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Izquierdas

versión On-line ISSN 0718-5049

Izquierdas (Santiago) vol.49  Santiago  2020  Epub 27-Ene-2020

http://dx.doi.org/10.4067/S0718-50492020000100204 

Artículos

Jorge Amado, o realismo socialista e o romance proletàrio: historiografía e crítica literária (1931-1937)

Jorge Amado, socialist realism and proletarian romance: historiography and literary criticism (1931-1937)

Geferson Santana* 

*Brasileiro, Doutorando em Historia Económica pela Universidade de Sao Paulo (USP). Investigador en la Universidad Federal de Sao Paulo y de la CNPq, Consejo Nacional de Desarrollo Científico y Tecnológico, Brasil. Correio eletrónico: santanageferson@gmail.com

Resumen:

El artículo tiene el propósito de reflejar sobre las obras de Jorge Amado entre los años de 1931 y 1937. Daremos especial atención para lo que el escritor ha llamado como romance proletario, el que exigió un estudio de los modelos estéticos que se han tomado como referencia en su produción literaria. Para alcanzar nuestro objetivo, empreendemos un trabajo de analisis crítico y cruzamiento entre los principales estudios historiográficos sobre la producción literaria amadiana y las narrativas que fueron construidas por los críticos literarios brasileños y extranjeros (fortuna crítica) que se enclinaron sobre la producción intelectual amadiana.

Palabras clave: Crítica literaria; História y literatura; Jorge Amado; romance proletário

Resumo:

O artigo tem o intuito de refletir sobre as obras de Jorge Amado entre os anos de 1931 a 1937. Daremos atengao especial para aquilo que o escritor denominou de romance proletàrio, o que exigiu um estudo dos modelos estéticos que foram tomados como referentes em sua produgao literária. Para alcanzar nosso objetivo, empreendemos um trabalho de análise crítica e fizemos um cruzamento entre os principais estudos historiográficos sobre a produgao literária amadiana e as narrativas que foram construidas pelos críticos literários brasileiros e estrangeiros (fortuna crítica) que se debrugaram sobre a produgao intelectual amadiana.

Palavras-chave: Crítica literária; Historia e literatura; Jorge Amado; romance proletário

O escritor Jorge Amado morou em Ilhéus, regiào cacaueira do sul da Bahia, para onde se mudou quando tinha apenas um ano de idade. Era “filho do Coronel Joao Amado1 de Faria e da Senhora Eulalia Leal Amado, nasceu em 1912, na fazenda Auricídia, em Ferradas, distrito de Itabuna, sul da Bahia”2. Sua familia passou por problemas financeiros e, devido a isso, seu pai chegou a ser tamanqueiro para sobreviver. Em “seguida, junto à familia, vai morar na Fazenda Taranga, em Itajuípe, Bahia, em 1917, vindo a ocupar-se do cultivo do cacau”3.

Estudou no Colégio Antonio Vieira, de influencia jesuítica, locado na cidade de Salvador. O colégio em associalo a outros como Carneiro Ribeiro, Colégio Ipiranga e Ginásio da Bahia, foi responsável pela “formalo intelectual dos membros das elites baianas”4. Segundo o historiador Paulo Santos Silva, foi a instituido de ensino secundario de maior destaque na capital5. Ainda na referida escola, Amado sofreu a influencia do padre Luís Gonzaga Cabral - orador sacro, homem muito culto e portugués de nascimento6. A admirado de Amado pelo padre foi realmente marcante em sua trajetória7.

O professor Luís Gonzaga Cabral foi quem percebeu a vocagào literaria de Amado. O docente estava substituindo o professor Faria, que na visào de Amado, nào tinha vocagào para o ofício e muito menos para ensinar regras gramaticais. O escritor qualificou o professor titular da matèria como uma figura limitada8. Sobre o substituto, disse Amado: “Entao, ele fazia uma coisa que lhe agradava e agradava imenso a gente. Ele vinha e lia textos de livros, de Camoes, por exemplo”9.

A admirado pelas aulas do professor substituto nào impediu Jorge Amado de fugir daquele estabelecimento. Ele ficou no colégio de orientado religiosa entre 1923 a 1924, e na volta às aulas do ano seguinte pediu a Joào Amado que nào o enviasse à escola, porém o pedido nào foi atendido. Nas entrevistas que consultamos, percebemos que Amado nào gostava da rigidez escolar, onde sua liberdade era cerceada10.

Quando estava na porta do colégio, fugiu para Sergipe onde residia seu avo. A viagem durou dois meses, e logo ficou sem dinheiro. Chegando em Sergipe, ficou alguns dias, e logo seu pai mandou o tio Alvaro buscá-lo. Quando retornou confessou ao pai que nào queria mais estudar, sendo aquele o motivo da fuga. Acabou retornando, e ficou seis meses na fazenda do avo11.

Em inicio de 1926, Amado ingressou no Ginásio Ipiranga, dirigido por Isaías Alves de Almeida, como uma espécie de castigo por ter fúgido da escola anterior12. Pelo menos no colégio novo tinha mais liberdade. Conseguia pular o muro e ter seus momentos de liberdade pelas rúas de Salvador. Sem contar que naquela escola exerceu a fungao de escritor, como deixou bem claro na entrevista, e ajudou na fundagao de dois jornais: A Folha e A Pàtria13.

Os ginásios eram poucos e os mais destacados ficavam situados na capital. Municipios como Alagoinhas, Nazaré, Santo Amaro, Jequié e Lengóis, na Bahia, tinham escolas ginasiais, mas em números escassos14. Devido ao pouco número de instituigoes de ensino nesse nivel, alguns comegavam a estudar com professores particulares, os chamados mestres-escolas15.

Amado ingressou no Partido Comunista do Brasil (PCB) por intermédio da relagao de amizade que tinha com a escritora cearense Rachel Queiroz ainda nos primeiros anos da década de 1930. Isso o colocou numa posigao de destaque no partido, pois assumiu a fungao de ser o principal promotor do romance proletàrio no Brasil, conforme as orientagoes da Unido das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS)16. Reitera-se ainda, que a amizade com a escritora cearense rendeu a participagao de Amado na Juventude Comunista (JC), que era uma das atividades ilegais do partido, o que gerou perseguigao da polícia e batidas policiais nos locais de encontro do grupo17.

O staff do escritor Amado reunia vários críticos e escritores vinculados ao PCB, comprometidos em (re)afirmar o caráter proletàrio, revolucionário, moderno e documental de seus romances18. Segundo a historiadora Carine Dalmás, podemos notar tal aspecto a partir da criagao do jornal A Manhd, nascido do movimento de caráter antifascista e comunista da Alianza Nacional Libertadora (ANL), uma vez que ambos pareciam seguir as orientagoes soviéticas para a produgao artístico-literária19.

Mas, quais eram as diretrizes da URSS para os PCs? Como tais elementos podem ser percebidos no romance proletário amadiano? O jornalista Alberto Passos Guimaraes, comunista desde 1932, num artigo para o Boletim de Ariel respondeu à pergunta do prefácio do livro: “Será um romance proletàrio?”20. Disse:

Ao meu ver, é. Embora impressionado mais pelo aspecto sentimental do problema, até a ligagao afetiva do Sergipano, embora misturando algumas vezes as situagoes puramente morais com os sentimentos rebeldes da gente do campo, “Cacau” exala um bom ar de revo lta para estar junto da literatura proletária. (...) Em “Cacau” tem-se bem a paisagem dos nossos campos semi-bárbaros, das nossas fazendas, onde a ruindade dos feudos se conserva com o mesmo ardor. (...) “Cacau” é um romance proletàrio.21

O escritor baiano Joao Cordeiro veio em defesa da obra. Ele a considerou um grande romance, porque Amado nao criou uma “piedade burguesa” pelos miseráveis daquela terra, e optou por mostrar o sofrimento, estigma, revolta latente. Para Cordeiro, aí reside um dos motivos para ter admirado pelo romance que considerou ser “um livro de combate”, posto que o “cacau encontrou, enfim, o seu romancista”22. O escritor francés Max-Pol Fouchet, que também atuou no Partido Socialista francés, chegou a corroborar a reflexao de Cordeiro, ao afirmar que é um livro “engagé, Cacao est un livre de combat, écrit par un auteur qui ne craint pas, au début, de poser cette questioni Sera-t-il sorti de là un roman prolétaire?”23.

Murilo Mendes, num artigo publicado no periódico Boletim de Ariel, escolheu problematizar em torno da ideia de “romance proletàrio” atribuida ao romance por seu pròprio autor. Explicou que a “mentalidade” proletària ainda estava em processo de formalo, e nao tem total consciencia de seu papel histórico. Acrescentou que os escritores que encontrarem inspirado na vida em decomposto da sociedade burguesa terao que voltar-se para o proletariado, encontrando ai nao apenas material para a construyo do romance, como as ferramentas para integrar ao “espirito do proletariado” e tornar-se um escritor revolucionário24.

Mendes ainda esclareceu ser impossível fazer um romance de tom proletàrio sem estar integrado ao mundo proletàrio, pois nao basta apenas ser um “observador”, mas fazer parte, pois aí moraria o caráter revolucionário do escritor. Sem isso, correria o risco de fazer “simples reportagem”. Segundo ele, Amado foi quem mais se aproximou da ideia de “romance proletàrio”, ao contràrio de Patricia Galvao (Pagu), que em Parque Industrial (1932) cometeu um engano:

“Romance proletàrio”, anuncia a autora no frontispicio do Parque Industrial. Houve engano. É uma reportagem impressionista, pequeno-burguesa, feita por uma pessoa que está com vontade de dar o salto, mas nao deu. Assiste-se à entrega de fábricas, à saída de fábricas, a encontros do filho do grande capitalista com a filha do operário, etc. Parece que para a autora o fim da revoluto é resolver a questao sexual. Sobre o Parque Industrial pròpriamente pouca coisa se fica sabendo.25

O segundo romance de Amado, somado aos demais da década de 1930, representou um esforgo em constituir uma obra inscrita dentro da perspectiva do “romance proletàrio”. Mas, quais leituras foram tomadas como referencia para a construyo de um corpo literário dentro dessa estética? Nao existem muitos estudos aprofundados sobre as leituras feitas por Jorge Amado. Analisar o conteúdo dessas obras nos permitiria entender melhor as verdadeiras aproximares entre o tipo de romance proletário construido pelo autor e sua relagao com os romances estrangeiros.

Miécio Táti listou alguns livros de escritores russos e de outras nacionalidades que estiveram presentes na vida literária de Amado, como Judeus sem dinheiro, de Michael Gold. Inclusive, disse o escritor baiano, que o volume citado fez muito sucesso e influenciou muitos escritores26. Aos nomes citados anteriormente podemos acrescentar “Ostrovski (Torrente de Ferro), Cholokhov, Fadeiev(A Derrota), Isaac Babel (Cavalaria Vermelha), Pliniak, Ilya Ehrenburg (Júlio Jurenito)”27. Os livros enumerados foram tradugoes lanzadas pela Editorial Pax, que era financiada por Carlos Prestes e funcionava na rua Libero Badaró, em Sao Paulo28. Lincoln Secco esclarece-nos que o PCB foi importante na introdujo da nova literatura no país, por meio de suas poucas livrarias29.

Na entrevista que Amado cedeu à Alice Raillard ficou evidente que ele leu o romance alemao Passageiros de Terceira Classe de Kurt Klaber por considerá-lo um romancista proletàrio. O escritor baiano expoe que viu em Klaber uma esperanza para o modelo estético literário que se propunha a escrever. Quando esteve na Europa, ele buscou pistas do romancista alemao, e descobriu apenas que, com a ascensao do nazismo, “estabeleceu-se na Suíga, e lá o citado ‘romancista proletàrio’ transformou-se num autor de best-selkrs para mocinhas, genero Delly... Na hora abandonei as minhas pesquisas”30. Independente do caminho tomado por Kurt Klaber, acreditamos que foi um dos que mais marcaram Amado.

Os debates sobre romance proletàrio, tem uma relagao direta com o realismo socialista, enquanto uma estética que marcou os romances do escritor baiano, tendo em vista que era uma das orientales aos intelectuais vinculados ao partido. O realismo da literatura russa foi apresentado no discurso de Andrei Zhdanov, no I Congresso de Escritores Soviéticos, ocorrido entre os dias 17 de agosto e 01 de setembro de 1934, em Moscou. Zhdanov foi do Partido Comunista da Unido Soviética (PCUS) e brago direito de Josef Stalin. Seu discurso no congresso esteve respaldado nas conquistas da “nova sociedade soviética”31.

Para Zhdanov, o I Congresso protagonizado por escritores russos - como Maxim Gorky, Karl Radek, Nikolai Bukharin e A. I. Stetsky - representou a vitória das doutrinas de Karl Marx, Friedrich Engels, Vladimir Ilitch Lenin (Lenin) e Stalin e tais doutrinas deveriam servir como armas na luta contra o capitalismo32.

No discurso de Zhdanov consta que aos poucos o proletariado arregimentava os seus escritores. Muitos deles pertencentes a países capitalistas, que inclusive, se encontravam em processo de “decadencia”33. A literatura russa tinha papel importante na construgao socialista, e caberia aos escritores ou engenheiros da alma humana34, como os denominou Stalin, construir suas narrativas nos feitos heroicos, épicos. Explana o historiador Víctor Augusto Piemonte, que após o triunfo da revolugao bolchevique, o governo proclamou que o “que llama intelligentsia es uno de los tres pilares del orden socialista, junto con el proletariado y el campesinato”35. Ou seja, os escritores ganharam fungao imprescindível na nova ordem que se estabeleceu ao assumir a fungao de “porta-voz do genero humano, arte, vida e pensamento [...]”36.

O russo Zhdanov afirmou que caberia aos escritores conhecer a vida, a ponto de poder representá-la nas obras. Nao apenas como simples representagao da realidade objetiva, como mostrar a realidade em seu pleno desenvolvimento revolucionário. No entendimento do autor, a nova postura permitiría educar ideologicamente o trabalhador dentro do espirito socialista, residindo aí a finalidade do realismo socialista37. Conforme a pesquisadora Daiana Nascimento dos Santos, a “arte debía ser accesible a las masas y tener un propósito social en que legitimase el progreso socialista; exigía del escritor veracidad y una representación concreta de la realidad revolucionaria”38.

Era necessàrio que os escritores tivessem uma concepto inteiriga e madura do mundo, posto que “precisa ver o mundo na sua contrariedade móvel, para solucionar como protagonista um ser humano em cujo destino se cruzem os contrários”39. Santos e Lukács entenderam que a concepto de mundo do escritor deveria estar respaldada em experiencias concretas40. Ou seja, sem “uma concepto do mundo nao se pode narrar bem, isto é, nao se pode alcanzar uma composito épica ordenada variada e completa”41.

O realismo socialista, a partir de 1932, passou a ser encarado como um método que tinha o papel de descrever o real, como se fosse uma còpia do mesmo. A busca pelo real tem por fim a educagao dos proletários, fazendo despertar a consciencia de classe e o espirito do socialismo. Ou seja, a arte soviética de cunho realista assumiu fungao dupla: caráter pedagógico e entretenimento42. Em outras palavras, o escritor nao deveria ser apenas aquele que descreve. A produgao artistica deve expressar a relagao prática do autor com a realidade à qual delineia. Os intelectuais deveriam expor seus posicionamentos politicos, como representar na obra o “punto de vista de la classe obrera el que debía ser abordado por el realismo socialista”43.

O que demonstraremos é que Amado assumiu o caráter politico-partidário dos romances, até porque em sua interpretagao, já havia desaparecido o “homem sem partido. Hoje ele é tao raro como um animal pré-histórico”44. Ou, para fazer mengao ao escritor russo Ilya Ehrenburg, só a literatura que toma partido teria o poder de fazer compreender a grandiosidade da luta do proletariado45. Ao assumir o realismo socialista como modelo estético, Amado acabou por direcionar seu olhar para a vida cotidiana e os sofrimentos dos trabalhadores baianos, inclui-se as proletárias, e ao mesmo tempo, esteve comprometido em usar uma linguagem que permitisse ser compreendido pelo proletariado e pelos pares.

Na acepgao de Eduardo de Assis Duarte e Daiana Nascimento dos Santos, nao há dúvidas que a obra amadiana está envolta pelo manto político-ideológico do PCB e do realismo socialista soviético. Afirma Santos, que as posturas ideológicas do escritor baiano estao expressas pela estética do romance proletàrio em “sus textos iniciales: Caca (1933), Suor (1934), Jubiabá (1935), luego del Realismo Socialista en Seara Vermelha (1946) y en la trilogia Os Subterráneos da liberdade (1954)”46. Nesse sentido:

Jorge Amado, por su parte, se apropia de temáticas relacionadas a la literatura proletaria rusa, en la medida en que propone reemplazos significativos para legitimar esta estética en el territorio brasileño. Ahora bien, las sustituciones contextuales percibidas en la narrativa de Cacau, Suor y Jubiabá comprueban este discurso del escritor de adecuación de temáticas socialistas al imaginario brasileño47.

Santos traz reflexoes inovadoras para o campo de análise das obras amadianas publicadas nas cinco primeiras décadas do novecentista. O fragmento supracitado deixa claro que Amado apropriou-se dos elementos culturais das diversas comunidades soteropolitanas para posicionar-se politicamente e legitimar um “fazer literário” no cenário intelectual brasileiro dos anos de 193048. Ao mesmo tempo, essa produgao estava sob a supervisao dos dirigentes do PCB que “exigían inflexiblemente a la intelectualidad comunista que siguiera rigurosamente las directrices del realismo socialista, imitando los modelos importantes del arte literario soviético”49.

Nos romances que nos dispomos a analisar, assim como sua fortuna crítica, nao podemos desconsiderar que os trabalhadores baianos sao personagens centrais ao longo da narrativa50. É curioso que Amado arrolou como personagens-trabalhadores as meretrizes, pescadores e mendigos que, a época, nao eram considerados pelos demais setores sociais, como tais51. Santos está certa ao afirmar que o escritor baiano elegeu o “povo” como seu principal sujeito, dando a este uma “nova cara”52. Mas a autora nao faz uma análise aprofundada desses sujeitos que compoem a categoria ou nomenclatura “povo”. Algumas questoes podem ser levantas, como: Quais sao os sujeitos que compoem o “povo”? Como poderíamos conceituar tal terminologia? A autora pensou nos sujeitos-personagens que tradicionalmente nao eram considerados como trabalhadores na década de 1930?

Lenita e O País do Carnaval, dois ensaios para o realismo

A novela Lenita53 foi escrita por Carneiro, Amado e Oswaldo Dias das Costa em 192954, em forma de fascículos em O Jornal. Na introdujo da obra, seus autores disseram que a intendo era escrever um texto sem as “algemas clássicas nem pretend[iam] tomar passagem nos hiper-avioes futuristas” 55. No website “Jorge Amado”, da editora Companhia das Letras, última a editar a obra completa do escritor, consta um texto de apresentagao biográfica, no qual afirma que o autor assinou a novela com o pseudónimo de “Y.. Karl” 56.

O jornal Diàrio de Noticias, no dia 20 de novembro de 1931, fez mengao ao texto dos rebeldes na segao “Livros Novos” como um dos novos langamentos57. Já o Diàrio da Manha, do Espirito Santo, no dia 21 de janeiro de 1932, lançou a seguinte nota: “- Uma intéressante novela, contendo a narraçâo entusiástica de très brilhantes espíritos. [...] ‘Lenita’ é um trabalho original e bem feito”. Num tom humorado, Amado comentou que Lenita foi a pior novela do mundo publicada pelo editor A. Coelho Branco Filho. Os direitos autorais foram pagos em forma de livro. E acrescentou que o editor certamente nao leu os originais. Para os autores Maria das Graças Nunes Cantalino e Ricardo Henrique Resende de Andrade, o enredo gira em torno de um cenário caótico, onde os autores disputavam pelo controle do enredo da história. Nesse sentido, as

personagens da novela sao tipos pervertidos como a magra e sensual Lenita; Alberto Neves e sua amante intempestiva Saxe; os noctivagos Farias, Gomes e Guedes; José Menéndez, o arquiteto vagabundo e drogado; Costa Vieira, poeta lírico, apaixonado pela “sensual” Ester-Alda, descrita como uma virgem histérica e lasciva. Todos imersos num ambiente de luxúria e luxo.

Ainda acrescentou Amado que:

aconteceu que Edison no segundo capítulo criou uma mulherzinha terrível de magra e de feia para heroína. Eu, que neste tempo vivia sob a influencia de uma pequena lírica sentimental, matei a prostituta no terceiro capítulo para moralizar o livro. Edison se danou e entao fêz da alma da mulher a heroína do livro. Cada qual queria atrapalhar o outro e acabou saindo um novela horrorosa.

Amado, no dia 6 de dezembro de 1934, de forma humorada, colocou em sua pequena biografía divulgada pela Gazeta de Noticias, do Rio de Janeiro, que tinha curiosidade em saber quem teria comprado aquele livro, que inclusive considerava como “um dos piores livros que já foram publicados no Brasil”. O escritor e ensaísta José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque (Medeiros e Albuquerque), escreveu num artigo publicado pelo periódico Vida Literária (1932) que o romance “é uma pura abominaçâo”.

Gostando ou nao de Lenita, o escritor num tom de justificativa asseverou que foi “a cerveja do Bar Brunswick responsável por uma miserável novela” que escreveu junto com seus companheiros.

Amado relegou Lenita ao esquecimento, na medida em que nao quis colocá-la numa posiçao de destaque dentre os outros romances que escreveu em 1930. Segundo a Companhia das Letras, o escritor chegou a comentar que é “uma coisa de criança. Nós éramos muito meninos quando fizemos Lenita”.

O Sr. Jorge Amado tinha para com todos nós uma divida pesada: as horas gastas com a novela com que estreou há alguns meses em colaborado com os dois autores: “Lenita”.

O fato era mesmo curioso. Tres rapazes, evidentemente inteligentes e capazes, tinham reunido os seus esforgos para dar vida a uma história que lhes parecia de interesse. O resultado era a novela mais falsa e vazia que é possível conceber. Apesar de todo o esfórgo ser nesse sentido, nem originalidade tinham conseguido.

Quem já conhece o sr. Jorge Amado facilmente poderia fazer crédito - e tanto a ele como aos dois outros novelistas. Foi o meu caso. Do srs. Edison Carneiro e Dias da Costa ainda espero prova positiva - de que nao duvido aliás.66

O fragmento foi retirado de um artigo publicado pelo escritor, crítico literário e ensaísta Octávio67 de Faria que colaborou com a revista Literatura dirigida por Augusto Frederico Schmidt, futuro editor de O país do carnaval. Nao podemos deixar de lembrar que foi Octávio de Faria o responsável pela apresentagao de Amado ao editor68. Quando Amado se transferiu para o Rio de Janeiro com o intuito de terminar o ensino secundário ingressou na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, onde integrou o grupo de seu primo Gilberto Amado, do qual Octávio de Faria fazia parte69.

O fato de Amado fazer parte da rede de sociabilidade do ensaísta acabou ajudando no encaminhamento da crítica e amortizagao de comentários que poderiam soar como ácidos. Nota-se, em sua fala, apesar da crítica demolidora feita a Lenita, uma consideragao quanto ao talento dos escritores rebeldes. O autor nao poe em cheque a inteligencia dos jovens escritores e reiterou que o livro editado por Augusto Frederico Schmidt é a retratagao do jovem escritor baiano frente à comunidade intelectual do país.

Lenita é uma das primeiras tentativas de escrita dos rebeldes. Fora um ensaio para O país do carnaval - primeiro romance amadiano consagrado pelos críticos -, já que “conseguiu uma certa estima literária” sendo, por isso, o menos atacado70. Notamos que nele há a influencia da vivencia do escritor quando ainda era da Academia dos Rebeldes (AR)71.

Nao estamos em total acordo com Palamartchuk quanto ao processo de escrita de O país do carnaval. Para a historiadora, o livro foi escrito no final de 1930 quando Amado, ainda estudante, tentava terminar o “ginásio” no Rio de Janeiro72. Baseados em entrevista cedida por Amado à Raillard, como na tese de Júlia Monnerat Barbosa, sustentamos que apenas os dois últimos capítulos foram terminados no Rio de Janeiro. Além disso, nao encontramos no comentário de Palamartchuk nenhum tipo de fonte ou bibliografia que sustente sua afirmagao73.

No primeiro romance amadiano, fica clara a intengao de representar na ficgao os problemas que sua geragao estava enfrentando na vida real, como a incerteza de qual caminho seguir. Amado transporia nao apenas as suas dúvidas perante os caminhos incertos da vida, como enveredaria por uma tentativa de representagao do cenário intelectual baiano da década de 1930, tendo como base sua experiencia na AR, pois nas palavras do pròprio Amado, suas melhores recordagoes “sao as do tempo em que com Pinheiro Viegas (hoje cego e pobre) e um grupo de amigos fazíamos na Boa Terra uma literatura dañada”74.

O escritor baiano teve a sorte de contar com o interesse de Octávio de Faria pelos originais de O país do carnaval. Já dissemos que foi através de Faria que os originais do romance chegaram as maos do Augusto Frederico Schmidt, que tinha uma editora e livraria75. Este editor langou obras de autores como Rachel de Queiroz, Lucio Fontes, José Geraldo Lima, Armando Fontes, Marques Rabelo, Graciliano Ramos e outros que se consagrariam como a Geração de 193076.

Havia um homem muito ligado ao Schmidt, chamado de Tristao da Cunha. Ele tinha traduzido Shakespeare, tinha escrito um livro de viagem sobre a Islandia, era muito respeitado no mundo literario. Nao confundir com o outro Tristao da Cunha, aquele que foi deputado... nao sei se eram parentes ou nao. Um dia ele foi ver o Schmidt, o Schmidt nao estava, ele sentou a frente da mesa, pegou os originais do meu livro na gaveta e comeyou a ler.

Quando o Schmidt chegou, eles conversaram o que tinham que conversar e depois me perguntou quem era o autor daqueles originais. O Schmidt respondeu que eu era primo do Gilberto Amado, os originais tinham sido levados pelo Otávio de Faria etc. Aí o Tristao da Cunha pediu emprestado e levou.77

Depois de alguns dias Tristao da Cunha escreveu para Jorge Amado o parabenizando pelo trabalho. Fez o mesmo para Augusto Frederico Schmidt recomendando a publicado imediata do livro, que foi editado em setembro de 1931, sendo bem recebido entre os intelectuais78.

O romance está conectado aos problemas que afetaram a Gera<¡ao de 30, ou, como diria Táti, foi escrito por um homem “compromissado com os problemas do tempo”. Diria o próprio Amado que este “livro é um grito. Quase um pedido de socorro. É toda uma geragao insatisfeita, que procura a sua felicidade. - Nós já cometamos a luta contra dúvida”79. Na leitura de Duarte, o romance acaba trazendo algumas questoes caras a geragao do autor, como: “O que somos?”, “que país é este?”, “para onde vamos?”80. Ainda na interpretado de Duarte, o primeiro livro amadiano segue a mesma pegada regionalista (do Modernismo) de O Quince (Rachel de Queiroz) e A Bagaceira (José Américo de Almeida) sendo, ao mesmo tempo, uma espécie de cruzamento da estética do regionalismo recifense (liderado por Gilberto Freyre e José Lins do Rego) e do movimento modernista (dos artistas e escritores cariocas e paulistas da Semana de 22)81.

Nao concordamos totalmente com a interpretado de Duarte sobre a estética de O país do carnaval. Estamos de acordo que Amado tenha se inserido dentro desse movimento regionalista (marcado pelo regionalismo tradicionalista de Freyre e Rego e o tradicionismo dinámico de Carlos Chiacchio) que cometa a surgir no final da década de 1920 entre as cidades de Salvador e Recife. Esse movimento buscou uma espécie de universalidade dos problemas enfrentados pela regiao Nordeste como a fome, a miséria, a dor, assim como a valorizado das culturas afro-brasileiras e indígenas82.

Por outro lado, nao concordamos com a associalo simplista do primeiro romance amadiano com o modernismo, considerando que o pròprio Jorge Amado desautorizou qualquer associalo de seus romances ou da agremiado AR ao movimento modernista paulista-carioca. Nas palavras do pròprio autor:

Nao nos pretendíamos modernistas, mas sim modernos: lutávamos por uma literatura brasileira que, sendo brasileira, tivesse um caráter universal; uma literatura inserida no momento histórico em que vivíamos e que se inspirava em nossa realidade, a fim de transforma-la. 83

Nesse sentido, acreditamos que é necessàrio uma análise mais profunda da fala de Amado, quando afirmou que: “Nao nos pretendíamos modernistas, mas sim modernos”. Ou seja, mesmo que o autor tenha reconhecido que o “modernismo destruiu os velhos padroes liberais do país”84, acabou afirmando que pouco se esforgaram os modernistas para “renovar”. Também disse Amado que os modernistas destruíram muitas coisas, mas nada construíram85. Parece que a memòria dele em torno da “improdutividade” do modernismo tem ligagao com a afirmagao que o editor da primeira edigao de O país do carnaval, Augusto Frederico Schmidt, fez sobre o modernismo, porque o “movimento modernista iniciado por Graga Aranha, e que Mario de Andrade e outros mais sistematizaram, foi o movimento de afirmagao do espírito. Mas o movimento morreu e nao nos diz hoje mais nada”86. Acreditamos que é necessària uma análise mais consistente para pensar na relagao de O país do carnaval com o modernismo.

Mas, ainda analisando para além das questoes estéticas, o escritor Carneiro ponderou que o primeiro livro “nao é romance, tendo apenas o merito, muito grande, mas único, de haver fixado um ‘momento’ da angustia intellectual da juventude”87. Augusto Frederico Schmidt teria uma impressao um pouco parecida, avaliando na Carta-Prefácio do romance que é “antes de tudo um forte documento do que somos hoje, nós mocidade brasileira, mocidade sem solugao, fechada em si mesma, perdida numa terra que nos dá a todo momento a impressao de que sobramos”88.

Seu livro acordou em mim velhas revoltas sufocadas e recalcadas contra a vida e a terra em que vivemos. Paulo Rigger, seu personagem nao é cerebral, nao é um filho do ocidental saturado e exasperado de cultura, é apenas um pobre mogo brasileiro como eu, como voce, como todos nós.

Nós estamos vivendo o momento do tédio. As geragoes se sucedem vertiginosamente. E vem árdegas, querendo realizar alguma coisa, manter acesa a lampada do espírito. Mas em pouco tempo suficiente para se realizar. E nao deixamos nem sequer um trago da nossa passagem. Eu, pouco mais velho que voce, já me sinto muito distante de tudo, num desinteresse sempre crescente, pelo que alimentou o meu gosto pela vida. Nao temos frescura, nem nos podemos repousar nos bons silencios. Viemos para gritar que existimos, diante de uma nagao adormecida e indiferente. Cansamos, porém logo. E assistimos com melancolía à vinda dos que ainda acreditam que é possível gritar, que é útil gritar.89

Schmidt aproveita o prefácio para fazer um desabafo marcado por um pessimismo dosado. Ao dizer que os problemas vividos pela personagem Paulo Rigger representam aquilo que eles estao passando, o crítico acabou aproximando geragoes diferentes, a dele e do autor. Do mesmo modo, nota se um cansago que nao podemos ver, mas sentimos por meio do discurso. É como se nao apenas o tempo cansasse, como o cenário de mesmice que viviam os “homens de letras”, pois ainda se vivia numa “nagao adormecida e indiferente”. Em contrapartida, o autor demonstrou ánimo frente ao surgimento de novos intelectuais dispostos a gritar, e nao foi por acaso que ele se tornou um dos editores que mais langou autores promissores.

Dentre os vários elogios, nao faltou folego para as críticas. Esclareceu Schmidt, que o livro ainda era “balbuciante” por se tratar de um escritor estreante. “Os home ns que se movem dentro dela sao homens e nao personagens de símbolos. O que voce quis dizer e por vezes nao o conseguiu inteiramente, nós o podemos saber por voce próprio e pela nossa experiencia”90. Acrescentou que todos os romances brasileiros sao ricos em cenários belos e verdadeiros, e a ausencia deles no romance de Amado é um de seus defeitos e qualidades91. Mas, colocou Octavio de Faria em artigo já citado, que os defeitos sao superados pelas qualidades92.

Medeiros e Albuquerque comentando o romance afirmou que quem olha para a folha de rosto e le o prefacio do livro nao tem nenhuma vontade de conhece-lo. Com isso, perde o leitor a oportunidade de ter contato com um excelente livro, que é “Bom, bem feito, vivo, tem, é certo, um evidente excesso de diálogos sobre narragoes e descrigoes, excesso que podia ser evitado, mas nao lhe prejudica o encanto”93.

Edison Carneiro esclareceu que “‘O Paiz do Carnaval’ demarcou o inicio de uma evolugao que prenunciava grandes triumphos no romance social”94. Nelson Werneck Sodré ponderou que o romance tem inspiragao nas vivencias do escritor quando era um rebelde95, ideia que seria confirmada por Amado na entrevista dada a Raillard96. Segundo Silva, o escrito literário retrata o campo intelectual de finais dos 1920 e inícios de 1930. Ou, como afirmou o rebelde Sosígenes, é “um espelho cruel” daquela geragao atormentada pelas incertezas97. Esse mesmo sentimento do autor é compartilhado por Duarte, quando afirma que “prevalece a negagao do status quo. Nenhum dos personagens encontra o ‘verdadeiro sentido da existencia’, todos se frustram ou se iludem”98. Ainda para Sosígenes, trata-se de um romance que: “Diz respeito duplamente á vida intelectual soteropolitana: é produto do ambiente literário local e possui como tema a natureza da vida intelectual, isto é, suas limitagoes, impasses, dúvidas e perspectivas”.99

Na leitura do jornalista e escritor Heitor Margal, o romance é uma biografia de sua geragao, porque “Lendo-o a gente só repara uma coisa: presenga. Atualidade. Com a soma alta de inquietagao. E quem dirá que essa agitagao toda nao é uma heranga do passado?”100. Acrescentou que tanto nesse quanto nos romances de Rachel de Queiroz e demais escritores daquela geragao, nao se tem preocupagao com a forma, “nao há lugar para a frase derramada e piegas que faz a delícia da gente leitureira”101.

Cacan, Suor, Jubiabá e Mar morto: o romance proletàrio?

Se o primeiro romance foi uma tentativa, nem sempre exitosa, de representaçao de uma geraçao e seus problemas, em Cacan (1933) Amado apresentou um caminho. Segundo Barbosa, é nesse romance que o escritor baiano pôe à vista sua aproximaçâo com as orientaçôes do PCB102. A autora nao està equivocada, porque fora com esse romance que Amado tentou representar o cenário de exploraçao dos homens que trabalharam nas plantaçôes de cacau dos grandes coronéis da cidade de Ilhéus, no Sul da Bahia. Outras questôes também sao representadas como a condiçao de misèria em que viviam os trabalhadores como, por exemplo, as prostitutas, às quais se condicionou a cham ar de “operárias do sexo”. Eduardo de Assis Duarte, afirma que Cacau é a demonstraçao de que o caminho do escritor baiano seguiu em direçao à esquerda, pois o interesse em representar os latifundios e suas mazelas socioeconómicas tinha uma relaçao direta com as diretrizes do PCB103.

Segundo o médico e escritor chileno Juan Marín, num artigo que escreveu para a revista El Mercurio da cidade de Santiago (Chile), o romance é “dramático como la verdad y como la vida mismo”104. Segundo Duarte, o romance tinha a funçao de representar o sofrimento dos trabalhadores das fazendas de cacau, especialmente as condiçôes de subsistencia, como moradias precárias, alimentaçao de péssima qualidade e exploraçao da força de trabalho105.

Marín também lembrou que o livro causou tanta repercussao e polémica que acabou sendo apreendido pela polícia. Palamartchuk reporta o ocorrido:

A publicaçao de Cacau teve grande repercussao entre os críticos literàrios e, também, entre a polícia carioca que o apreendeu, mas por intervençao de Oswaldo Aranha (entao, Ministro do Exterior) foi liberado 24 horas depois. Talvez até por causa da apreensao é que o livro fez sucesso entre o público: a primeira ediçao, maio de 1933, contou com 2000 exemplares e se esgotou em um més, tendo a segunda ediçao, julho-agosto de 1933, 3000 exemplares.106

Acreditamos que Palamartchuk tem toda razao ao afirmar que a apreensao dos exemplares tenha gerado impacto entre os escritores, mas O país do carnaval, apesar das críticas, conquistou os críticos da época. Com Cacau nao foi diferente. Até mesmo o integralista sergipano Omer Mont’Alegre elogiou o romance no jornal Estado de Sergipe e estimulou seu autor dizendo que ele “tirou a roupa da verdade. Arrancou-lhe a dentadura. O ólho de vidro. A cabeleira (...) Voce há de ser combatido por causa de seu livro. Nao esmoreça. Faça outro”107.

Explicou Marín que, com Cacau, Amado se tornou “uno de los cuatro o cinco más grandes novelistas de America em la hora actual: está junto a Gallegos, Rivera, Azuela y Icasa”108. No cenário nacional, o jornalista Odilo Costa Filho incluiu o romance junto com Menino do engenho de José Lins do Rego e Joño Miguel de Rachel de Queiroz no rol das grandes obras brasileiras, tendo em vista que “este Jorge Amado fez coisa tao pouco literária que qualquer outro nao faria”109.

Suor (1934) teve um caminho diferente dos anteriores. Seus rascunhos começaram em 1928 quando Amado residia num casarao no Pelourinho. Nele, o autor continuou sua busca pela representaçâo das condiçôes sociais e económicas em que viviam os trabalhadores baianos. O cenário principal é um cortiço fétido na ladeira do Pelourinho, onde moravam estivadores, costureiras, prostitutas, operários e tantos outros sujeitos esquecidos pelo governo, mas lembrados pelo locador nos dias de pagamento dos alugueis110. Para Betina Ribeiro Rodrigues da Cunha, as personagens do enredo sao tomadas como “sujeitos-objetos” ou “sujeitos-impressoes” para representar a cenário de exclusao e sofrimento, residindo aí o caráter engajado do romance que se quer afirmar como proletàrio111. Diz ainda a autora que

As narrativas sao uma prosa fragmentada, que se assemelha a uma sucessao de temas e contos reunidos por um único endereço, Ladeira do Pelourinho, n° 68, sobrado com quartos subdivididos até o máximo da promiscuidade, opressivo e desumano respeito ao homem. Este sobrado, objeto simbólico de um cotidiano de misèria, de lixo e de suores, se mistura, fazendo valer - em uma voz polifónica que resgata, dentre tantos tipos excluidos em uma subcondiçao humana - uma consciencia lírica a denunciar a exploraçao do outro e o caminho revolucionário.112

Todo esse cenário caótico construido por Amado, representa os problemas enfrentados pelas classes mais pobres soteropolitanas113. Segundo Santos, a intençâo do autor é “describir la labor diaria de los oprimidos de este contexto social. Ahora bien, en esta obra describe la vida cotidiana de carácter pobre y subyugado del lumpenproletariado en Salvador”114. Por outro lado, na leitura de Cunha, esses sujeitos oprimidos podem ser considerados como “heróis anónimos” 115, mas tal leitura confronta-se com a de Duarte, que defende a ideia de uma ausencia do herói na narrativa que, outrossim, dá espaço para personagens que sao descritas de maneira positiva, garantindo assim a cidadania desses sujeitos- personagens116.

O Sr. Jorge Amado é um desses escritores inimigos da convençao e da metáfora, desabusados, observadores atentos. Conheceu, há alguns anos, um casarao de tres andares na ladeira do pelourinho, Bahia, e resolveu apresentar-nos os hóspedes que lá encontrou - vagabundos, ladróes, meretrizes, operários, crianças viciadas, agitadores, seres que se injuriavam em diversas línguas: árabes, judeus, italianos, espanhóis, pretos, retirantes do Ceará, etc. Até bichos. Essa fauna heterogénea nao se mostra por atacado na obra do romancista baiano: forma uma cadeira que principia no violinista que percorreu a França, a Alemanha, outros países, e acaba no rato que dorme junto à esteira de um mendigo.117

A fala do escritor Graciliano Ramos é significativa. Ele acreditou que o movimento feito por Amado representou um esforço dos escritores de sua geraçao em querer entender os lugares e os sujeitos que podemos considerar como periféricos, como o engenho, a fábrica e o subúrbio, sem medo de “falar errado como tóda gente, sem dicionário, sem gramática, sem manual de retórica. Ouviram gritos, pragas, palavroes, e meteram tudo nos livros que escreveram”118. Graciliano Ramos acrescentou que esses escritores poderiam ter trocado os gritos por suspiros e os palavroes por oragoes, mas resolverem “por os pontos nos ii”.

O que liga os anéis da cadeia nao é o trabalho, como o título do livro, Suor, poderia fazer-nos supor: é misèria, misèria completa, nojenta, esmolambada, sem nenhuma espécie de amparo.

Todos os habitantes do prédio vivem na indigencia ou aproximam-se dela. Sente-se, de fato, o cheiro de suor, pois logo no comego, surgem à porta alguns trabalhadores do cais do porto.

Esses trabalhadores, porém, à excegao do preto Henrique, mexem-se pouco. Sentimos bem é um fedor de muitas coisas misturadas: lama, pus, cachaga, urina, roupa suja, semen - uma grande imundícia apanhada com minudencias excessivas.119

Oswaldo Dias da Costa, ex-membro da AR, teve uma percepgao muito parecida sobre o enredo, e apontou que com o terceiro livro Amado apresentou para seus leitores um “produto novo”. Conforme Dias da Costa, o autor demonstrava estar seguro sobre qual caminho seguir, esforgando-se para dar o melhor e com “a maior honestidade, na árdua caminhada que se impos, combatendo p ela idéia que sinceramente adotou e que julga, com toda boa fé, ser a única capaz de resolver problemas que se lhe afiguram angustiosas”120. Jubiabá (1935) acabou reforgando o empenho de seu autor em seguir um caminho, uma diregao no “fazer literário” sob a orientagao do PCB. Assim descreve Barbosa a personagem principal do romance:

Balduíno, órfao criado pela tia no morro do Capa Nego, em Salvador, em sua primeira infancia, teve existencia pobre mas conhecia uma estrutura familiar estável com a tia. Sua vida muda quando sua tia é internada em um hospicio e ele é acolhido como criado na casa de um rico comendador, na Travessa Zumbi dos Palmares, onde permanece até os 15 anos. Depois vira mendigo no Pelourinho, malandro errante pelas ruas da cidade na idade adulta, plantador de tabaco, lutador de boxe e compositor de modinhas, até conhecer a redengao final como líder proletàrio. Seu sonho, desde crianga, era ter sua vida cantada em um ABC, como os que louvavam os grandes cangaceiros do sertao.121

Temos ai uma excelente apresentagao do enredo feita pela autora, e quem leu acrescentaria apenas as descrigoes sobre as festas nos terreiros de candomblé, ou mesmo as belas narrativas em torno da Baía de Todos os Santos.

Em carta a Amado, Rachel de Queiroz afirmou a grandiosidade do quarto romance entregue aos leitores. Era o exemplar que tanto esperava, superando a expectativa da escritora:

Grande, grande livro, seu Jorge. Cheio duma estupenda poesia, duma poesia de sopro largo e formidável. Poesia que voce nao revelara ainda em seus livros anteriores, senao em tragos ligeiros. Figuras que aparecem que vem cercados de luz, como aquela Maria da barcaga, aquela que canta de cabelos soltos animando o marinheiro. E o Gordo, com todo o seu trágico burlesco e ternissimo...122

É inegável que Jorge Amado teve a total aprovagao dos amigos vinculados ou nao ao PCB, como José Lins do Rego, Rachel de Queiroz, Edison Carneiro, Josué de Castro, e tantos outros críticos literários e escritores nao vinculados ao círculo de sociabilidade do baiano. Nao encontramos nenhum tipo de crítica que levantasse muitos problemas do romance, com exceçâo de José Lins do Rego que exigiu do autor ser “mais realista”123.

Nos chamou a atençâo o comentário de Monteiro Lobato, que afirmou ser Mar morto (1936) o auge de seu criador, deixando Jubiabá apenas na posiçâo de mais um excelente livro escrito124. O enredo traz representaçôes em torno da vida dos moradores dos portos de Salvador, mostrando os códigos de conduta, vida dos mestres de saveiro e pescadores, prostituiçâo, bares e as condiçôes de misèria em que viviam em suas casas pequenas e insalubres. No texto publicado na 3° ediçâo da obra, disse Lobato:

Jorge Amado: Recebi o “Mar Morto” que me ofereceu. Li-o em très sentadas, com a mesma emoçâo trágica que seus livros sempre despertam. Em novembro do ano passado estive por várias vêzes naqueles cais, perto da igreja da Conceiçâo da Praia, vendo os saveiros atracados e os que vinham vindo de velas abertas - e pensei em vocé. “Qualquer dia o Jorge Amado presta atençâo e pinta os dramas que devem existir aqui”. Adivinhei.

Seus livros da Bahia revelam-me mais que um escritor, que um romance, que um artista. Revelam-me uma força da natureza, uma espécie de harpa eólia que ressoa a passagem dos ventos dos dramas da misèria. Daí a especialíssima impressâo que me causam - única, inconfundível e trágica. Tragèdia no sentido grego da palavra. Na planura da literatura brasileira Jorge Amado vai ficar como um bloco súbito de montanha híspido, cheia de alcantis, de cavernas, de precipicios, de massas brutas da natureza. 125

Lobato acreditou que o quinto romance superou disparadamente o anterior. No mesmo artigo, assegurou que o livro demonstrou as potencialidades de um autor que nao tem uma forma definida para escrever, e por isso sâo livros de dar dor de cabeça em “académicos, aos brochas, aos seguidores de regras de arte, aos onanistas da forma”126.

Raul Bopp, no artigo publicado pela revista Diretri%es, em 1939, corroborou as impressoes de Rachel Queiroz e Gilberto Amado127 sobre a essência poética do romance, evidenciando o caráter “fabuloso” do enredo com negros “de olhos esticados pra África, pras terras de Aiocá128. Os mestres de saveiros tâo trabalhando, tâo dançando, tâo cantando”129. Concluiu o poeta afirmando que ninguém mais seguraria o homem de Cacau, que “disparou pelo mar adentro, foi ver Iemanjá. Ninguém mais pega éle nâo”130.

Aydano do Couto Ferraz anotou que com Capitaes de areia (1937), havia se fechado um ciclo que Amado denominou de “Romances da Bahia”. O sexto romance

é um livro que revela ao Brasil aspectos inteiramente desconhecidos da vida das crianças abandonadas na cidade do Salvador, crianças que roubam nas feiras, adoram feitos de cangaceiros, amam à luz das estrelas. Infancia abandonada do meio da qual saem, indiferentemente, bandoleiros ou cantadores de abc.131

Podemos dizer que muitos dos críticos literários, escritores e jornalistas que escreveram sobre a obra de Amado nos jornais e revistas da década 1930 eram de vários estados do país, sendo a maioria do que hoje consideramos como Norte e Nordeste, e reforçaram nos referidos romances um esforço de busca pela gente brasileira. As obras de Amado acabaram representando esses temas nacionais132. Jorge Amado escreveu uma primeira leva de romances que tiveram a Bahia como principal cenário, representando um esforço de inserçâo dos elementos locais e regionais que poderiam ser considerados universais para a maioria dos brasileiros da época, como a incerteza do futuro do país, a misèria, a exploraçâo, prostituiçâo, a dor, o sofrimento e tantos outros. Isso está representado no discurso de Odilo Costa Filho sobre Cacau: “E nenhum livro me faz tanto pensar, olhar para mim mesmo e para nós, Brasil”133.

Os romances regionalistas de Amado estavam ligados ao movimento de renovaçâo que ganhou maior identidade e solidez com escritores nordestinos como Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, José Américo de Almeida, Graciliano Ramos e o pròprio Jorge Amado134. Segundo Barbosa, como “grande parte destes escritores era proveniente do nordeste, se dá, entáo, o estabelecimento de uma unidade explicativa de suas obras a partir de uma perspectiva geográfica”135.

Antes mesmo de Barbosa, o escritor e geògrafo pernambucano Josué de Castro alertava-nos no Diàrio Carioca de 1936, que havia saído “do nordeste resignada, a primeira fornada de verdadeiros romancistas brasileiros. Romancistas chamados de proletários, porque se meteram por lugares escuros onde só os pobres penetram”136. Reiterou que

Foi o clima humano do nordeste que amadureceu o sentido do verdadeiro brasileirismo, na consciencia dos intelectuais. É que o nordeste é de todo territòrio brasileiro, a zona que contém maior sentido de tragédia. Keyserling diz que o habitante do deserto tem consciencia antes de tudo, do trágico na vida, e o sertanejo do nordeste é habitante dum deserto geográfico e demográfico, vivendo, pois embebido deste sentido que cria no espirito, uma grande força latente, recalcada. Fórca que num momento dado pode transformar o sentido trágico num sentido heroico e alcançar supremas realizaçôes. Uma dessas superaçôes. é o novo romance brasileiro, escrito no nordeste.137

Era sobre a famosa “geraçâo de 30” que se referia o discurso de Castro, considerada pelos críticos como a que inaugurou, no Brasil, o “romance social”. Claro que ainda estava em curso a organizaçâo de uma estética, como pode ser notado nos escritos de Amado. Explica Barbosa que os escritores dessa geraçâo “nâo apresentavam no momento de escrita de suas primeiras obras um sentido de unidade programática como foi o caso, por exemplo, da geraçâo de modernistas que os precedeu”138.

Segundo depoimento de Raquel de Queiroz, na época em que começaram a escrever suas primeiras obras, nenhum dos romancistas que posteriormente seriam agrupados no grupo do “romance nordestino” tinha a intençâo de produzir um “romance social”: “Nós nâo tínhamos a intençâo de fazer romance de sentido social (...) o que fazíamos era romance-documento, romance-testemunho”. Essa firmaçâo de Raquel nos é útil no sentido de indicar como elemento de coesâo entre estes novos escritores, sobretudo, a vinculaçâo do narrado a situaçôes observadas em suas realidades específicas.139

Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, José Américo de Almeida, Armando Fontes, José Lins do Rego, Clovis do Amorim, Cordeiro de Andrade eram alguns dos que compunham um grupo de autores que retrataram o “drama do Nordeste” na literatura, e despertaram a simpatía de Amado pela esquerda. Drama que esteve presente em todo canto do país, e teve, na conceppao do autor, suas bases no “latifundio, na explorado feudalista da terra, e no país que está extremamente atrasado” 140

A ideia do romance-documento ou romance-testemunho gira em torno da ideia de representado da realidade vivida pelos brasileiros em suas especificidades regionais, sendo exatamente isso que Rachel de Queiroz fez em O Quince para pintar o cenário da seca e da miséria das camadas populares de Fortaleza (Ceará)141. O romance da escritora cearense faz referencia a grande seca de 1915, quando a autora só tinha cinco anos de idade, forjando sua familia a mudar para o Rio de Janeiro em 1917, retornando para o estado de origem apenas dois anos depois. Com esse romance, a autora alcanpou aquilo que Castro denominou de “novo romance”, preocupado em revelar naquele momento de “compreensao e interpretado humanas, de unificado da inteligencia e da sensibilidade brasileiras”142.

Em um artigo publicado pela revista Boletim de Ariel, voltada para as artes e a literatura, Rego referenciou o caráter documental do quarto romance de Amado:

“Jubiabá” é um livro que fala com uma eloqüencia formidável da desgrana, do sofrimento de uma humanidade que Deus esqueceu pelos morros e pelas plantapoes de fumo da Bahia. Neste sentido o romance é, incontestavelmente, um documento dos mais dolorosos expostos as vistas do mundo (grifo nosso). Que existe um inferno na terra ninguém poderá duvidar. Procure-se a Bahia de Jubiabá para se entrar em contacto com uma gente que foi ao extremo do pauperismo, na terra que os cronistas pintavam com o mel e as frutas do paraíso.143

O escritor e historiador Octávio144 Tarquinio de Souza observou que o caráter documental de Jubiabá está nas várias observapoes em torno de fatos, acontecimentos, espetáculos e coisas vividas que remetem a um plano “que nao será irreal mas nao é seguramente o da realidade quotidiana e vulgar”145. E acrescentou, que pode “Jubiabá ser um negro de verdade, eleitor, segundo me afirmaram, do ilustre deputado Homero Pires; podem muitas das personagens que aparecem no livro ter existencia real, observadas pelo romancista nas suas ‘colheitas de material’. Nao importa!”146

Acreditamos que existe muita coesao nos discursos dos comunistas sobre o romance- documento. O escritor comunista Aderbal Jurema, em um artigo publicado pelo Boletim de Ariel, em 1934, fez uma análise interessante do romance Suor e chegou a afirmar com muita convicpao que nao se tratava apenas de um texto literário, porque era “antes, porém, um documento vivo e impressionante do proletariado urbano da cidade de Sao Salvador”147.

Os romances regionalistas foram articulados “pela grande preocupado em representar, quase sem intermediado, aspectos da sociedade brasileira na forma de narrativa que beiram a reportagem ou o estudo sociológico”148. Segundo reflexao de Portella, Jorge Amado foi um dos poucos escritores regionalistas que soube fazer uso do “documento sociológico em detrimento do testemunho ou da realizado artística”149.

A busca por dados empíricos nos escritos literários aproximou muitos desses autores a figura do antropólogo. Foi o caso de Jorge Amado que “empreendeu diversas viagens pelo sertao da Bahia e diferentes regioes do Nordeste com o objetivo de ‘coletar material’”150. Para Portella, “No caso dos romancistas do Nordeste, este apego ao ‘real’ se apresentava de manei ra ainda mais acentuada porque muitos intelectuais identificaram nesta regiao uma concentrado dos principais problemas da sociedade brasileira”.151

Dos estados nordestinos, os regionalistas buscavam por temas universais que atendessem a demanda de describo da “alma do Brasil’ e de seus problemas económicos, sociais e culturais. Assegura Portela, que Amado “soube perfeitamente compreender, assimilar e valorizar essas manifestares locais ou regionais de vida e de cultura”152.

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1 “O pai, João Amado de Faria, sergipano de Estância, irmão de Melchisedech Amado (pai dos Amados de Sergipe, todos êles destacados no cenário cultural ou social do país: Gilberto, Gildásio, Gildo, Gennyson, Genolino, Gilson, Guiseppe, Gileno), fôra caixeiro de um armazém de secos e molhados, dos 10 aos 20 anos. Em 1902, emigrou para Ilhéus, levando de seu, no bolso, meio conto de réis, e na determinação um desejo, mais tarde realizado, de tornar-se fazendeiro. Com a cheia do rio Cachoeira, em 1914, perdeu tudo que tinha e padeceu miséria. Até 1918 exerceu, na cidade de Ilhéus, oficio de tamanqueiro, com residência no bairro de Pontal, auxiliado pela espôsa, D. Eulália Leal Amado, sertaneja baiana de Amargosa, cuja família, em busca de fortuna, emigrara, como o fizera João Amado, para a zona do cacau”. TÁTI, Miécio. Jorge Amado: vida e obra. Belo Horizonte: Editoria Itatiaia Limitada, 1961. p. 17-18.

2AMADO, Jorge; GOMES, Alvaro Cardoso. Jorge Amado. Sao Paulo: Abril Educaqao, 1981. p. 4; Cf. SOARES, Angelo Barroso Costa. Academia dos Rebeldes: modernismo á moda baiana. 2005. 207 f. Dissertaqao (Mestrado em Literatura e Diversidade Cultural) — Universidade Estadual de Feira de Santana, Feira de Santana, 2005.

3TÁTI, op. cit., p. 17-18.

4SILVA, Paulo Santos. Ancora de tradi^ao: luta política, intelectualidade e construqao do discurso histórico na Bahia (1930 1945). Salvador: EDUFBA, 2000. p. 80.

5RAILLARD, Alice. Conversando com Jorge Amado. Rio de Janeiro: Record, 1992. p. 31; SILVA, op. cit., p. 80.

6TÁTI, op. cit., p. 15-16; AMADO; GOMES, op. cit., p. 7.

7Disse: “lá conheci um homem incrível, o padre Cabral, nosso professor de Portugués; ele me emprestava livros, fez-me descobrir As viagens de Gulliver, Dickens, que é até hoje um dos meus autores preferidos, e isso ajudou a suportar aquele universo rígido”. SILVA, op. cit., p. 80-81.

8AMADO; GOMES, op. cit., p. 7.

9Idem.

10RAILLARD, op. cit., p. 31.

11AMADO; GOMES, op. cit., p. 8-9.

12TÁTI, op. cit., p. 16; RAILLARD, op. cit., p. 31.

13MADO; GOMES, op. cit., p. 7.

14ILVA, op. cit., p. 79.

15Termo usado na época e mantido por Silva na pesquisa. Idem.

16DALMÁS, Carine. Frentismo cultural dos comunistas no Brasil e no Chile: literatura, escritores e virada aliancista (1935 1936). Projeto História, Sao Paulo, n. 47, p. 228, ago. 2013.

17AILLARD, op. cit., p. 48-49.

18Ver debate em: SANTANA, Geferson. O combate das ideias: estratégias culturais dos intelectuais comunistas baianos na produgao de um novo conhecimento sobre o Brasil (1920-1937). 2017. 336 f. Disserta^ao (Mestrado em História) — Universidade Federal de Sao Paulo, Guarulhos, 2017.

19DALMÁS, op. cit., p. 233 e 229.

20AMADO, Jorge. Cacau. Rio de Janeiro: Record, 1981. p. 8.

21GUIMARAES, Alberto Passos apud AMADO, Jorge (Org.). Jorge Amado: 30 anos de literatura. Sao Paulo: Livraria Marins Editoria, 1961. p. 76-77.

22CORDEIRO, Joao apud Ibidem, p. 73.

23FOUCHET, Max-Pol apud Ibidem, p. 76.

24MENDES, Murilo apud Ibidem, p. 72.

25Idem apud Ibidem, p. 72.

26SECCO, Lincoln. Leituras comunistas no Brasil (1919-1943). In: DEAECTO, Marisa Midori; MOLLIER, Jean-Yves (Orgs.). Edi^ao e revolu^ao: leituras comunistas no Brasil e na Franqa. Cotia, Sao Paulo: Atelie Editorial; Belo Horizonte, Minas Gerais: Editoria UFMG, 2013. p. 56.

27AMADO; GOMES, op. cit., p. 13. Para uma consultar de outros pesquisadores que tentaram entender o itineràrio de autores lidos por Amado, ver: DUARTE, Eduardo de Assis. Jorge Amado: romance em tempo de utopia. Natal: Editora da UFRN, 1995.

28TÁTI, op. cit., p. 40; SECCO, op. cit., p. 55.

29Idem.

30RAILLARD, op. cit., p. 56.

31O congresso foi fruto de um processo de transformares sociais, políticas, económicas e culturáis da sociedade soviética. Com a extinqao da Associafao de Escritores Proletarios Russos (RAPP), por Stalin devido a sua orientaqao trotskista, o governo russo criou a Uniao dos Escritores Soviéticos com intuito de oficializar uma nova política cultural.

32ZHDANOV, Andrei. Soviet Literature - Richest in Ideas, Most Advanced Literature. In: Gorky, Radek, Bukharin, Jdanov and others “Soviet Writers’ Congress 1934”, Lawrence & Wishart, 1977. Transcribed by Jose Braz, Andy Blunden and Hasan. p. [décimo e décimo primeiro parágrafos].

33NAPOLITANO, Marcos. A relaqao entre arte e política: uma introduqao teórico-metodológica. Temáticas, Campinas, v. 37, n. 38, p. 47, 2011.

34Termo usado pelo russo Zhdanov.

35PIEMONTE, Víctor Augusto. El realismo socialista, la Tercera Internacional y el giro político-cultural en el comunismo argentino. In: Jornadas de Sociología de la UNPL, 7., 2012, Argentina. Anais Eletronicos.... Argentina: UNPL, Argentina. p. 8.

36DIAS, Fabio Alves dos Santos. Do realismo burgués ao realismo socialista: um estudo sobre a questao da heranqa cultural no pensamento de Lukács nos anos 1930. 2014. p. 298. Tese (Doutorado em Sociologia) — Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo, 2014.

37NAPOLITANO, op. cit., p. 45.

38SANTOS, Daiana Nascimento dos. El realismo socialista en tierras tupiniquines. Pacarina del Sur, ano 5, n. 21, out./dez., 2014. Disponivel em: http://pacarinadelsur.com/home/figuras-e-ideas/1030-el-realismo-socialista-en-tierras-tupiniquines. Acesso em: 21 jul. 2018.

39LUKACS, Georg. Ensaios sobre literatura. Rio de Janeiro: Editora Civilizagáo Brasileira, 1965. p. 78.

40SANTOS, El realismo socialista en tierras tupiniquines.

41LUKÁCS, op. cit., p. 80.

42NAPOLITANO, op. cit., p. 45; PIEMONTE, op. cit., p. 8-9.

43PIEMONTE, op. cit., p. 10.

44TÁTI, op. cit., p. 57.

45EHRENBURG, Ilya apud MARIÁTEGUI, José Carlos. Revoluto Russa: história, politica e literatura. Sao Paulo: Expressao Popular, 2012. p. 139.

46SANTOS, El realismo socialista en tierras tupiniquines; SANTOS, Daiana Nascimento dos. Hoz, martillo, resistencia, sudor y pueblo en el brasileño Jorge Amado. In: CUNHA, Betina Ribeiro Rodrigues da; REIS, Carlos (Orgs.). Amado Jorge: um retrato de muitas faces. Rio de Janeiro: Bonecker, 2018. p. 39-40. Ainda Cf. SANTOS, Daiana Nascimento dos. Comunismo y Novela en el brasileño Jorge Amado. Izquierdas, Santiago de Chile, ano 3, n. 6, p. 1-5, 2010. Ainda conferir este debate em: DUARTE, op. cit., p. 30, 45, 91 a 145.

47SANTOS, El realismo socialista en tierras tupiniquines;

48SANTOS, Hoz, martillo, resistencia, sudor y pueblo en el brasileño Jorge Amado, p. 42.

49MORAES, Denis apud SANTOS, El realismo socialista en tierras tupiniquines.

50Cf. SANTANA, op. cit.; SANTOS, El realismo socialista en tierras tupiniquines.

51Sobre este aspecto, ver análise interessante: SANTANA, op. cit., p. 145-204.

52SANTOS, Hoz, martillo, resistencia, sudor y pueblo en el brasileño Jorge Amado, p. 42-43; SANTOS, El realismo socialista en tierras tupiniquines.

53Segundo os autores Maria das Grapas Nunes Cantalino e Ricardo Henrique Resende de Andrade, tem uma edipao rara do romance no Centro de Documentando e Informafdo Cultural sobre a Bahia (Sedic-Ba) da Fundando Clemente Mariani (FCM). CANTALINO, Maria das Grapas Nunes; ANDRADE, Ricardo Henrique Resende de. Lenita: um livro nao amado. Entrelazando: Revista Eletronica de Culturas e Educapao, Amargosa, v. 1, n. 1, p.111, out. 2010.

54OLIVEIRA, Olivia Fernandes de. Notas sobre algumas páginas mais ou menos modernas. O 'Modernismo' na Bahia através das Revistas. RUA. Revista de Arquitetura e Urbanismo, Salvador, v. 7, p. 14, 1999.

55ROSSI, Luiz Gustavo Freitas. O intelectual “feiticeiro”: Edison Carneiro e o campo de estudos das relapoes raciais no Brasil. 2011. p. 123. Tese (Doutorado em Antropología) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2011.

56Consultar site organizado pela Companhia das Letras em: http://www.jorgeamado.com.br/vida.php3. Acesso em: 25 de nov. 2016.

57Diário de Noticias, Rio de Janeiro, p. 4, 20 nov. 1931.

66FARIA, Octávio apud apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 60 e 65.

67Estamos mantendo a forma como o nome aparece no artigo do autor.

68AMADO; GOMES, op. cit., p. 15-16. .

69RAILLARD, op. cit., p. 52-53.

70AMADO; GOMES, op. cit., p. 15.

71SANTANA, op. cit., p. 72-92.

72PALAMARTCHUK, Ana Paula. Os novos bárbaros: escritores e comunismo no Brasil (1928-1948). 2003. p. 91. Tese (Doutorado em História) — Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2003.

73RAILLARD, op. cit., p. 45 e 51; BARBOSA, Júlia Monnerat. Militancia política e produgao literária no Brasil (dos anos 30 aos anos 50): as trajetórias de Graciliano Ramos e Jorge Amado e o PCB. 2010. p. 112. Tese (Doutorado em História) — Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2010.

74RAILLARD, op. cit.

75AMADO; GOMES, op. cit., p. 15-16.

76BARBOSA, op. cit., p. 122-123.

77AMADO; GOMES, op. cit., p. 16. A pesquisadora llana Seltzer Goldstein faz um breve comentário sobre a participado de Amado no grupo católico da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, onde seu primo Gilberto Amado era membro. GOLDSTEIN, op. cit., p. 124.

78BARBOSA, op. cit., p. 112.

79TÁTI, op. cit., p. 24-26.

80DUARTE, op. cit., p. 50.

81Ibidem, p. 46-47

82Ver debate em: SANTANA, op. cit., p. 55-72. Além das referencias consultadas pelo pesquisador Geferson Santana, consultar: NASCIMENTO, Gabriel Renato do. Carlos Chiacchio: um projeto modernista na Bahia (1928-1947). 2016. 145 f. Dissertalo (Mestrado em História) — Universidade Federal de Säo Paulo, Guarulhos, 2016.

83OLIVEIRA, op. cit., p. 14. Ver também análise em: GOLDSTEIN, op. cit., p. 129-130.

84TÁTI, op. cit., p. 90.

85Ibidem, p. 91-92.

86SCHMIDT, Augusto Frederico apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 57. Ainda sobre uma análise sobre este aspecto ver SANTANA, op. cit., p. 88-91.

87CARNEIRO, Edison. Uma toada triste vem do mar. O Jornal, Rio de Janeiro, p. 3, 24 nov. 1935.

88SCHMIDT, Augusto Frederico apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 55. Nao podemos esquecer que a análise de Goldstein corrobora a nossa: Cf. SANTANA, op. cit., p. 101-103; GOLDSTEIN, op. cit., p. 123-124.

89Idem.

90Idem.

91Ibidem, p. 56.

92FARIA apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 61.

93ALBUQUERQUE apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 58.

94CARNEIRO, Edison. Notas sobre “Suor”. O Jornal, Rio de Janeiro, p. 3, 21 out. 1934.

95SODRÉ, Nelson Werneck. Pinheiro Viegas. Correio Paulistano, Sao Paulo, p. 13, 28 mai. 1939.

96RAILLARD, op. cit., p. 46.

97Costa, Sosígenes apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 59-60.

98DUARTE, op. cit., p. 52.

99SILVA, op. cit., p. 108-109.

100MARQAL, Heitor apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 65.

101Idem.

102BARBOSA, op. cit., p. 134 e 136. Interessante notar que alguns autores como Goldstein nao deixam clara a relapao de Amado com o referido partido. GOLDSTEIN, op. cit., p. 135.

103DUARTE, op. cit., p. 56-57.

104MARÍN, Juan apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 70.

105DUARTE, op. cit., p. 63. Para análise do romance, consultar: SANTANA, op. cit., p. 170-182; SANTOS, El realismo socialista en tierras tupiniquines. Ainda consultar as referencias usadas por Santana.

106PALAMARTCHUK, Ser intelectual comunista: escritores brasileños e o comunismo (1920-1945), p. 117. Cf. DUARTE, op. cit., p. 74.

107MONT’ALEGRE, Omer apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 78.

108MARÍN apud Ibidem, p. 70.

109COSTA FILHO, Odilo apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 77.

110Consultar trabalho de: CUNHA, Betina Ribeiro Rodrigues da. Poéticas da negritude e da exclusao em Jorge Amado. Izquierdas, Santiago de Chile, n. 32, p. 172-183, mar. 2017. Ver réplica do mesmo artigo em: CUNHA, Betina Ribeiro Rodrigues da. Suor ou Ladeira do Pelourinho, n° 68: uma poética da exclusao. Amerika, n. 10, 2014. Disponível em: https://journals.openedition.org/amerika/4830. Acesso em: 23 jul. 2018.

111Ibidem, p. 174.

112Ibidem, p. 176.

113SANTANA, op. cit.

114SANTOS, El realismo socialista en tierras tupiniquines

115CUNHA, op. cit., p. 177.

116DUARTE, op. cit., p. 76, 83 e 84.

117RAMOS, Graciliano apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 84.

118Idem.

1199 Ibidem, p. 85.

120COSTA, Dias da apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 88.

121ARBOSA, op. cit., p. 152.

122QUEROZ, Rachel apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 102.

123REGO, José Lins do apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 94.

124LOBATO, Monteiro apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 130.

125Idem.

126Idem.

127AMADO, Gilberto apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 132.

128Aprofundar debate em: SANTOS, Daiana Nascimento do. Imaginarios literários y políticos en el brasileño Jorge Amado. New York: Edwin Mellen Press, 2012.

129BOPP, Raul apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 131.

130Idem.

131FERRAZ, Aydano do Couto apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 151.

132Consultar: SANTANA, op. cit.

133COSTA FILHO apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 77.

134Cf. SANTANA, op. cit.

135BARBOSA, op. cit., p. 107.

136CASTRO, Josué apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 115.

137Idem.

138BARBOSA, op. cit., p. 107.

139Idem.

140RAILLARD, op. cit., p. 48 e 74.

141Sobre este aspecto consultar: DUARTE, op. cit., p. 66, 73 e 83.

142CASTRO apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 115.

143REGO apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 94.

144Estamos mantendo da mesma forma que o autor assina o artigo.

145SOUZA, Octávio Tarquinio de apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 97.

146Idem.

147JUREMA, Aderbal apud AMADO, Jorge Amado: 30 anos de literatura, p. 91.

148CALIXTO, Carolina Fernandes. Jorge Amado e a identidade nacional: diálogos políticos-culturais. 2011. p. 72. Dissertapao (Mestrado em História) — Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2011.

149PORTELLA, Eduardo. A fábula em cinco tempos. In: AMADO, Jorge. Jorge Amado: 30 anos de literatura. Sao Paulo: Livraria Marins Editoria, 1961. p. 13.

150CALIXTO, op. cit., p. 72.

151PORTELLA, op. cit., p. 13.

152Ibidem, p. 14-15.

Recibido: 08 de Julio de 2018; Aprobado: 23 de Octubre de 2018

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