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Idesia (Arica)

versión On-line ISSN 0718-3429

Idesia v.24 n.2 Arica ago. 2006

http://dx.doi.org/10.4067/S0718-34292006000200002 

IDESIA (Chile) Vol. 24, Nº 2; 7-13, 2006

INVESTIGACIONES


AVALIAÇÃO DE ATRATIVOS ALIMENTARES E ARMADILHAS PARA O MONITORAMENTO DE ANASTREPHA FRATERCULUS (WIEDEMANN, 1830) (DIPTERA: TEPHRITIDAE) NA CULTURA DO PESSEGUEIRO (PRUNUS PERSICA (L.) BATSH)

EVALUATION OF FOOD LURES AND TRAPS FOR MONITORING SOUTH AMERICAN FRUIT FLY ANASTREPHA FRATERCULUS (WIEDEMANN, 1830) (DIPTERA: TEPHRITIDAE) IN PEACH (PRUNUS PERSICA (L.) BATSH), ORCHARDS



Priscila Lang Scoz1; Marcos Botton2; Mauro Silveira Garcia1; Patrik Luiz Pastori3

1 Universidade Federal de Pelotas. Pelotas - RS - Brasil, e-mail: priscoz@bol.com.br msgarcia@ufpel.tche.br
2 Embrapa Uva e Vinho. Bento Gonçalves - RS - Brasil, e-mail: marcos@cnpuv.embrapa.br
3 Universidade Federal do Paraná (Bolsista CNPq). Rua Holanda, nº: 487, Bacacheri, Curitiba - PR - Brasil. e-mail: plpastori@yahoo.com.br  Autor para correspondência.


RESUMO

A mosca-das-frutas Anastrepha fraterculus é uma das principais pragas da cultura do pessegueiro (Prunus persica) no sul do Brasil, podendo ocasionar perdas de até 100% da produção. Neste trabalho, foram avaliados atrativos alimentares e armadilhas para o monitoramento de A. fraterculus em pomares de pessegueiro na região da Serra Gaúcha, RS, principal pólo produtor da fruta para consumo “in natura” do Estado. Dois experimentos foram conduzidos para avaliar a captura de adultos de A. fraterculus com a levedura torula formulada em pastilha (2,5%) e a proteína hidrolisada (Nolure® a 5%) no primeiro experimento e a proteína hidrolisada (Bio Anastrepha® a 5%) e o atrativo Anastrepha Lure® (putrecina associada ao sulfato de amônia, veiculado na forma de sachê) no segundo. Nos dois experimentos foi utilizada a armadilha McPhail contendo suco de uva a 25% como atrativo padrão. A eficiência de armadilhas construídas a partir de garrafas PET (Polietileno Tereftalado) de dois litros, transparente e verde, foi comparado com a armadilha-padrão McPhail, utilizando suco de uva a 25% como atrativo. A levedura torula (2,5%) foi significativamente superior ao suco de uva a 25% e a proteína hidrolisada na captura de adultos de A. fraterculus, os quais equivaleram-se entre si. O Anastrepha lure® não foi eficaz na captura de adultos da espécie. Os modelos alternativos de armadilhas foram equivalentes ao modelo McPhail na captura de adultos de A. fraterculus.

Palavras chave: Insecta, Ecologia, Iscas, Mosca-das-frutas sul-americana.


ABSTRACT

The South American Fruit Fly Anastrepha fraterculus (Wiedemann, 1830) (Diptera: Tephritidae) is one of the most important peach pests (Prunus persica) in Southern Brazil, causing damages of up to 100% of their total production. The objective of this study was to investigate the efficiency of food lures and traps for monitoring A. fraterculus in a commercial peach orchard. Two experiments were undertaken evaluating torula yeast (2,5%) hydrolyzed protein (Nolure® at 5%) and hydrolyzed protein (Bio Anastrepha® at 5%) and Anastrepha Lure® (packed as sachet form) in these two experiments, grape juice at 25% was used as a standard. Traps made with transparent and green plastic bottles of two liters were compared with traditional modified McPhail plastic trap using grape juice at 25% as food lure. Torula yeast (2,5%) was significantly more attractive than grape juice (25%) and hydrolyzed protein (5%) to capture A. fraterculus adults. The Anastrepha lure® was not efficient for insect capture. The alternative trap models were equivalent to the McPhail model in the capture of the A. fraterculus.

Key words: Insecta, Ecology, Baits, Fruit fly.



INTRODUÇÃO

O Rio Grande do Sul é o principal pólo produtor de frutas de caroço do Brasil, com destaque para o pêssego de mesa produzido na região da Serra Gaúcha, geograficamente conhecida como Encosta Superior da Serra do Nordeste do Rio Grande do Sul. Dentre os principais problemas associados à produção do pessegueiro na região, destaca-se a ocorrência da mosca-das-frutas sul-americana Anastrepha fraterculus (Wiedemann, 1830) (Diptera: Tephritidae), sendo a principal responsável por prejuízos ao cultivo de fruteiras na região (Lorenzato et al., 1986, Salles, 1995; Kovaleski,1997; Kovaleski et al., 1999; Nora et al., 2000; Botton et al., 2003).

Um aspecto de importância fundamental para o manejo da mosca-das-frutas é o monitoramento da população existente nos pomares. Os trabalhos conduzidos demonstram a eficiência de diferentes substâncias atrativas para serem utilizadas no monitoramento das espécies, com comportamento diferenciado dos compostos conforme a cultura e região onde os trabalhos são conduzidos (Hedström & Jirón, 1985; Hedström & Jiménez, 1988; Jiron & Soto-Manitiu, 1989; Malavasi et al., 1990; Braun et al., 1993; Salles, 1999; Chiaradia & Milanez, 2000; Lemos et al., 2002, Kovaleski, 2004; Braga Sobrinho et al., 2004a e 2004b). Como o monitoramento deve proporcionar informações que representem adequadamente o comportamento da população da espécie, a avaliação de armadilhas de baixo custo e atrativos alimentares efetivos e confiáveis deve ser realizada de forma permanente.

O controle racional e eficiente das moscasdas-frutas tem como pré-requisito o conhecimento do momento adequado para iniciar a adoção das medidas de controle (Kovaleski, 1997; Nascimento et al., 2000; Nora & Sugiura, 2001). Diversos fatores estão envolvidos na captura das moscas-das-frutas destacando-se a eficiência do atrativo e o tipo de armadilha empregado (Salles, 1999; Nascimento et al., 2000). Segundo Salles (1997), os meios e processos de atração dos adultos, especialmente das fêmeas de A. fraterculus, estão sendo estudados e esclarecidos, pois não existe uma regra única orientando quais os melhores atrativos para a espécie. Na prática, de forma rotineira, são utilizados como atrativos o vinagre de vinho (25%), sucos de frutas (10 a 25%) e a proteína hidrolisada (5%) (Lorenzato,  1984; Salles, 1995; Nascimento et al., 2000; Nora & Sugiura, 2001). Na região sul do Brasil, o suco de uva a 25% tem sido o atrativo recomendado como padrão para a captura da mosca-das-frutas nos pomares de maçã (Kovaleski & Ribeiro, 2002; Kovaleski, 2004), sendo esta informação ampliada para os demais cultivos.

A armadilha recomendada para captura de adultos da mosca-das-frutas do gênero Anastrepha é o modelo McPhail (Mcphail, 1939), que consiste num recipiente, de vidro ou plástico, na forma de sino, com abertura no fundo formando um reservatório de até 500 mL de capacidade (Thomas et al., 2001). O líquido colocado na armadilha serve como atrativo para captura dos insetos, visto que, as moscas atraídas para o interior da armadilha devido aos odores liberados, afogam-se no líquido. Esta armadilha pode ser usada para captura de uma grande diversidade de espécies de mosca-das-frutas do gênero Anastrepha (Malo & Zapien, 1994) e Ceratitis (Cohen & Yuval, 1993). Com base nesta armadilha, outros modelos foram desenvolvidos através do reaproveitamento de embalagens comerciais (Lorenzato, 1984; Lorenzato et al., 1986; Bressan et al., 1991; Salles, 1995) com o objetivo de reduzir custos. De acordo com Lorenzato (1984) e Lorenzato et al. (1986), os frascos “caça-mosca”, utilizados para monitoramento, são ineficazes como método de controle da moscas-das-frutas.

Devido a grande variabilidade de informações referentes aos atrativos alimentares e tipos de armadilhas disponíveis, este trabalho teve como objetivo conhecer a eficiência de atrativos alimentares e armadilhas para o monitoramento de A. Fraterculus em pomares comerciais de pessegueiro localizados na região da Serra Gaúcha, principal pólo produtor da fruta para consumo in natura do Brasil.


MATERIAL E MÉTODOS

Os experimentos visando comparar os atrativos alimentares foram conduzidos num pomar comercial de pessegueiro da cultivar Chimarrita, plantado em 1993, no espaçamento de 3 x 4 m, com altura média de 2,0 metros, localizado no município de Bento Gonçalves, RS (latitude 29º 07’ Sul, longitude 51º26’ Oeste e altitude de 725 metros) que não recebeu a aplicação de inseticidas. As armadilhas foram instaladas em filas alternadas, a uma altura média de 1,6 m do solo nos ramos externos das plantas distanciadas, no mínimo, 20 m entre si. Cada armadilha recebeu 350 mL de atrativo alimentar sendo avaliada duas vezes por semana, quando o atrativo foi trocado e as armadilhas rotacionadas entre si. Os insetos capturados foram acondicionados em álcool 70% para identificação (Zucchi, 2000). O número de insetos capturados foi apresentado como número médio de adultos/armadilha/dia.

No primeiro experimento, conduzido em dezembro de 2001, foram avaliadas a levedura Tórula (2,5%) e a proteína hidrolisada (Nolure®a 5%) comparados com suco de uva (17º Brix) a 25%. No segundo experimento, conduzido em novembro de 2002, foram avaliados os atrativos alimentares a base de proteína hidrolisada Bio Anastrepha® (5%) e o Anastrepha Lure® (comercializado na forma de sachê e constituído de putrecina associada a sulfato de amônia) comparando-os com o suco de uva (17º Brix) a 25%. Os atrativos alimentares levedura torula e Bio Anastrepha®, bem como as armadilhas McPhail plásticas foram fornecidas pela Biocontrole Métodos de Monitoramento e Controle de Pragas, Ltda. (São Paulo, SP, Brasil). Anastrepha Lure® foi fornecido pela IPM Tech, Inc. (Portland, Oregon, EUA). O sachê de Anastrepha Lure®foi fixado no lado superior interno da armadilha McPhail, através de um arame acrescentando-se água com detergente (2%) como meio de captura.

O custo dos atrativos foi calculado por ponto de monitoramento, para aqueles disponíveis no mercado brasileiro, considerando-se uma troca de atrativo por semana num volume de 350 mL de solução/armadilha.

O experimento visando avaliar os tipos de armadilhas foi conduzido em dezembro de 2002. Garrafas PET (Polietileno Tereftalado) transparente e verde com capacidade de dois litros foram comparadas com a armadilha modelo McPhail usando como atrativo alimentar suco de uva (17° Brix) a 25%. A cor das garrafas foi medida através do colorímetro Minolta CM-508d (Minolta Corporation, Osaka, Japão). Os valores de “L” indicam a claridade e variam de 100 (branco) a 0 (preto); as coordenadas “a” e “b” indicam a direção da cor: “- a” é a direção do verde e “+ a” é a direção do vermelho; “- b” é a direção do azul e “+ b” é a direção do amarelo. Assim, a cor da garrafa verde foi determinada por L = 36,5; a = -7,1; b = 4,7. A garrafa transparente foi determinada por L = 34,9; a = 0; b = 0. No terço superior das garrafas foram feitos quatro perfurações com 0,7 cm de diâmetro, em cada quadrante da circunferência imaginária servindo de abertura para captura dos adultos.

Os experimentos foram conduzidos no delineamento experimental de blocos ao acaso, estabelecendo sete repetições nos experimentos de avaliação de atrativos e cinco no de comparação de armadilhas.

Para análise estatística, os dados foram transformados em raiz quadrada de (x + 0,5), comparando-se as médias pelo teste de Tukey (p< 0,05) através do programa Sisvar versão 4.3 (Furtado, 2003).

Figura 1. Número médio de adultos de Anastrepha fraterculus (Wiedemann, 1830) (Diptera: Tephritidae) capturados em armadilhas McPhail iscadas com diferentes atrativos alimentares em pomar de pessegueiro. Bento Gonçalves - RS - Brasil, 2003. Médias (± EP) seguidas por letras distintas diferem entre si pelo teste de Tukey (P<0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Todas as moscas do gênero Anastrepha capturadas nos experimentos de avaliação de atrativos e armadilhas foram identificadas como sendo A. fraterculus, confirmando ser a espécie de maior importância na região.

No primeiro experimento de avaliação de atrativos, verficou-se que a torula (2,5%), foi mais eficiente na captura de adultos de A. fraterculus que o suco de uva (25%) e a proteína hidrolisada Nolure® (5%), os quais não diferiram entre si (Figura 1). Foram capturados 432 adultos no período de avaliação obtendo-se para todos os atrativos, 1,5 vezes mais fêmeas que machos. Os resultados são semelhantes aos obtidos por Hedström & Jirón (1985) que também observaram que a torula (1%) foi o atrativo alimentar mais eficiente na captura de Anastrepha spp. mantendo-se ativo por até 21 dias, apresentando menor atração a outros insetos. Salles (1999), avaliando o efeito do envelhecimento e decomposição do fermento de pão a 20%, que simula o efeito da torula como atrativo para captura de A. fraterculus, concluiu que estes são fatores positivos e estão diretamente relacionados ao aumento do número de moscas capturadas. Malavasi et al. (1990) observaram que a proteína hidrolisada (5%) e a levedura torula (4%) capturaram de 6 a 7 vezes mais indivíduos de A. grandis e A. fraterculus que o melaço de cana a 1%. Entretanto, resultados divergentes dos obtidos neste trabalho foram obtidos por Hedström & Jiménez (1988) que avaliando a captura de Anastrepha spp. Em pomar de goiabeiras (Psidium guajava), verificaram que o acetato de amônio foi mais eficiente que a torula boratada. Também Braga Sobrinho et al. (2004a; 2004b), que fazendo observações em pomares de mangueiras (Mangifera indica) relataram que a melhor combinação de atraentes para C. Capitata foi o acetato de
amônia+putrescina+trimetilamina e para Anastrepha spp. foi o acetato de amônia+putrescina+trimetilamina+propilenoglicol e em pomares de goiabeiras, o atrativo Nolure® apresentou melhores índices de capturas, sendo citado pelos autores como o atrativo mais eficiente na captura de Anastrepha spp. e Ceratitis spp.

No segundo experimento de avaliação de atrativos, o suco de uva (25%) e a proteína hidrolisada Bio Anastrepha® (5%) não diferiram entre si, sendo mais eficientes na captura de adultos de A. fraterculus que o Anastrepha Lure® (Figura 2). O número de indivíduos capturados durante o experimento foi de 1162 adultos de A. fraterculus, sendo que a proporção de fêmeas capturadas foi superior ao número de machos em 1,15 vezes para o suco de uva e 1,54 para o Bio Anastrepha®. O Anastrepha Lure® capturou o dobro de fêmeas em relação aos demais atrativos, entretanto, a eficiência para A. fraterculus foi baixa. Os resultados coincidem com os de Bleicher et al. (1978), Braun et al. (1993) e Kovaleski et al. (1995) que constataram que o suco de uva (25%) foi o melhor atrativo para o monitoramento de A. fraterculus, sendo atualmente considerado o produto padrão para o monitoramento da praga na cultura da macieira (Malus domestica) (Kovaleski & Ribeiro, 2002). Chiaradia & Milanez (2000) não observaram boa atratividade para A. fraterculus com a proteína hidrolisada (5%) associada a inseticidas e corante, resultado este, contrário aos obtidos neste trabalho e dos resultados de Malavasi et al. (1990) que indicaram a proteína hidrolizada como atrativo padrão para a captura de mosca-das-frutas equivalente ao suco de uva (25%). Jirón & Soto-Manitiu (1989) também verificaram que a proteína hidrolisada de soja adicionada ao tetraborato de sódio (com função de aumentar o período de ação da proteína como atrativo) foram eficientes na captura de A. striata (Schiner), A. serpentina (Wiedemann) e A. obliqua (Macquart).

Figura 2. Número médio de adultos de Anastrepha fraterculus (Wiedemann, 1830) (Diptera: Tephritidae) capturados em armadilhas McPhail iscadas com diferentes atrativos alimentares em pomar de pessegueiro. Bento Gonçalves - RS - Brasil, 2003. Médias (± EP) seguidas por letras distintas diferem entre si pelo teste de Tukey (P<0,05).

No Brasil, de maneira geral devido à facilidade de obtenção nas propriedades, têm sido recomendado sucos de frutas em diferentes concentrações para o monitoramento de mosca-das-frutas do gênero Anastrepha (Lorenzato, 1984; Bleicher et al., 1978; Braun et al., 1993; Kovaleski et al., 1995; Salles, 1997). Entretanto, dependendo do objetivo do monitoramento, a levedura torula por apresentar pouca variação na composição, ser mais específica e atrair significativamente maior número de moscadas- frutas quando comparada ao suco de uva e a proteína hidrolizada, pode servir de referência para programas de detecção ou monitoramento do inseto. Este fato é reforçado pela maior variabilidade de resultados observados com os sucos de frutas e a proteína hidrolizada (Malavasi et al., 1990; Garcia et al., 1999; Chiaradia & Milanez, 2000) o que pode provocar falhas na interpretação dos níveis de controle devido a variações no índice de capturas durante o monitoramento. A decisão de o atrativo alimentar a ser utilizado dependerá dos objetivos do programa e do custo dos produtos (Tabela 1), neste caso, favorável ao emprego do suco de uva (25%) e da proteína hidrolisada (5%) sendo este um dos motivos do uso generalizado destes atrativos no monitoramento da espécie no sul do Brasil (Malavasi et al., 1990; Kovaleski & Ribeiro, 2002).

Tabela 1

Custo dos atrativos, disponíveis no mercado brasileiro, para Anastrepha fraterculus (Wiedemann, 1830) (Diptera: Tephritidae), por ponto de monitoramento. Bento gonçalves - RS - Brasil, 2005.

No experimento que visou comparar a armadilha McPhail com as confeccionadas a partir de garrafas de refrigerante PET (2 litros) de duas cores (transparente e verde) utilizando suco de uva a 25% como atrativo alimentar, não foi observado diferença significativa na captura de adultos de  A. fraterculus entre os modelos (Figura 3). Barros et al. (1991) comentaram que quando a armadilha McPhail é comparada com modelos alternativos, à maioria destas são menos efetivas na captura de A. fraterculus, fato não observado neste trabalho que obteve resultados similares aos de Lorenzato (1984) que verificou capturas similares ao modelo McPhailcom garrafas plásticas adaptadas. O número total de indivíduos capturados foi de 798 adultos sendo que a proporção de fêmeas e machos foi praticamente igual para o modelo McPhail (1,05:1) e superior para a garrafa PET transparente (1,27:1) e verde (1,3:1). Como o custo é um fator importante a ser considerado quando se trabalha em programas de monitoramento, especialmente quando envolve produtores com baixa renda, as armadilhas confeccionadas com material alternativo podem ser uma opção viável para o avaliar a população da espécie visando racionalizar os tratamentos, a exemplo do indicado por Lorenzato (1984), Bressan et al. (1991) e Salles (1995).

Figura 3. Número médio de adultos de Anastrepha fraterculus (Wiedemann, 1830) (Diptera: Tephritidae) capturados em pomar de pessegueiro com três tipos de armadilhas iscadas com suco de uva a 25%. Bento Gonçalves - RS - Brasil, 2003. Médias (± EP) seguidas por letras distintas diferem entre si pelo teste de Tukey (P<0,05).

CONCLUSÕES

A levedura Torula a 2,5% é eficiente na captura de adultos de A. fraterculus na cultura do pessegueiro quando utilizada em armadilhas modelo McPhail sendo superior na atratividade ao suco de uva a 25% e a proteína hidrolizada Bio Anastrepha®a 5%.

O suco de uva a 25% e a proteína hidrolizada a 5% em armadilhas modelo McPhail, equivalemse na atratividade a A. fraterculus na cultura do pessegueiro.

O Anastrepha Lure® a base de putrecina associada a sulfato de amônia não é eficiente na captura de adultos de A. fraterculus em pomares de pessegueiro.

Armadilhas alternativas ao modelo McPhail, construídas a partir de garrafas PET (2 litros) transparente e verde, são eficientes na captura de A. fraterculus.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Fecha de Recepción: 19 Enero 2006
Fecha de Aceptación: 11 Abril 2006

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