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Ciencia y enfermería

versión On-line ISSN 0717-9553

Cienc. enferm. v.14 n.2 Concepción dic. 2008

http://dx.doi.org/10.4067/S0717-95532008000200008 

CIENCIA y ENFERMERÍA XIV (2): 55-64,2008

INVESTIGACIONES

EFEITOS ADVERSOS IDENTIFICADOS EM LOCAL DE INFUSÃO INTRAVENOSA PERIFÉRICA POR DROGAS QUIMIOTERÁPICAS*

ADVERSE EFFECTS IDENTIFIED AT THE LOCATION OF PERIPHERAL INTRAVENOUS INFUSIÓN BY CHEMOTHERAPY DRUGS

EFECTOS ADVERSOS POR DROGAS QUIMIOTERÁPICAS IDENTIFICADOS EN EL SITIO DE INFUSIÓN INTRAVENOSA PERIFÉRICA

 

Paula Elaine Diniz dos Reis **, Cíntia Capucho Rodrigues***, Christiane Inocêncio Vasques****, Emília Campos de Carvalho*****

** Enfermeira, Doutoranda da EERP-USP, bolsista do CAPES.

*** Enfermeira, Mestranda da EERP-USP.

**** Enfermeira, Doutoranda da EERP-USP, bolsista do CAPES.

***** Enfermeira, Professora Titular do Departamento de Enfermagem Geral e Especializada da EERP-USP.

Correspondência: Emília Campos de Carvalho. E-mail: ecdcava@usp.br . Av Bandeirante 3900 CEP 14040-902 Ribeirão Preto-SP.


RESUMO

A rede endovenosa é urna das principáis vias para administração de quimioterápicos e requer um cuidado especial na prevenção de extravasamento. Este estudo tem como objetivo verificar a incidência de alterações locáis na rede venosa de individuos em tratamento oncológico por quimioterapia. Trata-se de um estudo ob-servacional longitudinal, com 15 sujeitos, maiores de 18 anos, sendo 11 do sexo feminino. Foram observadas 20 punções venosas, realizadas predominantemente em membros superiores(n=19). Antes da quimioterapia o local de acesso apresentava-se íntegro (n=18), rede venosa com trajeto tortuoso (n= 11) e de pequeño calibre (n= 11). A maioria das punções foi realizada por enfermeiros, com dispositivo intravenoso de agulha rígida (n= 19) calibre 23 (n= 12). Durante a punção houve verbalização de dor (n= 2), queimação (n= 3) e ardência (n= 1) ao longo do trajeto venoso; as manifestações locáis observadas foram eritema (n= 1), edema (n= 5) e extravasamento (n= 3). Imediatamente após a remoção do dispositivo de infusão ocorreram eritema (n=3), hematoma (n=l). Tardíamente houve hematoma (n=5), eritema (n= 2), fleboesclerose (n= 2) e verbalização de dor no local (n= 1). A identificação dos efeitos adversos relacionados a infusão endovenosa periférica de quimioterápicos torna possível o desenvolvimento de estrategias de assistência de enfermagem capazes de reduzir e prevenir tais danos ao paciente.

Palavras chave: Cateterismo periférico, infusoes intravenosas, efeitos adversos, enfermagem, cuidados de enfermagem.


ABSTRACT

The intravenous system is one of the main chemotherapy administration routes and requires special care to prevent extravasations. This study aims to verify the incidence of local changes in the venous network of cáncer patients under chemotherapy. This observational and longitudinal study involves 15 patients over 18 years oíd, 11 of whom were women. Twenty venous punctures were observed, mostly in the superior limbs (n=19). Before chemotherapy, the access location was found intact (n=18), tortuous venous system (n=ll) of small caliber (n=ll). Most punctures were performed by nurses, using a peripheral intravenous device with a rigid needle (n=19), caliber 23 (n=12). During the puncture, there was verbalization of pain (n=2), burning (n=3) and stin-ging (n=l) along the venous pathway; erythema (n=l), edema (n=5) and extravasaron (n=3) were observed as local manifestations. Immediately after the removal of the infusión device, erythema (n=3) and hematoma (n=l) were observed. Later on, hematoma (n=5), erythema (n=2), phlebosclerosis (n=2) and verbalization of pain in the infusión site (n=l) occurred. Identifying the adverse effects related to the peripheral intravenous infusión of chemotherapy makes it possible to develop nursing care strategies that can reduce and prevent this damage in patients.

Keywords: Catheterization, peripheral; infusions, Intravenous; adverse effects; nursing; nursing care.


RESUMEN

La vía endovenosa es una de las principales vías para la administración de quimioterápicos y requiere un cuidado especial en la prevención de la extravasación. Este estudio tiene por objetivo verificar la incidência de alteraciones locales en la red venosa de individuos en tratamiento oncológico con quimioterapia. Este estudio tiene característica observacional y longitudinal, con 15 personas mayores de 18 años, siendo 11 del sexo femenino. Fueron realizadas 20 punciones venosas, la mayor parte en miembros superiores (n=19). Antes de la quimioterapia, el sitio de acceso se presentaba íntegro (n=18), red venosa con trayecto tortuoso (n=ll) y de pequeño calibre (n=l 1). La mayor parte de las punciones fue realizada por enfermeros, utilizando un dispositivo intravenoso periférico de aguja rígida (n=19), calibre 23 (n=12). Durante la punción se registró verbalización de dolor (n=2), quema (n=3) y ardor (n=l) a lo largo del trayecto venoso; las manifestaciones locales observadas fueron eritema (n=l), edema (n=5) y extravasación (n=3). Inmediatamente después de retirar el dispositivo de infusión se manifestó eritema (n=3) y hematoma (n=l). Tardíamente se registró hematoma (n=5), eritema (n=3), fleboesclerosis (n=2) y verbalización de dolor (n=l). La identificación de los efectos adversos relacionados a la infusión endovenosa periférica de quimioterápicos permite desarrollar estrategias de atención de enfermería capaces de disminuir y prevenir tales daños al paciente.

Palabras clave: Cateterismo periférico, infusiones intravenosas; efectos adversos, enfermería, atención de enfermería.


 

INTRODUÇÃO

O cáncer, de um modo genérico, pode ser definido como urna doenca na qual há multiplicação e disseminação pelo organismo de formas celulares anormais. É a segunda causa de morte por doencas no Brasil, subseqüen-temente ás doencas cardiovasculares (Ministerio da Saude de Brasil, 2005).

Existem, atualmente, quatro possíveis formas de abordagem no tratamento de urna neoplasia maligna: excisão cirúrgica, irradiação, quimioterapia e terapia biológica. A escolha dentre essas opções depende do tipo de neoplasia, do estágio em que se encontra seu desenvolvimento e das especificidades celulares do tumor.

Dentre as modalidades terapéuticas, destaca-se a quimioterapia que consiste no emprego de substancias químicas, isoladas ou em combinacáo, que atuam diretamente ñas células, interferindo no processo de crescimento e divisão celular, bem como em micrometástases, impossíveis de serem detectadas por exames clínico, radiológico e cintilográfico.

Os quimioterápicos podem ser classificados, de acordó com sua acáo a nivel celular, em drogas ciclo celular específico e drogas ciclo celular não específico. Bonassa y Santa-na (2005) referem que as drogas ciclo celular específico são mais ativas no combate as células que se encontram em urna determinada fase do ciclo, em geral fase síntese (S) ou mitose (M). Assim sendo, são efetivas no tratamento dos tumores de divisão rápida e ativa. Já as drogas ciclo celular não específico são letais as células em qualquer fase do ciclo, pois atuam sobre a fracáo proliferativa e não proliferativa do tumor. De acordó com sua estrutura química e funcáo a nivel celular, podem ser divididos em sete grandes grupos: agentes alquilantes, antimetabólitos, antibióticos antitumorais, agentes hormonais, alcaloides da vinca, nitrosuréias e miscelânea.

A quimioterapia, embora tenha se mostrado efetiva no tratamento das doencas neoplásicas, apresenta varios efeitos colate-rais por atuar em todas as células do organismo que se encontram em fase de divisão celular; contudo ainda é considerada viável devido a rápida e total recuperacáo dos teci-dos sadios frente ás células tumorais (Ministerio da Saude de Brasil, 2008).

Existem diversas vias para administração de quimioterapia, a saber: oral, intramuscular, subcutânea, endovenosa, intrarterial, intratecal, intraperitoneal, intrapleural, in-travesical, intra-retal e aplicacáo tópica. A via endovenosa é considerada a via de administração mais segura no que se refere á absorcáo e manutencáo do nivel sérico da droga. O acesso a ela pode ser feito por meio de puncáo de veia periférica ou através de catéteres, tanto de curta quanto de longa permanência (Bonassa & Santana, 2005).

Entretanto, cuidados especiáis devem ser dispensados quação da utilizacáo dessa via de administração, principalmente devido á toxicidade local, vascular e dermatológica, causada por grande parte dos quimioterápicos. Dentre os sinais e síntomas que caracterizara tal toxicidade figuram o desconforto passageiro no local de puncáo, vasoespasmo, dor, eritema, flebite e necrose tecidual severa, comprometendo ñervos e tendóes, ocasionada pelo extravasamento de drogas vesicantes no tecido vizinho á veia puncionada (Phi-llips, 2005), podendo chegar até a sensacáo de morte eminente (Wilkes, 2008).

Há dois grupos de agentes antineoplásicos que causam alterações locáis: o das drogas irritantes, que quação infiltradas nos teci-dos, fora do trajeto venoso, causam desconforto local ao longo da veia associado á hiperemia local; e o grupo das drogas vesicantes, cuja infiltracáo nos tecidos, fora do trajeto venoso, leva a fixacáo da droga ao DNA da célula produzindo lesão celular imediata, provocação irritacáo severa, podendo formar vesículas e subseqüente necrose tecidual (Oestreicher, 2007).

Na prática de enfermagem observam-se situações em que estáo presentes fatores de risco ou etiológicos de danos á rede venosa ou das estruturas próximas a ela, isto é, lesação diretamente a estrutura do vaso ou de tecidos vizinhos, decorrente quer da presenta do dispositivo de infusão ou de líquidos infundidos ou drenados Tais alterações são denominadas de risco de trauma vascular ou trauma vascular, respectivamente (Arreguy-Sena & Carvalho, 2007; Arreguy-Sena, 2002). Dentre as causas, destacam-se o contato de líquidos (vesicantes ou não vesicantes) com o espaco extra-vascular ou epiderme, o uso do mesmo sitio para múltiplas punções ou em pequeños intervalos de tempo, garroteamento por tempo excessivo, correlacáo indevida entre calibre do vaso e do dispositivo empregado, excesso de circuito sem fixacáo efetiva, transfixacáo de vasos ou deslocamento da agulha no interior do vaso, tempo prolongado de uso do mesmo sitio, excesso de adesivos ñas áreas adyacentes aos dispositivos, falta de oclusão eficaz, umidade ou sujidade nesses locáis (Maki & Ringer, 1991; Hadaway, 2002; Phillips, 2005; Bonassa& Santana, 2005; Arreguy-Sena & Carvalho, 2007). Freqüentes trombocitope-nias e fragilidade vascular devido ao déficit nutricional em decorrência da doenca tambera foram apontadas por Bonassa y Santana (2005) como responsáveis pela ocorrência de tais danos.

Dada a relevancia de se identificar fatores de risco ou etiológicos dessas lesoes a fim de que possam ser estabelecidas metas de reducáo desses indicadores, realizou-se o presente estudo, cujo objetivo foi verificar a ocorrência de alterações locáis (trombofie-bite, dor, eritema, vasoespasmo, vesículas e necrose tecidual) na rede venosa periférica de individuos adultos submetidos a quimioterapia endovenosa.

MATERIAL E MÉTODOS

O presente estudo, de caráter descritivo, longitudinal, foi realizado em urna instituicáo hospitalar filantrópica, com atendimento multidisciplinar a individuos portadores de neoplasias malignas em regime de Hospi-tal-Dia (HD); contação com 10 leitos e 03 poltronas para atender os usuarios (ambos os sexos e diferentes faixas etárias) agenda-dos previamente. A equipe de enfermagem responsável pelo atendimento era formada por seis profissionais: tres enfermeiras e tres auxiliares de enfermagem. O projeto foi aprovado pelo Comité de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeiráo Preto-USP.

Sujeitos:

Urna amostra de conveniência foi composta por individuos atendidos na referida instituicáo para realizacáo de quimioterapia endovenosa periférica. Foram incluidos aqueles que atendiam aos seguintes criterios: -maiores de 18 anos; diagnóstico de neoplasia maligna; -em tratamento quimioterápico por via endovenosa periférica, único ou em concomitancia com outra modalidade de terapéutica não endovenosa (como por exemplo, a radioterapia) desde que esta não estivesse sendo realizada nos membros superiores (sitio de possível puncáo venosa periférica) no período de coleta dos dados; -atendidos no HD pelo menos duas vezes no período em que os dados foram coletados; -não estives-sem recebendo nenhuma outra medicacáo endovenosa por via periférica no sitio de puncáo da quimioterapia, entre os períodos de atendimentos no HD em que estava sendo realizada a coleta de dados, quer seja através de atendimentos em instituições hospitalares com regime de internação convencional, ou em servicos de emergência, domiciliar e Unidades Básicas de Saúde; -concordassem em participar do estudo, externação seu aceite por meio da assinatura do "Termo de Con-sentimento Livre e Esclarecido Pos-Informado" de acordó com a Resolucáo 196/96 do Ministerio da Saúde - Brasil.

Procedimentos:

A coleta de dados foi realizada, por urna das pesquisadoras, ñas dependências do HD, após a assinatura do termo de consentimento livre esclarecido com as devidas elucidações sobre sigilo, anonimato e livre participacáo no estudo.

A pesquisa consistiu da observacáo do sitio de puncáo do individuo em tres momentos, a saber: antes da insercáo do catéter para a puncáo venosa periférica a fim de caracterizar a integridade da rede venosa e da pele do mesmo; no momento da puncáo venosa para registrar o tipo de procedimento (técnica da puncáo) e o material utilizado na execucáo desta e, posteriormente (urna hora após a infusão e no retorno, até 30 dias), para identificar possíveis alterações na rede venosa, subseqüentes á administracáo da quimioterapia endovenosa.

O instrumento de coleta de dados utilizado era composto de questoes abertas e fechadas. Estas permitiram caracterizar a amostra quanto a idade, sexo e patologia; e ainda, registrar os dados obtidos pelos métodos de mensuracáo e de observacáo, por meio das técnicas semiológicas (inspecáo e palpacáo), sobre o local de insercáo do catéter endovenoso periférico e áreas adjacentes, em plano superficial e profundo. Tal observacáo foi realizada em quatro momentos distintos, a saber: antes da insercáo do dispositivo, durante a infusão da medicacáo, no período pos imediato (até 1 hora após a remocáo do dispositivo) e tardio (no próximo retorno). As alterações estudadas foram: trobomfie-bite, dor, eritema, vasoespasmo, vesículas e necrose tecidual.

Resultados

Caracterização da amostra

A amostra foi constituida por 15 sujeitos, sendo 11 mulheres e quatro homens, cuja idade media apresentada foi de 55,3 anos.

Dentre as neoplasias que acometeram os individuos do sexo masculino, 02 sujeitos apresentavam cáncer de intestino (adeno-carcinoma de colon), 01 cáncer de laringe e 01 cáncer de estómago. No sexo feminino houve predominio de neoplasias do ovario e hematológicas contação, com 03 sujeitos cada urna délas, seguidas pelas neoplasias de mama e intestino com 02 sujeitos cada; identificou-se ainda a de pulmáo com 01 sujeito.

Caracterização do sítio venoso

A avaliacáo da pele realizada imediatamen-te antes do procedimento de punção venosa evidenciou que a maioria dos sujeitos (n=13) apresentava pele íntegra no sitio de punção; os demais apresentavam escoriações e descamações. As características relacionadas á coloracáo da pele e turgor também foram avahadas e estáo descritas na Tabela 1.


Em relacáo á localização da punção, apenas um sujeito foi puncionado no membro inferior. As punções em membro superior ocorre-ram ñas veias do dorso da máo (n= 12) e da face anterior do antebraco (n= 7). Cabe destacar que quatro sujeitos foram puncionados mais de urna vez, totalização 20 punções. As avaliações do trajeto, calibre e visualizacáo da rede venosa desses sujeitos estáo descritas na Tabela 2, porém duas punções não puderam ser avahadas quanto a esses criterios devido a impossibilidade de visualizacáo e palpacáo da mesma no local de punção. Houve garro-teamento do membro puncionado em todos os procedimentos, sendo que o tempo não foi superior a dois minutos em 85% deles.


Em relacáo ao dispositivo intravenoso utilizado, foi empregado o dispositivo de agul-ha rígida em 19 das vinte punções. Quanto ao calibre, o número 21 foi utilizado em 06 punções, o número 23 em Íleo número 25 em 01. A única punção realizada com dispositivo intravenoso fiexível utilizou o calibre 24. Destaca-se que todos os dispositivos foram fixados por adesivo tipo micropore, geralmente com dois ou tres fragmentos do material localizados sobre o dispositivo, per-pendicularmente a insercáo do mesmo.

O álcool a 70% foi utilizado para rea-lizacáo da antissepsia da pele em todas as punções. A fim de manter a permeabilidade do acesso venoso e retirada de residuos de quimioterápicos foi utilizado soro fisiológico a 0,9% (n= 14) e soro glicofisiológico (n=6), antes e após a infusão de cada um dos agentes quimioterápicos.

Efeitos Adversos Identificados Durante a administracáo dos quimioterápicos os principáis efeitos adversos verbaliza-dos pelos sujeitos foram dor (n= 2) e quei-macáo (n=3) ao longo do trajeto venoso e ardência no local de punção venosa (n= 1). Frente aos eventos descritos, além de observar atentamente o local de punção venosa, a conduta tomada pela equipe de enfermagem foi a realizacáo de manobras para teste de re-fluxo sanguíneo e diminuicáo da velocidade do gotejamento.

Quação observado o local de acesso venoso durante a infusão do quimioterápico, as manifestações identificadas foram eritema local (n= 1), edema (n= 5) e extravasa-mento (n= 3). Nestas situações, a equipe de enfermagem optou pela retirada do dispositivo venoso. Nos casos de extravasamen-to, inicialmente realizou-se a aspiracáo do conteúdo extravasado e posterior aplicação de antídotos, previamente estabelecidos em protocolo pela instituicáo.

Foram observados, após o término da infusão e retirada do dispositivo venoso, as seguintes reações locáis: eritema (n= 3) e hematoma acompanhado de edema (n=l). Tardíamente, foram identificados hematoma (n=5), eritema (n= 2), fleboesclerose (n= 2) e dor no membro (n= 1).

DISCUSSÃO

Caracterização dos sujeitos

Segundo Ministerio da Saude de Brasil (2008), o cáncer é um problema de saúde pública neste país devido ao envelhecimento da populacáo, dentre outros fatores, pois favorece maior exposição a fatores ambientáis e mudancas comportamentais que facilitam o desenvolvimento de neoplasias. De acordó com as estimativas do Ministerio da Saúde de Brasil (2007), os tipos de cáncer mais incidentes na populacáo masculina são os de pele não melanoma, próstata, pul-máo e estómago. Ñas mulheres, destacam-se as neoplasias de pele não melanoma, mama, coló de útero, colon e reto, respectivamente. Embora o tamanho da amostra limite aná-lises de cunho epidemiológico, é possível afirmar que as neoplasias identificadas nos participantes deste estudo reiteram os dados supracitados.

Caracterização do sitio:

As observações realizadas no local de puncáo, previamente ao procedimento, evidênciaran! condições hígidas dos vasos sanguíneos. Apenas 10% dos sujeitos apresentavam es-coriações e descamações cutâneas, possivel-mente relacionadas ao efeito colateral dos agentes quimioterápicos que estes haviam recebido..

Apesar de 65% apresentarem alterações na coloracáo da pele, esta é urna condicáo freqüente na populacáo, devido á toxicidade hematológica causada pelos quimioterápicos.

Outra alteracáo observada foi em relacáo ao turgor da pele, sendo 20% dos sujeitos classificados como turgor diminuido. Segundo Smeltzer y Bare (2005), a diminuição da turgidez da pele pode estar relacionada com o déficit de volume líquido corporal devido á reducáo da ingestáo hídrica ou eliminacáo por perda ativa associada ás náuseas e vómitos, efeitos colaterais comuns na populacáo em estudo.

No presente estudo, observou-se que a maior parte das punções foram realizadas em membros superiores. As recomendações da literatura são imperativas ao afirmar que se deve puncionar, preferêncialmente, as veias dos membros superiores para a admi-nistracáo de quimioterápicos. Aquelas localizadas nos membros inferiores raramente devem ser usadas devido ao alto risco de ocorrência de tromboembolismo, salvo em situações especiáis. Mesmo quação se pun-ciona veias em membros superiores, algumas ações devem ser evitadas, a saber: puncionar veias abaixo de urna infiltracáo endovenosa previa ou área flebítica; veias excessivamente puncionadas, esclerosadas ou trombosadas; membros que tenham derivacáo ou fístula arteriovenosa, acometido por edema, metás-tases, infeccáo, dilaceracáo da pele; membro homolateral ao esvaziamento linfático axilar devido ao comprometimento do retorno venoso, ou ainda, com disturbios motores e/ou sensoriais como plegia, paresia e parestesia (Bonassa & Santana, 2005; Smeltzer & Bare, 2005; Hadaway, 2004).

Os dados apontam que apenas 5% dos vasos puncionados eram de grande calibre. Além disso, menos da metade das veias apresentavam-se visíveis e palpáveis no momento da puncáo. Bonassa & Santana (2005) reco-menda a puncáo de veias de medio a grande calibre, pouco tortuosas e movéis, evitação aquelas que se apresentam rígidas, endurecidas, doloridas ou com alterações de cor.

Os pacientes submetidos a tratamento oncológico, freqüentemente, apresentam rede venosa precaria, dificultação a puncáo. Os dados apresentados demonstram que o dispositivo endovenoso periférico com agu-lha rígida, calibre 23, foi o mais empregado para puncáo. Hadaway (2004) e Oestreicher (2007) sugerem que o uso de catéteres periféricos de menos calibrosos provocam menor trauma ao vaso, reduzindo o risco de extravasamento; além de assegurar maior fluxo sanguíneo em torno do catéter, o que promove a hemodiluicáo das drogas infun-didas.

Em contraposicáo, Nascimento y Souza (1996) aponta que o calibre do dispositivo não interfere significativamente na ocorrência de infiltrações no local de puncáo. Tais autores, no entanto, concordara que o uso de agulhas rígidas oferece maior risco de ex-travasamento quação comparado aos dispositivos fiexíveis. Entretanto, também há que se considerar o tempo de infusão na escolha do dispositivo. Phillips (2005) e Honorio e Nascimento (2007) indicam o uso de agul-ha rígida de acó apenas quação o tempo de infusão é curto (poucas horas) e o volume infundido é pequeño.

O índice de sucesso na primeira puncáo, outro aspecto observado, foi de 55%, no presente estudo. A literatura orienta que devam ser feitas no máximo duas tentativas para puncáo venosa a fim de evitar trauma desne-cessário ao paciente e a limitacáo do acesso vascular (Phillips, 2005). Somente em duas situações foram necessárias mais de duas punções em um mesmo paciente.

Quanto ao dispositivo, a literatura re-comenda que o mesmo deva ser fixado de modo que não interfira com a visualizacáo e avaliacáo do local, além de que a adequa-da fixacáo reduz o risco de complicações relacionadas á terapia intravenosa (Phillips, 2005; Hadaway, 2004). O material utilizado, adesivo tipo micropore, e a forma de fixacáo adotada mostraram-se adequados no presente estudo.

A bomba de infusão continua (BIC), também denominada Controlador de Fluxo, opera estritamente sob o fluxo de gravidade e reduz o potêncial de infusão rápida de grandes quantidades de solucáo, além de auxiliar a equipe de enfermagem na deteccáo de infiltrações sinalização com som de alarme quação ocorre resistência do fluxo (Phillips, 2005). Este dispositivo foi empregado em 80% das punções, embora tenha se observado o uso concomitante de outros tipos de equipo para infusão na maioria dos casos.

Para avahar a permeabilidade da veia é recomendado que se infunda de 10 a 20 mi de solucáo salina a 0,9% antes de administrar um agente citotóxico e que, posteriormente á infusão do antineoplásico, injete-se soro fisiológico a 0,9% para retirada de residuos da droga da periferia (Phillips, 2005). Os fluidos isotónicos geralmente não causam tanto desconforto quanto os hipertónicos ou com pH ácido ou alcalino (Millan, 1988). No presente estudo, em nenhum momento, durante a infusão do fluido não concomitantemente ao quimioterápico, foi verbalizado dor ou desconforto pelos pacientes.

Efeitos Adversos no sítio de infusão venosa

Os dados evidênciara que 40% dos sujei-tos apresentavam queixas referidas (de dor, queimacáo ou ardência) ou danos observados (eritema local, edema ou extravasamen-to). Tais ocorrências se deram em (45%) das punções realizadas. Neste aspecto a literatura aponta que de 20 a 80% dos pacientes que recebem terapia intravenosa periférica desenvolvem flebite. (Panadero, Iohom, Taj, Mackay & Shorten, 2002).

Até que se prove o contrario, urna queixa de dor ou queimacáo deve ser sempre considerada como sintoma de extravasamento até que se prove o contrario (Phillips, 2005). No presente estudo, a retirada do dispositivo venoso, pela equipe de enfermagem, foi realizada em sete situações. Em cinco délas houve apenas a remocáo do dispositivo: urna asso-ciada á presenca de dor, queimacáo e edema; outra em caso de edema; outra ainda relacionada a ardência e edema; outra em queimacáo e eritema e, por fim, em urna situacáo de edema e extravasamento. Ñas outras duas situações, a remocáo da puncáo foi precedida por aspiracáo e aplicacáo de antídotos.

Entretanto, síntomas de dor ou queimacáo, embora presentes, podem representar não extravasamento, desde que confirmado por meio de manobras de refluxo e de avaliacáo do local. Em tais situações o dispositivo tem sido mantido; isso se obser-vou em dois casos no presente estudo, nos quais os dispositivos foram mantidos até o final do procedimento, embora os pacientes relatassem queimacáo (n=l) e dor (n=l) não sendo referida ou observada nenhuma outra evidência. A conduta de manter o catéter é sustentada pela literatura; as escala de flebite de Jackson (1998) e da INS (2000) considerara haver flebite grau 1 na presenca da cons-tatacáo de eritema ou vermelhidáo próximo ao sitio de insercáo e, só entáo, é recomendado a retirada do dispositivo.

A patología e o tipo de ciclo prescrito, parece que não interferiram nos achados; embora consideração que todas as pacientes que apresentaram danos vasculares eram muflieres, elas apresentaram diagnósticos médicos distintos (Cáncer de ovario, de pul-máo, de mama, mieloma múltiplo e doenca de Hodking) e, portante protocolos diferentes; também eram de idades distintas, variação de 33 a 67 anos.

Em comum apresentavam punções em veias tortuosas, a maioria (n=7) de pequeño calibre, todas visíveis e a maioria (n=7) não palpável. Cinco veias estavam localizadas no dorso da máo e tres na face anterior do antebraco. A solucáo que precedia e se seguia a quimioterapia também parece não ter sido fator determinante para as ocorrências.

Consideração-se os danos observados, estrategias de enfermagem podem ser aplicadas para reduzi-los ou elimina-los. Nesse sentido, uso de catéter de longa permanência pode ser útil para o paciente, reduzindo dor e desconforto, bem como para a equipe de enfermagem, pois esse dispositivo auxilia na instalacáo da quimioterapia, facilitação-a, e ampliação a seguranca do paciente urna vez que disponibiliza maior calibre para acesso intravenoso.

Cabe lembrar, finalmente, que o tamanho da amostra não permite fazer outras aborda-gens estatísticas, com vistas a indicar fatores preditivos de risco de lesão ou de lesão vascular. Nesse sentido, novos estudos deveráo ser desenvolvidos.

REFERÊNCIAS

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Fecha Recepción: 28 febrero 2008. Fecha Aceptación: 02 octubre 2008.

*Trabalho desenvolvido no Grupo de Pesquisa Enfermagem e Comunicação da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - EERP-USP. Subsídiado pelo CNPq.

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