades, motiva e compromete os grupos de trabalhadores em direção aos objetivos comuns e compartilhados, porque se conse-guemumrespeito e conhecimento recíproco, fatores que são indispensáveis para obterse a eficiencia e equidade.

O trabalho, qualquer que seja, deve ser fonte de satisfação para quem o executa e urna via de realizaçao pessoal e desta forma tornase, por conseqüência, urna satisfação na vida familiar e social (Giovanizzi, 1997). Ele é o mediador de integração social, seja por seu valor económico, seja pelo aspecto cultural, tendo importancia fundamental no entendi-mento das questóes que envolvem a subjetividade, no modo de vida e, portante, na saúde física e mental das pessoas.

O destaque que se é dado ao trabalho na vida do individuo pode muitas vezes abalar o valor subjetivo que ele se auto atribuí, gerando sentimentos de desvalorizado, angustia, inseguranca, levando a insatisfação; seõesses fatores nao existirem podem leválo a satisfação (Seligmann-Silva, 1995). A importancia da satisfação nas atividades desenvolvidas no trabalho parece ser clara. Trabalhadores satisfeitos têm taxas mais baixas de absenteísmo eõestas podem ser um fator de decisão para a sua permanencia na instituição.

Existe relaçao entre a satisfação laboral e a saúde. Os sujeitos insatisfeitos no trabalho tendem a ficar doentes, manifestando desde enxaquecas até problemas vasculares, ou seja, aumentam-lhes as probabilidades de infarto e outras enfermidades, especialmente as de ordem psicológicas. Somenteõeste fato já é o suficiente para justificar os meios que levem a maior satisfação no ambiente laborativo, pois há diminuiçao com gastos a saúde e perda de individuos, prematuramente (Paravic', 1998).

As pessoas satisfeitas no trabalho, adotarao atitudes mais positivas diante da vida de urna maneira geral e consêqüentemente, poderao construir urna sociedade mais saudável, no que tange os aspectos biopsicosociais.

Na enfermagem essas assertivas aplicamse plenamente. Desenvolvido pelos membros da equipe de enfermagem em urna unidade de internaçao hospitalar, o trabalho repleto de rotinas diarias, com problemas internos e externos, com os trabalhadores vivenciando a recuperaçao e o risco de morte iminente das pessoas, leva-os a um desgaste psíquico e físico, de consideráveis proporcões. Acresce-se a esse fato que em geral, o trabalho realizado porõestas pessoas nao é bem considerado, pois sempre seõespera que eles sejam exemplos de serenidade indissolúvel (Haddad, 1999).

Como base nas reflexóes anteriores e prestando assistência de enfermagem em urna unidade feminina de internaçao de um hospitalõescola, motivamo-nos a desenvolver a presente investigaçao, pois empiricamente temos observado que a equipe de enfermagem, no seu cotidiano de trabalho, depara-se com momentos de angustia, estresse, tensões, alegrías, gerandolhe ora sentimentos de satisfação, ora de insatisfação.

Compreendemos o trabalho como um valor social que dignifica as pessoas sendo ne-cessário e fundamental para o ser humano e como tal, deve ser prioritariamente, causa de satisfação.

Diante do exposto, o presenteõestudo apre-senta como objetivos:

- Identificar se as auxiliares e técnicas de enfermagem de urna unidade de internação médico-cirúrgica vivenciam sentimentos de satisfação e insatisfação no trabalho e
- Identificar os fatores que mais contribuíram para a satisfação e insatisfação no trabalho dessas pessoas.

METODOLOGÍA

Em relaçao a natureza e local do estudo, trata-se de urna investigaçao exploratoria, que seguiu a linha quantitativa. Foi desenvolvido em urna unidade feminina de um Hospital Universitario, localizado na cidade de Londrina, no Norte doõestado do Paraná. Esta unidade era composta por 45 leitos daõespecialidade médico-cirúrgica, com um total de 39 funcionarías, todas do sexo feminino, nas seguintes categorías: 6 técnicas de enfermagem, 29 auxiliares e 4 atendentes, distribuidas em tres períodos de atendimento, sendo 11 no período da manhá, 12 no período vespertino e 16 no período noturno. Entreõestas últimas, 8 trabalham nas noites pares e 8 nas impares. Consta aínda no quadro de funcionarios 4 enfermeiras para os turnos matutino, vespertino e 2 para o noturno, ou seja, urna para os días pares e outra para os dias impares.

0 projeto desta pesquisa foi submetido ao Comité de Etica do Hospital Universitario do Norte do Paraná, tendo sido aprovado. Também foi solicitada a Diretoria de Enfermagem a autorizaçao para a sua execuçao, obtendo-se parecer favorável.

Constituíram-se sujeitos da pesquisa 26 profissionais de enfermagem que atuavam na unidade de internaçao feminina da especialidade médico-cirúrgica nos períodos matutino, vespertino e noturno. Destas pessoas, 24 eram auxiliares e 2 eram técnicas de enfermagem. Os criterios para incluSão foram: concordar em participar mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre eõesclarecido e pertencerção quadro ativo dos servidores há pelos menos um ano.

0 Instrumento para a coleta de dados era constituido de urna parte com questóes para o levantamento de dados pessoais e 9 pergun-tas que mensuraram o grau de satisfação ou insatisfação no trabalho, aplicadas numaõescala com a opçao dos sujeitos assinalarem entre cinco itens com alternativas assim distribuidas: nada; muito pouco; mais ou menos; bastante e extremamente. Vale ressaltar que o instrumento foi validado e utilizado na pesquisa de monografía intitulada Qualida-de de Vida no Trabalho dos Profissionais do Setor de Higiene de um Hospital Escola Público de Londrina (Nascimento, 1999).Este instrumento foi adaptado pelas pesquisado-ras com a finalidade de atingir os objetivos propostos na presente pesquisa.

As questóes relacionadas a insatisfa ao e satisfação foram agrupadas em: 1 - fatores que estavam relacionados com a equipe; 2- fatores relacionados com a chefia imediata e 3 -fatores relacionados as atividades inerentes ao trabalho.

A coleta de dados foi realizada pelas próprias pesquisadoras nos meses de outubro a dezembro de 2004. Foi entregue um envelope fechado a os sujeitos da pesquisa contendo o instrumento, urna cartaõesclarecendo os objetivos doõestudo, a data máxima de devoluçao do mesmo e duas vias do Termo de Consentimento Livre e esclarecido.

Os dados foram sistematizados em tabelas segundo freqüência absoluta (n) e percentual (%) sendo analisados através de procedimentos de estatística descritiva.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Todos os membros da equipe de enfermagem são do sexo feminino. Predominou a faixa etária entre 30 a 40 anos (73%). Quanto a renda familiar a maioria 87% recebe mais de tres salarios mínimos.

1. Fatores que estavam relacionados com a equipe

1.1. Relacionamento com a equipe: Dezessete das entrevistadas (65%) responderam que estavam bastante satisfeitas com o relacionamento de sua equipe no trabalho, 2 (8%) responderam extremamente e 6 (23%) afirma-ram estar mais ou menos satisfeitas.

O ambiente de trabalho é de suma importancia na vida das pessoas, sendo que a dinámica do interrelacionamento pessoal tem sido identificada como requisito fundamental para que o trabalho possa proporcionar satisfação, bemestar e saúde (Dias, 2001).

Os estudos de Batista, Vieira, Cardoso e Carvalho (2005), destacaram a importancia do inter-relacionamento com a equipe multi-profissional no ambiente laboral, sedoõeste, considerado como motivacional para o desenvolvimento das atividades, dos membros da equipe.

Apesar da maioria das entrevistadas esta-rem satisfeitos com o inter-relacionamento pessoal, há que se destacar a necessidade ain-da de um repensar junto aõesta equipe, urna vez que 6 sujeitos estao mais ou menos satisfeitos. Isto denota que há certo grau de insatisfação entre os trabalhadores, devendo re-ceber urna atençao especial para se evitar um desencadeamento maior de insatisfação.

As relacões humanas constituem a base do trabalho do profissional de saúde, urna vez que nao há possibilidade de separar-se o fisiológico do psicológico (Souza, Silva e Saleh, 2005).

O grau de satisfação e também de motivaçao pode afetar a harmonia e a estabilidade psicológica dentro do de trabalho. Assim sendo, é necessário investigar e analisar constantemente os fatores de satisfação e motivaçao, pois São componentes significativos dentro da organizaçao (Antunes e Sant'anna, 1996).

Larraguibel e Paravic' (2003) pesquisando o nivel de satisfação laboral de enfermeiras identificaran! que a interaçao com os seus pares, seus supervisores e as atividades que realizavam foram os fatores que obtiveram maior grau de satisfação entre pesquisados.

1.2. Possibilidade de exporem suas idéias: 11 das que fizeram parte da pesquisa (42%) apontaram que têm bastante oportunidade de verbalizarem suas idéias, 7 (27%) responderam mais ou menos; 6 (23%) afir mar am que tem muito pouca oportunidade para se ex-pressarem e 2 (8%) referiramõestarem nada satisfeitas com a possibilidade de exporem suas idéias.

O maior número de sujeitos do grupo ex-pressou, terem bastante oportunidade para expor suas idéias. O uso da palavra, da exposiçao das idéias é urna oportunidade rica, em que a discusSão, as perplexidades e opinióes tornam-se públicas e, assim, podem transformar a insatisfação em satisfação (Martins e Robazzi, 2006). A possibilidade de se expres-sar pode ser urna forma importante para a satisfação nas atividades laborativas (Ferreira eMendes,2001).

Nao se pode desconsiderar que grupo pesquisado houve um percentual considerável de insatisfação, quando as pessoas expuseram que nao se sentem a vontade para colocar as suas idéias. Deve-se trabalhar com esta questao, visto que é a partir das discussóes, nos debates, nas diferentes opinióes é que crescem as iniciativas, a criatividade e a possibilidade de realização dos desejos, ou seja, a satisfação.

Corrobora com esse pensamento Davis e Newstrom (1996) ao afirmarem que se deve proporcionar e incentivar a formaçao grupos sociais, criar espacos para a comunicaçao, pois contribuem de maneira substancial para a satisfação que os funcionarios têmção sentirse pertencenteção grupo.

1.3. Disposiçao para receber informacões: ao responderem sobre a o grau de concordancia quanto a disposição para receber informacões necessárias no cotidiano, verificamos que 17 (65%) afirmaram que se encontrara mais ou menos dispostas a receberem informacões, 6 (23%) estao bastante dispostas, 2 (8%) muito pouco e 1 (4%) afirmou apresentar extremamente disposição para tal.

E baixo o número de trabalhadores que estao abertos para novas informacões. esses achados podem ser compreendidos como urna defesa dos trabalhadores, queç ao nao encontrarem espaco necessário para transformar e repensar a relação com o trabalho, passa a agir no sentido de urna resistencia com tendencia a alienaçao quanto as atividades laborativas (Hirata, 1989).

Surgem inquietacões quando o trabalhador tem que realizar tarefas diferentes das quais estava rotineiramente acostumado, sentindo-se invadido pelos sentimentos mais extremos, numa escala que oscila entre a satisfação e a insatisfação. E responsabilidade das chefias, gerentes, instituição e, especialmente da equipe de enfermagem, organizar o trabalho buscando alternativas e estrategias originadas do próprio grupo, para que mudancas possam realmente efetivarse sem, no entanto, desprezar o referencial comum formado pela organização necessária ao mesmo.

Dejours (2000) refere que quando o individuo tem de fazer o que nao fazia antes, isso pode significar reprovaçao, que nao passa somente pela questao moral, social, culpa ou superego, mas é urna traiçao ao próprio eu, um risco de perder a identidade, podendo proporcionar urna "ferida".

2. Fatores relacionados com a chefia imediata

2.1. Resoluçao dos problemas levados para chefia solucionar: Catorze (14) 54% das entrevistadasõestavam mais ou menos satisfeitas com a resoluçao dos problemas que foram levados para a chefia solucionar, 9 (34%) bastante satisfeitas e 2 (8%) pouco satisfeitas.

Esses resultados nos levaram a algumas consideracões: muitos dos problemas podem nao ter encontrado governabilidade para serem resolvidos; nem todos foram considerados relevantes pela chefia; muitos nao foram solucionados da forma como desejavam os trabalhadores ou, ainda, a chefia nao buscou as solucões conjuntamente com os trabalhadores.

Quando as chefias/gerentes envolvem os trabalhadores na soluçao dos problemas, certamente eles sentir-se-ao incluidos, valorizados e respeitados; ficando mais fácil lidar e dar suporte para que a equipe envolva-se também com os problemas que surgem. Isso nao significa retirar a responsabilidade das chefias, mas sim exercer urna administraçao mais participativa (Dias, 2001).

O trabalhador,ção se sentir útil, produtivo com possibilidades de atualizar seu potencial, compatibilizar suas competencias técnicas as tarefas determinadas pela instituiçao e tendo o espaco para usar sua criatividade, bem como, para participar do planejamento das decisóes sobre seu trabalho, fortalece sua identidade de sujeito a medida que sua auto-imagem é reforcada existindo possibilidades de realizaçao pessoal (Mendes, 1995).

O resultado apresentou também um percentual significativo de individuos que estao bastante satisfeitos com a resoluçao dos problemas. este é um dado demonstrativo que trabalhar com a subjetividade é bastante complexo, exigindo preparo de todos para a compreenSão de que cada ser um humano é único, com pensamentos e percepcões diferentes e os profissionais têm que entender e saber trabalhar com as diferencas, que podem ser positivas ou negativas, mas sempre respectando a individualidade com o objetivo de atingir as metas do trabalho, levando em consideraçao os executores dessas tarefas.

2.2. satisfação/insatisfação com a chefia imediata: Os resultados mostraram que 9 (35%) das entrevistadas estavam bastante satisfeitas com suas chefias; 9 (35%) mais ou menos e 5 (18%) extremamente. Os sentimentos foram diversos, mostrando mais uma vez que a satisfação ou insatisfação é uma variável multidimensional porquanto depende de varios fatores, que São representados pelos diversos agentes e evento dos trabalhos, tais como as atividades, os chefões entre outros. Quanto mais o supervisor ou chefe é visto como um facilitador dentro da equipe, maior será o grau de satisfação dos individuos no ambiente laboral (Locke, 1976).

Porém é fato que a organizaçao do trabalho de enfermagem e sua complexidade técnica e os problemas ligados á coordenaçao e supervisão ao geradores de carga psíquica nas chefias. esse tipo de carga dificulta muitas vezes o relacionamento entre os membros da equipe (Pedrosa, 1999).

Nao há dúvida, que apesar das dificuldades enfrentadas pelas chefias quando há companheirismo, clima ameno para o trabalho e o chefe conduz as atividades permitindo o crescimento e propiciando a auto-realização do trabalhador, certamente as pessoas estarao mais satisfeitas para trabalhar e, por conseqüência, mais felizes com sua vida particular, refletindo diretamente em beneficios para uma melhor assistência a os pacientes.

2.3. satisfação/insatisfação relacionada com a distribuiçao de tarefas: Os resultados reve-laramque 10 (39%) estao bastante satisfeitas, 9 (35%) mais ou menos e 6 (22%) extremamente.

A enfermagem costuma trabalhar com a divisão de tarefas, ou seja, estrutura-se principalmente em torno da realização de procedimentos, de forma mecánica denotando a existencia de principios tayloristas.

Trabalhar com as aptidóes psicomotoras, psicossensoriais e psíquicas, é uma condiçao para se obter prazer no trabalho ou satisfação ao desenvolver suas tarefas; quando isso é possível, ocorre uma diminuição na carga psíquica do individuo e um equilibrio na carga fatigante ou de insatisfação laboral (Dejours, 1994).

No entanto, as chefias na maioria das vezes, devido as diferentes atividades desenvolvidas pela enfermagem, nao conseguem alocar todos os funcionarios na tarefa que eles mais gostariam de realizar, trazendo-lhes insatisfação. Para amenizarõesta situação há que seõ stabelecer uma forma de organizar o trabalho que permita um rodízio de atividades de acordó com a competencia de cada categoría, sem que traga prejuízos á assistência a os pacientes e a própria instituição.

3. Fatores relacionados as atividades inerentesção trabalho

3.1. Significado do trabalho que realizam: os resultados relacionados com as atividades próprias do trabalho revelaram que 12 (46%) das entrevistadasõestao bastante satisfeitas com o significado do trabalho que realizam e 14 (54%) informaram estar extremamente satisfeitas.

0 trabalho é muito importante, pois desponta como algo que complementa e dá sentido a vida, transcende o simples atendimen-to de necessidades, sejamõestas de ordem emocional ou económica (Lunardi Filho, 1995). No entanto, se for desprovido de significaçao, sem suporte social, nao reconhecido ou que se constitua em fonte de ameaca a integrida-de física e/ou psíquica, pode desencadear insatisfação levandoção sofrimento psíquico (Dias.2001).

Em pesquisa realizada por Borges (1998) sobre o significado do trabalho, a realizaçao pessoal surge como fator valorativo do trabalho, significando que o labor deve proporcionar satisfação/prazer, aspecto que se considera in érente,ção ato de produzir. E atribuidoção significado do trabalho a funçao de gerar éxito, realizaçao profissional, crescimento pessoal, desafios intelectuais, responsabilidade e satisfação quando do contato com o conteúdo da tarefa. Assim sendo, para ser significativo deve haver uma tentativa de combinar produtividade e condicões de trabalho, ou seja, busca de uma correlaçao entre necessidades físicas e psicossociais dos trabalhado-resçãos métodos, processo e instrumentos de trabalho usados por eles.

3.2. Sobrecarga no trabalho: Os resultados demonstraran! que 13 (50%) sentem-se mais ou menos sobrecarregadas, 9 (35%) bastante e 4 (15%) extremamente.

O tipo de atividade desenvolvida pelas trabalhadoras de enfermagem por si só, já traz um componente de sobrecarga, poisõestao lidando com a vida e a morte.

Destacamos que no local, conforme as informacões encontradas em relatórios da instituiçao relativos ao ano de 2004, há muito absenteísmo, sendo que nos meses de outubro ocorreram 6 ausencias previstas e 2 nao previstas, em novembro houve 6 previstas e 2 nao previstas e em dezembro 5 previstas e 1,4 nao previstas. Isso sobrecarregou os trabalhadores que assumiram atividades que seriam distribuidas entre os outros colegas.

O absenteísmo na enfermagem é preocupante, porque provoca uma desorganizado nos servicos favorecendo o surgimento de insatisfação e sobrecarga entre os trabalhado-res queõestao desenvolvendo atividades e consêqüentemente diminuí a qualidade da assistência prestada ao paciente (Silva e Marziale, 2000).

Assim sendo, a quantidade insuficiente de funcionarios em todos os turnos propicia dificuldades para a realizaçao de algumas a atividades, pois eles fleam sobrecarregados e isso repercute na qualidade do cuidado. Desta forma, o trabalho torna-se desgastante, intenso e estressante, colaborando para a insatisfação laboral (Lunardi Filho, 1995; Mendes, 1999; Cura e Rodrigues, 1999).

As maiores dificuldades no atendimentoção paciente estao relacionadas a falta de pessoal de enfermagem, impedindo a execuçao de alguns cuidados, de acordó com os intervalos prescritos, acarretando lentidao da recuperação do paciente e aumento do tempo de internaçao (Lunardi Filho, 1995).

3.3. Reconhecimento dos colegas pelo trabalho realizado: Das entrevistadas 5 (20%) afirmaram que se sentem muito pouco reconhecidas pelos colegas, 10 (38%) mais ou menos e 11 (42%) extremamente.

Há diversidade de opinióes nas respostas, ou seja, ao agruparmos as que se sentem muito pouco reconhecidas com as que afirmaram mais ou menos, constatamos que há um per-centual elevado, permitindo-nos inferir que o grau de satisfação ainda encontra-se deficitario.

O reconhecimento é entendido como o sentimento de ser aceito e admirado no trabalho e ter a liberdade para se expressar junto ás chefias, colegas, instituiçao e clientes, entre outros. Este fator quando nao é considerado leva há interferencias nas atividades desenvolvidas pelo trabalhador que vao desde os aspectos físicos atéção psicosociais (Mendes, 1999).

Os trabalhadores referem satisfação quando o paciente expressa gratidao e reconheci-mento pelo seu trabalho; o reconhecimento da equipe de saúde pelo trabalho realizado é fundamental para a satisfação e o prazer na realizaçao das atividades (Lunardi Filho, 1995).

O trabalho significa realizaçao e identidade. Para produzir algo, o trabalhador deve ser reconhecido e valorizado pelo que faz. O resultado de quem trabalha, é geralmente, obtido a custa de esforcos. Portanto, nada mais justo que essa contribuiçao seja reconhecida no desempenho da sua tarefa, pois, quando passa despercebida ou é negada pelos outros, pode acarretarlhe em sofrimento ou insatisfação (Dejours, 2000).

Corrobora com esse pensamento, Larraguibel e Paravic (2003) ao referirem que ao se perceber a falta de reconhecimento pela instituiçao, colegas, sociedade dentre outros a insatisfação pode ser um fator negativo para os profissionais na vida particular, nas atividades de trabalho, podendo trazer desgastes e conseqüências negativas para a vida pessoal, laboral e que por sua vez pode afetar as atividades desenvolvidas junto a os pacientes que e podem repercutir na sociedade onde vivemos.

REFLEXÕES FINAIS

O conjunto de informacões apresentadas neste estudo correspondeu a urna pequeña parte do total de trabalhadores da equipe de enfermagem da unidade investigada. Os resultados foram constituidos pela subjetividade das experiencias e vivencias de cada sujeito.

A satisfação no trabalho é um estado emocional prazeroso que resulta da apreciaçao que o individuo faz das atividades laborativas e que lhe permitem obter resultados que se direcionamção encontró as suas necessidades físicas, psicológicas e emocionáis.

Evidenciou-se neste estudo que o trabalho pode ser percebido de diferentes maneiras considerando-se que cada um tem a sua concepçao de mundo, suas aspiracões, suas tristezas e suas alegrias. A satisfação no trabalho é somente urna das tantas variáveis da sua dimensão. Ela produz urna variedade de conseqüência para os individuos, que pode afetar sua atitude em relaçao a vida, a familia, a si mesmo, bem como pode influenciar diretamente na assistência prestadaçãos pacientes. Assim sendo, cabe cada vez mais a equipe de enfermagem buscar espaços para discussões coletivas, pois através da comunicaçao pode identificar os problemas, aceitando-os com a finalidade de buscarem-se as possíveis solucões, tornando o ambiente de trabalho mais humanizado e harmónico. Desta forma, os beneficios serao coletivos, ou seja, para a equipe de enfermagem, pacientes, familiares, instituição e sociedade.

 

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Fecha de recepción: 06/03/06. Fecha de aceptación: 10/05/07.
 

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